Aos 75, Bruna Lombardi transforma pausa na TV em legado

Bruna Lombardi reflete sobre sua trajetória e os novos projetos literários enquanto celebra sua longevidade.
Redação NC News
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Aos 75 anos, Bruna Lombardi revisita ao vivo a decisão que mudou sua vida: abandonar o auge na TV para criar o filho longe dos holofotes. Enquanto relembra o afastamento, ela celebra um novo momento com dois livros recém-lançados em Belo Horizonte e uma rotina de autocuidado que a transformou em referência de longevidade.

Da fama absoluta ao exílio voluntário pela maternidade

No É de Casa, na TV Globo, a atriz, escritora e apresentadora relembra o incômodo com a superexposição nas décadas passadas. “Eu estava nos lugares e não conseguia não ser vista, mas também eu não conseguia ver, porque você é o foco de tudo. Aí eu falei: hum, eu acho que eu vou dar um tempo”, conta, ao se referir ao auge da carreira em novelas.

Esse “tempo” significou algo raro no meio artístico: pausar contratos, recusar papéis e sair do país justamente quando a imagem de Bruna Lombardi jovem dominava capas de revistas, chamadas de TV e campanhas publicitárias. O motivo, diz ela, não foi uma crise com a profissão, mas a maternidade.

Bruna é mãe de Kim Lombardi Riccelli, nascido em 1981, único filho do casamento com o ator Carlos Alberto Riccelli, com quem está há 48 anos. Ela relata que a decisão de deixar o Brasil partiu de uma preocupação concreta com a infância do menino. “Gente, eu quero sair do Brasil um pouco, eu tenho um filho pequeno, eu quero criar ele longe da fama, eu não quero que ele seja um filho de famosos, que não se descubra, que não possa ter uma vida normal como as outras crianças, que seja apontado. E eu fiz isso pelo meu filho”, afirma.

A família se muda para os Estados Unidos, em um exílio voluntário, enquanto a TV brasileira perde uma de suas protagonistas mais populares. O gesto, visto hoje, ganha contornos de manifesto silencioso sobre os limites da notoriedade e o direito à privacidade de crianças de celebridades.

Volta à TV, virada literária e festa em Belo Horizonte

Bruna retorna mais tarde à televisão, já nos anos 1990, em outro papel: o de apresentadora. A atuação em novelas perde espaço; entra em cena uma artista mais autoral, que escreve, produz e escolhe os próprios projetos. Hoje, ela se define menos como estrela de TV e mais como escritora, roteirista e criadora de conteúdos ligados a desenvolvimento pessoal.

Nesta semana, esse percurso ganha um novo capítulo em Belo Horizonte. Na terça-feira, 18 de agosto de 2026, Bruna lota o auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) em um encontro gratuito com leitores. O evento integra a programação dos 40 anos do projeto Sempre Um Papo e marca o lançamento de dois títulos: “Diário do Grande Sertão” e “Mulheres que Sentem os Espíritos”.

“Diário do Grande Sertão” ganha nova edição 40 anos depois de sua primeira publicação, em um ano em que também se celebram os 70 anos de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e da exibição da minissérie inspirada no romance. O livro reúne as anotações de Bruna durante as gravações da produção televisiva, exibida em 1985, quando ela percorre o norte de Minas Gerais e registra em papéis avulsos as paisagens, as pessoas e o impacto da obra em sua vida.

O diário acompanha a construção da personagem Diadorim e mostra o bastidor de uma atriz que absorve o sertão mineiro não só como cenário, mas como experiência íntima. Ao reconstruir essas memórias, a autora conecta televisão, literatura e transformação pessoal, em um momento em que o país revisita a importância de Guimarães Rosa para a cultura brasileira.

Já “Mulheres que Sentem os Espíritos”, publicado pela Editora Record, é um romance que mistura perda, luto, pertencimento e herança espiritual. A protagonista, Lorena, precisa revisitar a própria história após a morte da mãe, Laura, uma mulher de origem grega que sustentava a família com sessões espirituais. Em companhia de Dora, irmã de criação, Lorena viaja para a Grécia, numa jornada que tenta conciliar dor, identidade e um legado sobrenatural que ela sempre tentou rejeitar.

Maturidade, autocuidado e a construção de uma nova Bruna

A travessia profissional anda de mãos dadas com uma transformação pessoal. Aos 75 anos, Bruna Lombardi hoje se apresenta ao público tanto pela memória dos tempos de novela quanto pela imagem de mulher madura, ativa e em busca constante de equilíbrio. Nas redes sociais, especialmente no Instagram, ela compartilha cenas da rotina, reflexões e dicas de bem-estar para milhões de seguidores.

Em entrevistas sobre envelhecimento saudável, a artista insiste na responsabilidade individual sobre o próprio corpo e mente. “Você é responsável pelo próprio bem-estar físico e mental. E isso é um resultado direto das escolhas que faz. […] Além disso, escolha uma alimentação leve, rica em frutas e verduras, muita fibra e água. E opte por produtos naturais no lugar dos industrializados”, afirma.

Bruna dá prioridade a caminhadas diárias e atividades físicas, mesmo leves, em vez de treinos exaustivos. “Sempre que puder, caminhe, faça atividades físicas, movimente o corpo e deixe a mente e o espírito livres. Exercícios diários, mesmo pequenos, são libertadores”, diz. A prescrição inclui gestos simples: andar descalça na grama, sentir areia e terra, ouvir música, dançar e manter o corpo em movimento constante.

A atriz também insiste na meditação como ferramenta de saúde mental. Para ela, a prática não é apenas técnica de relaxamento, mas forma de oração. “Meditar é uma forma silenciosa de oração, de estar em contato com você mesmo e alinhar essa energia com a natureza e uma força superior. Um poder maior. Sua fé”, resume.

O ritual de desacelerar, diz Bruna, começa pela escolha de um lugar acolhedor. “Dê uma pausa no dia e selecione um momento apenas para você. Para isso, busque um espaço que considera acolhedor. Vale um parque, um cantinho de casa, um lugar que você aprecia e sente que te faz bem”, orienta. A recomendação final é simples: “Feche os olhos por um minuto, medite, agradeça e sua energia estará reposta. […] Momentos assim são importantes para prestar atenção no presente e estabelecer uma conexão particular com o universo”.

Impacto da escolha e legado em três frentes: TV, livros e bem-estar

A decisão de se afastar da TV para proteger o filho reconfigura a trajetória de Bruna Lombardi e influencia a discussão sobre maternidade no meio artístico. A opção por perder espaço em uma vitrine poderosa, em troca de uma infância mais anônima para Kim, dialoga hoje com atrizes que questionam a lógica de produtividade permanente e o sacrifício da vida privada em nome da carreira.

Para a televisão, o afastamento significou a perda, por anos, de uma protagonista em alta. Para a literatura e o mercado editorial, abriu-se espaço para o surgimento de uma autora que transita entre poesia, crônica e ficção, com títulos como o best-seller “Jogo da Felicidade” e, agora, o retorno de “Diário do Grande Sertão” e o inédito “Mulheres que Sentem os Espíritos”. O Sempre Um Papo, ao incluí-la nas comemorações de 40 anos, reforça essa virada intelectual.

O terceiro eixo é o universo do bem-estar. Ao falar de dieta, exercícios, meditação e espiritualidade com a autoridade de quem mantém aparência e vitalidade chamativas aos 75 anos, Bruna se torna referência para um público que envelhece e busca qualidade de vida. A combinação de conteúdo literário, presença em redes e fala franca sobre saúde mental aproxima gerações distintas, da lembrança de Bruna Lombardi jovem nas novelas à figura atual, mais serena e multifacetada.

O movimento recente, com entrevista na TV aberta, reencontro com leitores em Belo Horizonte e intensa circulação digital, indica que a atriz-escritora entra em uma fase de visibilidade renovada. A tendência é que a história de quem parou tudo para criar um filho, e depois reinventou a própria carreira, siga alimentando debates sobre trabalho, família, espiritualidade e envelhecimento digno no Brasil.

Quem é o marido atual da Bruna Lombardi?

Carlos Alberto Riccelli, ator brasileiro, é o marido atual de Bruna Lombardi, com quem mantém um casamento de 48 anos e um filho, Kim Lombardi Riccelli, nascido em 1981; o casal atravessa junto diferentes fases da carreira, da televisão às produções autorais e à mudança para os Estados Unidos durante o afastamento da atriz.

O que Bruna Lombardi faz hoje em dia?

Bruna Lombardi hoje, aos 75 anos, atua principalmente como escritora, roteirista, palestrante e criadora de conteúdo sobre desenvolvimento pessoal, bem-estar e espiritualidade, mantendo forte presença no Instagram, participando de projetos culturais como o Sempre Um Papo e lançando livros como “Diário do Grande Sertão” e “Mulheres que Sentem os Espíritos”.

Por que Bruna Lombardi se afastou da TV para cuidar do filho?

Bruna Lombardi se afastou da TV na década de 1980 para criar o filho, Kim, longe da fama, mudando-se para os Estados Unidos e abrindo mão do auge da carreira porque não queria que ele fosse apenas “filho de famosos”; a atriz diz que buscava uma infância normal, sem apontamentos e pressão da exposição midiática.

Quais livros Bruna Lombardi lançou recentemente?

Bruna Lombardi lançou recentemente dois livros em Belo Horizonte: a nova edição de “Diário do Grande Sertão”, que retoma seus registros das gravações da minissérie inspirada em “Grande Sertão: Veredas”, e o romance “Mulheres que Sentem os Espíritos”, centrado na jornada de Lorena pela Grécia para lidar com luto, memória e herança espiritual.

Como Bruna Lombardi mantém sua longevidade aos 75 anos?

Bruna Lombardi mantém sua longevidade aos 75 anos com caminhadas e exercícios diários, mesmo leves, alimentação equilibrada rica em frutas, verduras, fibras e água, preferência por produtos naturais, prática constante de meditação, momentos de pausa em contato com a natureza e fortalecimento da espiritualidade, hábitos que ela considera decisivos para o bem-estar físico e mental.

Onde foram realizados os lançamentos dos livros de Bruna Lombardi?

Os lançamentos mais recentes dos livros de Bruna Lombardi aconteceram em Belo Horizonte, no auditório do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), em evento gratuito do projeto Sempre Um Papo, que celebra 40 anos e reuniu o público para bate-papo e sessão de autógrafos de “Diário do Grande Sertão” e “Mulheres que Sentem os Espíritos”.


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