O presidente Lula (PT) afirmou neste sábado (22) que, caso seja reeleito, pretende retirar as facções criminosas de territórios do Rio de Janeiro e devolvê-los à população.
A declaração foi feita durante um comício no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense, em evento que também reuniu o candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD) e outros nomes apoiados pelo petista.
Durante o discurso, Lula defendeu uma atuação maior do governo federal na segurança pública. O presidente lembrou que encaminhou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a participação da União no setor, atualmente atribuição dos estados.
Segundo Lula, caso a proposta, que já foi aprovada pela Câmara, também passe pelo Senado, ele pretende recriar o Ministério da Segurança Pública e ampliar a preparação das polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF).
Ao falar sobre a situação da segurança no Rio, o presidente afirmou que não pretende apostar em operações que, segundo ele, tenham como resultado apenas a morte de criminosos. Lula disse que a estratégia seria prender os integrantes das facções e recuperar os territórios ocupados pelo crime.
“Quero olhar na cara desse povo aqui da Região Oeste do Rio. Nós vamos tirar os bandidos do território de vocês. E vamos devolver o território para o povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer Carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 [criminosos]. Nós vamos prendê-los. Vamos falar a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo. Não é dos bandidos. Isso vamos fazer”, afirmou.
A segurança pública é um dos pontos de maior preocupação para a campanha petista. O desempenho do governo Lula na área é mal avaliado pela população, conforme pesquisas de opinião, e o tema vem sendo explorado por adversários, principalmente pelo candidato do PL, Flávio Bolsonaro (RJ).
Paes acusa crime organizado de dominar o Palácio Guanabara
Também durante o comício, Eduardo Paes afirmou que o crime organizado teria tomado espaço no governo estadual e acusou o grupo político que esteve à frente do estado de ter relações com o crime.
O candidato disse que o “crime organizado sentou no Palácio Guanabara” e citou uma investigação da Polícia Federal sobre relações entre política e crime. Na declaração, Paes afirmou ainda que Rodrigo Bacelar, apontado por ele como candidato do PL e de Flávio Bolsonaro, está preso.
“Com essa turma, o crime organizado sentou no Palácio Guanabara. Se não fosse a Polícia Federal brasileira entrar aqui e investigar a relação da política com o crime, quem seria meu adversário nessa eleição está preso. Tem nome e sobrenome. Rodrigo Bacelar era o candidato do PL, do Flávio Bolsonaro”, disse Paes.
Paes também pediu que as diferenças políticas sejam deixadas de lado em torno de um objetivo que classificou como necessário para o estado: “salvar” o Rio de Janeiro.
“O Brasil não se salva se o Rio não se salvar”, afirmou.
O candidato lidera a disputa pelo Palácio Guanabara, segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21). O levantamento aponta Paes com 41% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o deputado estadual Douglas Ruas (PL), segundo colocado, aparece com 19%.
A pesquisa ouviu 1.204 eleitores em 35 municípios do Rio de Janeiro entre os dias 18 e 21 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Educação é prioridade no discurso de Lula
Além da segurança, Lula dedicou parte significativa do discurso às propostas para a educação. O presidente afirmou que, se conquistar um quarto mandato, pretende implementar escolas em tempo integral em todas as unidades públicas do país e ampliar a construção de institutos federais.
Segundo Lula, a proposta é manter as crianças durante todo o dia nas escolas, com mais aulas e atividades culturais, enquanto os pais e mães trabalham.
“As crianças vão ficar o dia inteiro na escola para dar tranquilidade aos pais e mães que vão trabalhar, vão ter muito mais aula, inclusive cultural. Vamos fazer mais institutos federais porque queremos fazer revolução na educação. Quando cheguei na presidencia em 2003, esse país tinha menos de cinco 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje, já são 25 milhões e quero chegar a 50 milhões”, disse.
O presidente também relacionou investimentos em educação à prevenção da criminalidade e afirmou que considera mais barato ampliar o acesso à escola do que investir posteriormente no sistema prisional.
“Fica muito mais barato investir em educação porque nossa escolha: é ou investe em educação hoje ou tem que investir em cadeia amanhã e eu prefiro investir em escola. Os pais querem deixar uma profissão para o filho andar de cabeça erguida”, acrescentou.
Lula defende investimentos em defesa e exploração de minerais
O presidente também afirmou que pretende ampliar os investimentos no setor de defesa nacional caso seja reeleito. O tema tem aparecido com frequência nos discursos da campanha, que também tem dado destaque à soberania nacional.
Lula disse que pretende recuperar a indústria de defesa do país e voltou a afirmar que não quer uma guerra, mas que os brasileiros querem “respeito”.
Na mesma linha, o presidente voltou a citar a disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de terras raras e minerais críticos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras, atrás apenas da China.
As terras raras e os minerais críticos são utilizados na transição energética global e na produção de tecnologias avançadas, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e equipamentos de defesa.
Lula afirmou que países interessados em participar da exploração desses recursos no Brasil terão de colaborar com o desenvolvimento de tecnologia nacional.
“Essa briga dos Estados Unidos com a China é porque a China é o país que melhor conseguiu desenvolver a exploração e a fabricação das coisas. O que estou dizendo ao mundo é que eu não tenho preferência, eu tenho preferência por todos eles, mas eu sou brasileiro e quem quiser construir parceria que venha para cá”, afirmou.
Comício reuniu aliados de Lula
O ato em Bangu contou com apresentações musicais e a presença de candidatos apoiados por Lula na eleição estadual. Além de Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio, participaram Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado.
A primeira-dama, Janja da Silva, também discursou durante o evento e cantou um jingle gospel ao lado do pastor evangélico Kleber Lucas. Lula, que fez diversas referências a Deus durante sua fala, também busca ampliar sua popularidade entre o público evangélico.
O comício deste sábado foi o terceiro de Lula nesta semana desde o lançamento oficial de sua campanha à reeleição, realizado no domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP).