A Polícia Civil investiga a criação e a divulgação de um ranking sexual envolvendo 53 alunas do curso de Psicologia da Unoeste, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O material utilizava fotos retiradas das redes sociais das estudantes e fazia classificações de teor sexual e depreciativo.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente. Segundo informações divulgadas sobre o caso, seis vítimas já foram identificadas e cinco suspeitos são investigados.

Lista circulou em grupo privado
O conteúdo teria sido criado no formato de uma lista de classificação e compartilhado inicialmente em um grupo privado de WhatsApp. As imagens acabaram vazando e passaram a circular nas redes sociais.
Além das classificações de cunho sexual, mensagens trocadas no grupo continham comentários ofensivos contra as estudantes.
A polícia passou a investigar o caso depois que o conteúdo chegou a pessoas de fora do grupo. A identidade dos envolvidos ainda não foi divulgada.
Universidade abriu investigação
A Unoeste informou que tomou conhecimento do caso e iniciou uma apuração interna.
“Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais.”
A universidade também afirmou que está oferecendo acolhimento às estudantes envolvidas e destacou a necessidade de preservar a privacidade das vítimas.
“A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade de integrantes de sua comunidade acadêmica.”
A instituição também pediu que imagens, nomes e outros conteúdos relacionados ao caso não sejam compartilhados, para evitar uma nova exposição das vítimas.
Estudantes protestaram
O vazamento do ranking provocou protestos em frente ao campus da universidade. Estudantes e ativistas cobraram a identificação e a responsabilização dos envolvidos.
O coletivo Frente pela Vida das Mulheres classificou o episódio como misoginia organizada e criticou a objetificação das estudantes dentro do ambiente universitário.
“A criação de um ranking sexual para classificar mulheres reproduz diretamente a lógica red pill do chamado Valor Sexual de Mercado.”
O grupo também cobrou medidas de proteção e acolhimento às vítimas.
Investigação continua
A Polícia Civil continua apurando a participação dos suspeitos e as circunstâncias em que o material foi produzido e divulgado.
As autoridades ainda devem analisar mensagens, imagens e outros elementos que possam ajudar na identificação dos responsáveis.
A reportagem não reproduz nomes, fotos ou as classificações atribuídas às estudantes para evitar ampliar a exposição e os danos causados às vítimas.