O presidente-executivo do Grupo Trasmontano Saúde, Fernando José Moredo, de 85 anos, foi novamente afastado do cargo após funcionárias denunciarem supostos episódios de assédio sexual, importunação sexual e racismo.
As acusações foram formalizadas em uma notícia-crime apresentada ao Ministério Público de São Paulo, que recebeu o caso e mantém o procedimento sob sigilo. Os relatos envolvem funcionárias de diferentes áreas da rede e apontam para comportamentos que, segundo as denunciantes, teriam se repetido durante anos.
Moredo nega as acusações. A defesa afirma que ele é vítima de um complô e questiona a forma como a apuração interna foi conduzida.
AS DENÚNCIAS COMEÇARAM EM MAIO
Os primeiros relatos foram formalizados no fim de maio de 2026.
Segundo as informações reunidas no caso, ao menos quatro funcionárias prestaram depoimentos à comissão criada internamente pela empresa para investigar as acusações. Entre elas estão gerentes, assessoras e analistas.
Os relatos descrevem supostos comentários de teor sexual e racial, perguntas sobre a intimidade das funcionárias, contatos físicos sem consentimento e ofertas de dinheiro ou bens.
Uma das testemunhas afirmou que determinados comportamentos teriam se prolongado por quase 25 anos.
O caso também teria provocado mudanças na rotina das funcionárias, que, segundo os depoimentos, adotavam estratégias para evitar ficar sozinhas com o presidente.
O QUE AS FUNCIONÁRIAS RELATARAM?
Os depoimentos reunidos na investigação interna apresentam diferentes relatos sobre a conduta atribuída a Moredo.
Segundo as denunciantes, haveria situações envolvendo comentários de cunho sexual, perguntas sobre relacionamentos e intimidade, tentativas de contato físico sem consentimento e comentários com conotação racial.
Uma das funcionárias relatou ainda que mulheres teriam criado uma espécie de sistema informal de proteção, evitando que colegas mais jovens permanecessem sozinhas com o presidente.
Os relatos são acusações e ainda estão sob apuração. Não há, neste momento, condenação criminal contra Moredo pelo caso.
AFASTAMENTO TEVE IDAS E VINDAS NA JUSTIÇA
O caso ganhou um novo capítulo depois que uma comissão interna recomendou o afastamento do executivo.
Moredo chegou a ser retirado da presidência, mas posteriormente conseguiu uma decisão judicial que permitiu seu retorno às atividades.
Na segunda-feira (17), ele foi impedido por funcionários de entrar no Hospital Igesp, onde fica seu escritório. A polícia chegou a ser acionada. No dia seguinte, uma decisão judicial autorizou novamente que ele exercesse a presidência do grupo. Mas a situação mudou poucos dias depois.
Segundo informações apresentadas à Justiça, após retornar ao hospital, Moredo teria adotado comportamentos considerados intimidatórios contra pessoas envolvidas na apuração e tentado interferir na estrutura responsável pela investigação.
Diante desses novos relatos, a decisão que garantia sua permanência no cargo foi revogada.

CASO CHEGOU AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Além da investigação interna, as acusações chegaram ao Ministério Público de São Paulo.
Uma notícia-crime foi protocolada no início de agosto e pede a abertura de uma investigação criminal sobre os supostos crimes. O procedimento tramita sob sigilo.
Isso significa que o caso ainda está em fase de apuração.
A apresentação de uma notícia-crime não equivale a uma denúncia criminal aceita pela Justiça nem a uma condenação. Cabe às autoridades analisar os relatos, documentos e eventuais provas antes de decidir quais providências serão tomadas.
O QUE DIZ A DEFESA?
A defesa de Fernando José Moredo nega as acusações.
Os advogados afirmam que não tiveram acesso integral aos relatos e documentos utilizados na apuração interna e sustentam que o empresário seria alvo de uma articulação para retirá-lo da presidência.
O advogado Miguel Silva afirmou que uma das primeiras denunciantes teria procurado outras funcionárias para apresentar declarações contra o executivo.
Outro advogado de Moredo, Miguel Machado, afirmou que o procedimento administrativo interno teria sido conduzido de maneira irregular e que, até o momento, não teria recebido provas das acusações.
“Meu cliente é inocente.”
A defesa também informou que pretende contestar judicialmente as decisões relacionadas ao afastamento.
QUEM É FERNANDO MOREDO?
Moredo está à frente do Grupo Trasmontano Saúde há cerca de 30 anos.
A instituição foi fundada em 1932, inicialmente para oferecer assistência a imigrantes portugueses em São Paulo.
O grupo atualmente atua em diferentes áreas da saúde e controla unidades do Hospital Igesp, além de operar um plano de saúde e uma instituição de ensino voltada à área médica.
A rede possui hospitais e unidades de pronto atendimento no estado de São Paulo.
O QUE ACONTECE AGORA?
O caso deve continuar sendo analisado em duas frentes.
De um lado, existe a apuração interna das denúncias apresentadas pelas funcionárias. Do outro, o Ministério Público de São Paulo recebeu a notícia-crime e poderá avaliar a abertura de uma investigação criminal.
Enquanto isso, a decisão judicial mantém Moredo afastado da presidência do grupo.
O empresário continua negando as acusações, e os relatos apresentados pelas funcionárias ainda precisam ser analisados pelas autoridades competentes.
ENTENDA O CONTEXTO
O caso começou a ganhar forma em maio, quando funcionárias do Grupo Trasmontano Saúde passaram a relatar supostos episódios de assédio sexual, importunação sexual e racismo atribuídos ao presidente-executivo da empresa.
Uma comissão interna foi criada para analisar as acusações e recomendou o afastamento de Moredo.
A Justiça, porém, chegou a autorizar seu retorno ao cargo. Depois, diante de novos relatos envolvendo suposta intimidação de funcionários ligados à apuração, a decisão foi revogada e o afastamento voltou a valer.
Paralelamente, uma notícia-crime foi apresentada ao Ministério Público de São Paulo.
O ponto central agora é descobrir o que poderá ser comprovado pelas investigações.
Até lá, as acusações devem ser tratadas como relatos sob apuração, e não como fatos definitivamente comprovados.