A cultura geek deixou de ser um nicho para se transformar em um mercado que reúne games, tecnologia, cinema, séries, animes, e-sports, creators e eventos que movimentam cada vez mais pessoas e negócios. Mas, apesar do crescimento em todo o país, grande parte das principais experiências ainda está concentrada no Sudeste. É justamente para ampliar esse acesso e aproximar o público de outras regiões que iniciativas como a Tecnogames Brasil ganham espaço.
Esse é um dos temas discutidos por Antony Andryw, CEO e cofundador da Ayra Produções, no novo episódio do NCNEWS Entrevista. À frente de projetos ligados ao universo geek, ele fala sobre os desafios e as oportunidades de levar esse mercado para além dos grandes centros e sobre como eventos podem conectar fãs, empresas, creators e empreendedores em diferentes regiões do Brasil.
Tecnogames aproximar fãs de diferentes regiões do Brasil
Para quem vive no Norte do país, participar de grandes eventos de cultura pop muitas vezes significa viajar para outros estados e arcar com custos de transporte, hospedagem e alimentação.
É nesse cenário que a expansão da Tecnogames Brasil ganha relevância. A proposta é levar para diferentes regiões uma experiência que reúne games, animes, cosplay, e-sports, música, dublagem, creators, tecnologia e empreendedorismo.
A ideia é aproximar o público de experiências que, durante muito tempo, ficaram concentradas nos grandes centros.
Mais do que reunir fãs, o evento cria um espaço para que empresas, criadores de conteúdo, artistas e empreendedores também possam apresentar seus trabalhos e encontrar novos públicos.
São Paulo também está no circuito
A expansão não deixa de lado o maior mercado consumidor do país. A edição da Tecnogames Brasil em São Paulo também faz parte dessa estratégia de crescimento e reforça a presença do evento em um dos principais polos de tecnologia, entretenimento e economia criativa do Brasil.
A capital paulista concentra uma grande comunidade ligada à cultura geek, além de reunir empresas, profissionais, creators e marcas que atuam diretamente nesse mercado.
A presença em São Paulo, portanto, ajuda a fortalecer o circuito e, ao mesmo tempo, amplia as possibilidades de conexão entre diferentes públicos e regiões.
Um evento que também tem compromisso social
Outro aspecto abordado na entrevista é o caráter social da Tecnogames.
A proposta não se limita à venda de ingressos e à realização de atrações. O evento também trabalha com iniciativas de acesso e solidariedade, incluindo distribuição de alimentos, ingressos sociais e gratuidade para determinados perfis de público, de acordo com as regras de cada edição.
A iniciativa amplia o acesso à experiência geek e reforça a ideia de que eventos de grande porte também podem gerar impacto social.
Nesse modelo, a cultura geek deixa de ser apenas uma experiência de consumo e passa a funcionar como espaço de convivência, inclusão, solidariedade e participação cultural.
Dos personagens que marcaram gerações às novas comunidades
A conversa também passa pela memória afetiva de diferentes gerações.
Personagens e produções como Naruto, Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e A Viagem de Chihiro, do Studio Ghibli, ajudaram a formar uma comunidade de fãs que hoje encontra novas maneiras de consumir e compartilhar essa cultura.
Mas o mercado mudou.
O fã não é mais apenas espectador. Ele produz conteúdo, participa de comunidades, faz cosplay, acompanha campeonatos, compra produtos, interage nas redes sociais e participa presencialmente de eventos.
Essa transformação ajudou a elevar a cultura geek a uma indústria muito mais ampla.
Um mercado que vai muito além dos games
Por trás de um jogo, de um anime ou de um evento existe uma cadeia formada por desenvolvedores, designers, programadores, artistas, dubladores, produtores, creators, profissionais de comunicação, empresas de tecnologia e empreendedores.
O impacto também chega a outros setores.
Grandes eventos podem movimentar hotelaria, restaurantes, transporte, comércio e turismo, criando oportunidades para negócios locais e profissionais de diferentes áreas.
É por isso que a cultura geek passou a ocupar um espaço cada vez maior dentro da economia criativa.
Inteligência artificial também entra em cena
Outro tema da conversa é o avanço da inteligência artificial no entretenimento.
Ferramentas de IA já são utilizadas para auxiliar na criação de textos, imagens, vídeos, músicas e animações. Nos games, a tecnologia pode contribuir para desenvolver personagens mais inteligentes, diálogos mais naturais, missões adaptáveis e experiências personalizadas.
Mas a evolução também traz desafios.
Até que ponto a inteligência artificial será uma ferramenta para artistas e desenvolvedores? E em que momento poderá substituir parte do trabalho criativo?
O diálogo no programa envolve criatividade, autoria e o próprio futuro das profissões ligadas ao entretenimento.
O desafio de levar a cultura geek para todo o Brasil
Para quem está fora do eixo dos grandes centros, ter acesso a grandes eventos pode ser mais difícil. Por isso, ampliar o circuito significa também reconhecer que existe público, talento e potencial de consumo em todas as regiões do país.
É nesse cenário que a Tecnogames busca construir seu espaço.
Ao conectar fãs, empresas, creators, artistas e empreendedores, o evento ajuda a mostrar que a cultura geek não pertence apenas a uma região.
Ela está espalhada pelo Brasil, e o desafio agora é fazer com que as oportunidades também estejam.
Assista ao Papo NCNEWS
No episódio, Antony Andryw também fala sobre sua trajetória à frente da Ayra Produções, a expansão da Tecnogames Brasil, a edição em São Paulo, o mercado geek no Norte do país, o impacto social dos eventos e as transformações provocadas pela inteligência artificial.
A conversa com a jornalista Rebeca Motta, também resgata personagens que marcaram gerações e mostra como uma cultura que durante muito tempo foi tratada como nicho hoje movimenta entretenimento, tecnologia, negócios, comunidades e economia criativa.