O Rio de Janeiro gastou R$ 850 mil nos últimos 18 meses para reparar monumentos, estátuas, bustos e chafarizes atingidos por furtos ou atos de vandalismo. O valor representa cerca de 30% do orçamento da Secretaria Municipal de Conservação destinado à preservação desses bens históricos e culturais.
O problema não está diminuindo. Em 2025, a prefeitura registrou 17 ocorrências de danos ao patrimônio público. Até o fim de julho deste ano, já eram 15 casos, praticamente alcançando o total registrado em todo o ano passado.
Atualmente, a cidade tem 1.150 monumentos sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Conservação. Desse total, 349 homenageiam personalidades ligadas à história do Rio, entre estátuas, bustos, esculturas e efígies.
Até os monumentos mais famosos são alvo
Um dos exemplos mais conhecidos é a estátua de Carlos Drummond de Andrade, na orla de Copacabana. Desde que foi instalada, em 2002, os óculos do poeta precisaram ser repostos 13 vezes após furtos.
Outro monumento que acumula reparos é a estátua de Noel Rosa, em Vila Isabel. A obra já passou por nove intervenções, sendo três somente no ano passado.
Atualmente, o conjunto inspirado na música “Conversa de Botequim” está sem a representação do compositor. A estátua de Noel foi retirada para manutenção depois de ser novamente alvo de vandalismo.
O Monumento ao General Osório, na Praça XV, no Centro, também já passou por nove intervenções.
Arcos da Lapa também enfrentam problema
Outro ponto turístico que exige manutenção frequente é o Arcos da Lapa.
Desde 2022, o monumento passou por 34 ações de manutenção para a retirada de pichações. Somente em 2023, foram necessárias 13 intervenções.
O local concluiu recentemente uma nova revitalização, com investimento de R$ 1,7 milhão. O trabalho foi finalizado em julho deste ano e a expectativa da prefeitura é que as melhorias ajudem a reduzir novos episódios de vandalismo.
Outros monumentos também foram danificados
Os casos não estão concentrados em apenas um ponto da cidade.
Somente em 2026, a Secretaria Municipal de Conservação registrou danos em diferentes obras, entre elas o Relógio da Glória e monumentos em homenagem a Cazuza, Otto Lara Resende e Sérgio Vieira de Mello.
A situação também atingiu a escultura Curumim da Lagoa. Em julho, apenas 20 dias depois de passar por uma restauração que custou R$ 50 mil, o arco que fazia parte da obra foi furtado.
O caso mostra um dos principais desafios enfrentados pelo poder público: não basta restaurar o monumento se ele volta a ser alvo de criminosos pouco tempo depois.
Prefeitura estuda usar reconhecimento facial
Diante da repetição dos casos, a Prefeitura do Rio avalia novas formas de tentar identificar os responsáveis.
Segundo o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, as despesas com reparos acabam comprometendo recursos que poderiam ser utilizados em outras ações da pasta.
A prefeitura também avalia que o sistema atual de câmeras não tem sido suficiente para impedir os atos de vandalismo.
Por isso, uma das alternativas estudadas é o uso de tecnologia de reconhecimento facial, em parceria com o Centro de Operações Rio (COR) e a Civitas.
A ideia é identificar quem pratica os atos e tentar reduzir a reincidência.
Um patrimônio que custa caro para ser recuperado
O problema vai além do valor gasto para consertar uma estátua.
Monumentos fazem parte da memória da cidade e muitos deles têm décadas ou até séculos de história. A obra mais antiga sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Conservação é a estátua de Dom Pedro I, na Praça Tiradentes, no Centro, datada do século XIX.
Na outra ponta está a homenagem ao cineasta Cacá Diegues, inaugurada em março deste ano no Alto da Boa Vista.
Entre os dois extremos estão centenas de obras espalhadas pelo Rio que precisam de manutenção constante — e que acabam consumindo parte significativa do orçamento quando são furtadas, pichadas ou depredadas.
Entenda o contexto
O Rio de Janeiro tem 1.150 monumentos sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Conservação. Nos últimos 18 meses, a prefeitura gastou R$ 850 mil para reparar bens danificados por vandalismo e furtos, valor equivalente a cerca de 30% da verba destinada à conservação desses patrimônios. Em 2025, foram registradas 17 ocorrências. Até julho de 2026, já eram 15.
Entre os monumentos mais atingidos estão a estátua de Carlos Drummond de Andrade, que teve os óculos furtados 13 vezes, a estátua de Noel Rosa e o Monumento ao General Osório, ambos com nove intervenções de reparo. Os Arcos da Lapa também acumulam dezenas de ações de manutenção.
O que acontece agora?
A Prefeitura do Rio pretende buscar novas formas de proteger os monumentos e reduzir os gastos provocados por furtos e atos de vandalismo.
Uma das alternativas em estudo é o reconhecimento facial, que poderia ajudar na identificação dos responsáveis pelos ataques.
Enquanto isso, a cidade continua gastando dinheiro público para recuperar obras que, em muitos casos, acabam danificadas novamente pouco tempo depois.
O desafio agora é fazer com que a verba destinada à conservação seja usada para preservar o patrimônio — e não apenas para consertar aquilo que foi destruído.