Minas Gerais concentra 28 das 87 barragens de mineração classificadas em situação de alerta ou emergência no Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). O número representa quase um terço das estruturas que estão sob algum nível de atenção no país.
Das barragens mineiras nessa condição, seis estão em nível de alerta e 22 em algum dos três níveis de emergência. São 16 no nível 1, cinco no nível 2 e uma no nível 3, considerado o mais grave previsto pela legislação.
A classificação, porém, não significa necessariamente que exista risco iminente de rompimento. Os níveis são utilizados pelos órgãos de fiscalização para indicar situações que exigem diferentes graus de monitoramento e adoção de medidas de segurança.
Serra Azul é a única no nível máximo
A estrutura que atualmente está no nível mais grave é a Barragem Serra Azul, da ArcelorMittal, em Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ela é a única barragem do país classificada no Nível de Emergência 3.
A estrutura entrou em situação de emergência em 2019, quando foi classificada no nível 2 e moradores da Zona de Autossalvamento foram retirados.
Em maio de 2025, um Termo de Ajustamento de Conduta foi firmado entre o Ministério Público Federal, o Ministério Público de Minas Gerais, a empresa, representantes dos atingidos e a Prefeitura de Itatiaiuçu. O acordo prevê aproximadamente R$ 436,7 milhões em medidas de reparação para comunidades afetadas pelo risco relacionado à barragem.
Empresa diz que nível 1 é preventivo
Entre as estruturas mineiras classificadas no nível 1 estão as Barragens 1, 2 e 3 da Morro Agudo Minerais. Em nota enviada à reportagem, a empresa afirma que a classificação ocorreu por questões documentais e regulatórias, e não por problemas na estrutura física das barragens.
Segundo a Morro Agudo Minerais, as três estruturas estão estáveis e passam por monitoramento contínuo. A empresa afirma ainda que não há risco para as comunidades ou moradores das áreas próximas.
A companhia explica que a Barragem B1 apresentou Declaração de Condição de Estabilidade positiva no primeiro ciclo de 2026. Já as Barragens B2 e B3 tiveram declarações negativas, o que levou à elaboração de planos de ação específicos.
De acordo com a empresa, essas medidas já foram cumpridas e uma Revisão de Inspeção de Segurança Extraordinária (RISE) está em elaboração para avaliar as condições atuais das estruturas e subsidiar a tentativa de reversão das declarações negativas.
B1 entrou em emergência em julho
A Morro Agudo também esclareceu a situação da Barragem B1. Segundo a empresa, a estrutura não tinha declaração de estabilidade negativa no primeiro ciclo de 2026 e era considerada estável pelo Engenheiro de Registro.
Em julho deste ano, porém, a ANM enquadrou a barragem em Nível de Emergência 1 para solicitar informações técnicas e documentos.
A empresa afirma que está reunindo o material solicitado pelo órgão regulador e que a classificação ocorreu exclusivamente por uma pendência documental, sem comprometimento estrutural.
A previsão da Morro Agudo é que a RISE seja emitida ainda em agosto e possa contribuir para a análise dos órgãos responsáveis e para uma eventual retirada do nível de emergência.
Como é feito o monitoramento
Ainda segundo a empresa, as barragens passam por inspeções visuais diariamente, além de acompanhamento dos instrumentos e sistemas de controle semanalmente e avaliações mensais das condições de estabilidade.
O trabalho é realizado por profissionais especializados e acompanhado pela GBM Engenharia, consultoria responsável pelo Engenheiro de Registro da empresa.
A unidade também conta, segundo a Morro Agudo, com monitoramento automatizado, câmeras de segurança e sistema de sirenes.
A companhia afirma que as estruturas não estão em operação de lavra e que não há extração ou movimentação de material nas barragens.
Empresa diz que auditoria é independente
A Morro Agudo Minerais também destacou que a classificação de emergência é comunicada pelo próprio Engenheiro de Registro, ligado à consultoria especializada contratada pela empresa.
Segundo a companhia, a consultoria tem autonomia para apontar pendências e elevar o nível de emergência quando identifica alguma desconformidade.
A empresa afirma que o procedimento é adotado como medida preventiva e de transparência, mesmo quando a situação não representa comprometimento da estabilidade estrutural.
A Morro Agudo declarou ainda que espera regularizar as pendências e retirar as três estruturas do Nível de Emergência 1 possivelmente ainda neste mês.
Histórico aumenta atenção em Minas
A situação é acompanhada com atenção em Minas Gerais, principalmente pelo histórico recente de grandes tragédias envolvendo barragens.
Em 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, matou 19 pessoas e provocou impactos ambientais ao longo da bacia do Rio Doce.
Quatro anos depois, em 2019, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, deixou 272 mortos e se tornou a maior tragédia trabalhista do Brasil.
Atualmente, o país possui 909 barragens de mineração cadastradas, sendo 467 enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens. Em Minas Gerais, 191 estruturas estão submetidas às regras da política.
O cenário atual, portanto, não significa que 28 barragens estejam prestes a romper. O dado mostra que essas estruturas estão submetidas a algum nível de alerta ou emergência e, por isso, exigem acompanhamento e medidas específicas de segurança.