A Polícia Federal indiciou o delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor de Polícia Administrativa da corporação, por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de organização criminosa em um desdobramento da Operação Rejeito, que apura um esquema envolvendo mineração em Minas Gerais e órgãos públicos ligados ao setor.
Teixeira chegou a ocupar um dos cargos de direção da Polícia Federal durante o governo do presidente Lula e foi preso em setembro de 2025, quando a operação foi deflagrada. Ele também já ocupou funções na área ambiental do governo de Minas Gerais e cargos na Prefeitura de Belo Horizonte.
Agora, com a conclusão de uma etapa da investigação, a PF aponta novas suspeitas sobre a atuação do delegado no suposto esquema.
O que a investigação descobriu?
Segundo os investigadores, Teixeira seria sócio oculto da Gmais, empresa ligada a negócios de mineração.
A PF afirma que ele teria utilizado o prestígio e a influência obtidos ao longo da carreira pública para atuar em negociações envolvendo direitos minerários, investidores e empresários do setor.
De acordo com a investigação, direitos minerários relacionados à empresa já teriam gerado aproximadamente R$ 4 milhões e poderiam chegar a R$ 27 milhões.
Os investigadores sustentam que a participação de Teixeira nos negócios teria ocorrido como uma espécie de troca: influência decorrente do cargo público em troca de participação societária e vantagens econômicas.
A Gmais possui 13,3% da Brava, empresa envolvida nas negociações de direitos minerários.
Influência dentro da própria Polícia Federal
Um dos pontos mais graves da investigação envolve a suspeita de que Teixeira teria usado sua posição dentro da própria Polícia Federal para interferir em apurações.
Mensagens encontradas pelos investigadores apontariam que o delegado teria utilizado uma subordinada para realizar uma ação contra uma empresa com o objetivo de favorecer um empresário com quem mantinha negociações relacionadas a ativos minerários.
A PF também afirma ter encontrado evidências de que Teixeira tentou interferir em uma investigação sobre corrupção que estava em andamento na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais.
Segundo os investigadores, ele chegou a se reunir com pessoas que eram alvo da apuração para discutir informações relacionadas a um inquérito sigiloso.
A suspeita é que a influência que o delegado possuía dentro da corporação tenha sido utilizada como um ativo nas negociações do grupo.
Tentativa de interferir no combate à corrupção
Outro ponto levantado pela investigação envolve a estrutura da própria PF em Minas Gerais.
Segundo a corporação, Teixeira teria atuado para retirar um delegado da chefia da área de combate à corrupção no estado.
A suspeita reforça a linha de investigação segundo a qual o ex-diretor não teria apenas participado de negócios privados, mas também tentado influenciar a atuação de órgãos responsáveis por fiscalizar e investigar atividades relacionadas ao setor mineral.
Área de mineração tinha barragem de alto risco
A investigação também encontrou um detalhe que aumenta a preocupação em relação aos negócios analisados.
Uma das áreas de mineração negociadas pelo grupo envolvia uma barragem considerada de alto risco de rompimento.
O episódio chama atenção porque a atividade minerária em Minas Gerais envolve não apenas interesses econômicos, mas também questões ambientais e de segurança pública.
A investigação procura esclarecer como os direitos dessas áreas foram negociados e qual teria sido o papel de cada integrante do grupo.
Quem é Rodrigo Teixeira?
Rodrigo de Melo Teixeira é delegado da Polícia Federal e teve uma longa trajetória em funções de comando.
Ele foi superintendente da PF em Minas Gerais e esteve à frente da unidade durante momentos de grande repercussão nacional, incluindo as investigações relacionadas ao atentado contra Jair Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, e o período do desastre de Brumadinho.
Também passou pela administração pública de Belo Horizonte e pela área ambiental do governo mineiro.
Durante o governo Lula, chegou à direção de Polícia Administrativa da Polícia Federal, uma posição de destaque na estrutura da corporação.
O que acontece agora?
O indiciamento encerra uma etapa da investigação policial, mas não significa condenação.
O caso ainda pode passar por novas avaliações das autoridades responsáveis pela análise das provas e eventual responsabilização criminal.
Rodrigo Teixeira foi preso durante a Operação Rejeito em setembro de 2025. Em dezembro daquele ano, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou a soltura dele e de outros três investigados.
ENTENDA O CONTEXTO
A Operação Rejeito investiga um suposto esquema de corrupção relacionado ao setor de mineração em Minas Gerais, com suspeitas de pagamento de propina, lavagem de dinheiro, uso de empresas e influência de agentes públicos para obtenção de vantagens em negócios minerários e autorizações.
O novo indiciamento coloca novamente um ex-integrante da cúpula da Polícia Federal no centro das investigações.
O principal ponto agora é esclarecer até onde teria chegado a influência de Teixeira, quais vantagens ele teria recebido e como sua atuação se conectava aos demais integrantes do grupo investigado.