Uma gruta no Noroeste de Minas Gerais voltou a ser alvo de pesquisadores que tentam descobrir mais detalhes sobre os povos que viveram na região há milhares de anos. A Gruta do Gentio II, em Unaí, é o local onde foi encontrado o corpo de Acauã, uma menina que viveu há cerca de 3.350 anos e é considerada a única múmia conhecida do Brasil.
As novas escavações são realizadas por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). O objetivo é encontrar outros sepultamentos e ampliar o conhecimento sobre as populações que passaram pelo local.
A gruta fica dentro de uma fazenda, a aproximadamente 30 quilômetros da área central de Unaí. O sítio arqueológico reúne vestígios de diferentes períodos e mostra que a região foi ocupada por grupos humanos durante milhares de anos.
Corpo preservado naturalmente
Acauã tinha aproximadamente 12 anos quando morreu. O corpo permaneceu preservado por causa das condições de umidade e do clima seco dentro da caverna.
A conservação do material permite que os cientistas busquem informações que dificilmente seriam encontradas em outros sepultamentos, como características da alimentação, presença de doenças e parasitas e informações genéticas.
A pesquisa também tenta entender possíveis conexões entre os antigos habitantes da região e povos indígenas que vivem atualmente no Brasil Central.
Para os pesquisadores, a localização da gruta ajuda a explicar a importância do sítio. Unaí está em uma área próxima às bacias dos rios São Francisco, Tocantins e Paraná, região considerada um ponto de encontro entre diferentes áreas do território brasileiro.
Mais de 300 partes de sepultamentos já foram encontradas
As pesquisas realizadas entre 2021 e 2025 já recuperaram mais de 300 partes de sepultamentos humanos.
Os materiais passam por análises na UnB, na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Parte das amostras também foi encaminhada ao Instituto Max Planck, na Alemanha, onde são realizados estudos de DNA antigo e de resíduos encontrados em recipientes de cerâmica.
Mas os vestígios encontrados na gruta não se resumem a restos humanos.
As equipes já localizaram penas, objetos de cestaria, adornos, cerâmicas, sementes e ferramentas de pedra.
A expectativa agora é que a continuidade das escavações revele novos elementos sobre os costumes, a alimentação, os deslocamentos e as relações entre os grupos que ocuparam o território de Minas Gerais milhares de anos atrás.