Uma menina de 10 anos é encontrada morta no próprio quarto, em Peruíbe, no litoral de São Paulo, com lesões que levantam suspeita de violência sexual. A mãe está presa temporariamente, suspeita de exploração sexual da filha, enquanto dois vizinhos são investigados pelas circunstâncias da morte.
Infância interrompida e sinais de vulnerabilidade
O caso, investigado sob sigilo pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Peruíbe, expõe uma situação de extrema vulnerabilidade. Segundo a Polícia Civil, a menina não frequentava a escola, não tinha acesso a celular e vivia praticamente isolada do convívio com outras crianças.
De acordo com a delegada Izabela Coelho Fernandes, titular da DDM e responsável pela investigação, a rotina da criança nos últimos meses era restrita à companhia da mãe e a saídas noturnas para locais associados ao tráfico de drogas. Exames do Instituto Médico-Legal (IML) também apontaram indícios de violência sexual anterior, informação que passou a integrar a apuração sobre uma possível exploração sexual.
“Essa criança, a vida dela nos últimos meses, era sempre na companhia da mãe. Ela não estava frequentando a escola, não tinha acesso ao celular. Ela não tinha vida social, era sempre ou dentro de casa ou em lugares com reputação duvidosa”, afirmou a delegada.
Mãe é presa temporariamente e vizinhos são investigados
A mãe, apontada pela polícia como usuária de drogas, foi presa temporariamente por 30 dias nesta terça-feira (25), após representação da Polícia Civil e do Ministério Público. A medida foi autorizada pela Justiça de Peruíbe enquanto diligências continuam, incluindo novas oitivas e a análise de laudos periciais.
Dois vizinhos, de 74 e 47 anos, também são investigados. Eles faziam parte do círculo de pessoas próximas à criança e foram ouvidos pela polícia. O conteúdo dos depoimentos não foi divulgado.
A menina foi encontrada sem vida na madrugada do dia 10, dentro do próprio quarto. O boletim de ocorrência registra morte suspeita e descreve lesões que podem ser compatíveis com violência sexual. A causa exata da morte ainda depende da conclusão dos exames periciais.
Polícia apura possível alteração da cena do crime
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de a cena do crime ter sido alterada antes da chegada da perícia. Segundo a delegada, há relatos de que o quarto teria sido limpo, o que pode ter comprometido a preservação de vestígios importantes.
“Há uma contradição em relação à alteração da cena do crime. A limpeza do local antes da chegada da perícia”, afirmou Izabela Coelho Fernandes.
A possível alteração do ambiente passou a ser um dos pontos analisados pelos investigadores, que tentam determinar quando e por quem o local foi modificado.
Testemunhas também relataram à DDM que a menina era vista com frequência em pontos ligados ao tráfico de drogas e em outros locais considerados inadequados, inclusive durante a madrugada. A polícia apura se essa rotina tinha relação com uma eventual exploração sexual e quem poderia estar envolvido.
Investigação segue sob sigilo
A Polícia Civil mantém o caso sob sigilo para preservar a coleta de provas e evitar a exposição da família. A menina tinha um irmão, que encontrou o corpo e acionou ajuda.
A investigação busca esclarecer principalmente se a criança sofreu violência sexual anteriormente, quem poderia estar envolvido e qual foi a causa da morte. Laudos do IML, depoimentos e outras evidências devem ajudar a determinar a dinâmica dos acontecimentos.
A mãe permanece presa temporariamente e, apesar da suspeita investigada pela polícia, não é considerada culpada neste momento. Os dois vizinhos também são apenas investigados, sem condenação ou confirmação de participação no crime.
O que pode acontecer a partir de agora
Com a prisão temporária em vigor, a Polícia Civil continua reunindo elementos para concluir o inquérito. Ao final da investigação, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que poderá decidir pela apresentação de denúncia caso entenda que existem provas suficientes de crimes.
A situação da mãe também poderá ser reavaliada pela Justiça. A prisão temporária pode ser prorrogada nas hipóteses previstas em lei, convertida em prisão preventiva ou encerrada, dependendo do avanço das investigações e dos elementos reunidos.
Os dois vizinhos também poderão ter a participação descartada ou passar a ser formalmente acusados, caso surjam provas contra eles.
O caso chama atenção para a vulnerabilidade da criança e para a ausência de mecanismos básicos de proteção, como a frequência escolar e o acompanhamento social. A investigação agora precisa esclarecer não apenas como a menina morreu, mas também como uma criança de 10 anos permaneceu fora da escola e exposta a uma situação de risco sem que a rede de proteção identificasse o problema a tempo.