Mulher investigada por simular próprio sequestro deixa prisão com tornozeleira eletrônica em BH

Aline Alves Quirino foi presa após familiares receberem ameaças e pedidos de até R$ 14 mil; Justiça entendeu que ela pode responder ao caso em liberdade
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A mulher de 40 anos investigada por simular o próprio sequestro para conseguir dinheiro da família vai responder ao caso em liberdade. Aline Alves Quirino deixou a prisão depois de uma audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (26), em Belo Horizonte.

A decisão foi tomada pelo juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno, da Central de Audiências de Custódia da capital. O magistrado concedeu liberdade provisória sem fiança, mas determinou que a investigada cumpra uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Aline foi presa em flagrante na noite de segunda-feira (24), depois que a Polícia Civil descobriu que o suposto sequestro, que havia mobilizado familiares, não tinha acontecido.

Como a história começou?

A investigação começou no domingo (23), quando o marido e as irmãs de Aline procuraram as autoridades preocupados com o desaparecimento dela.

Segundo os depoimentos reunidos no processo, Aline havia saído de casa naquela manhã dizendo ao marido que trabalharia como cabeleireira. Mais tarde, publicou no status do WhatsApp uma mensagem indicando que precisava de ajuda.

Na sequência, uma das irmãs recebeu mensagens de um número desconhecido. A pessoa que estava do outro lado dizia que Aline havia sido sequestrada e que seria necessário pagar dinheiro para que ela fosse libertada.

O pedido começou em R$ 7 mil, mas chegou a R$ 14 mil. Em algumas mensagens, os supostos sequestradores afirmavam que a mulher estava bem e não seria machucada se o pagamento fosse feito. Em outras, porém, havia ameaças de violência.

A família não conseguiu reunir o dinheiro e nenhum pagamento foi realizado.

Os investigadores passaram a analisar as mensagens, contas bancárias indicadas para o suposto resgate, imagens de câmeras de segurança e outros elementos. Foi quando começaram a aparecer contradições na história.

A Polícia Civil descobriu que Aline utilizava dois chips de celular e que um deles teria sido usado para enviar aos próprios familiares as mensagens atribuídas aos supostos sequestradores.

Investigada foi encontrada em hotel

A mulher acabou localizada sozinha em um hotel na região Central de Belo Horizonte. Segundo a investigação, ela estava fazendo novos contatos com familiares para tentar conseguir o dinheiro.

No local, os policiais apreenderam o celular que teria sido utilizado nas comunicações.

Ainda conforme os investigadores, Aline teria contado diferentes versões para pessoas que encontrou durante os dias em que manteve a farsa. Ela chegou a pedir a chave Pix de um motorista de aplicativo e de uma comerciante, apresentando os dados como se fossem contas dos supostos sequestradores.

A polícia trabalha com a hipótese de que ela tenha agido sozinha e que as pessoas que tiveram contato com ela durante o período não soubessem da simulação.

Marido desconfiou da história

Antes de a polícia confirmar a farsa, o marido de Aline já havia levantado dúvidas sobre o suposto sequestro.

Ele contou que a esposa enfrentava problemas financeiros e tinha histórico de empréstimos e dívidas. Segundo o homem, os dois estão juntos há 19 anos e ele já chegou a pegar dinheiro emprestado para quitar dívidas atribuídas a ela.

A família também relatou mudanças no comportamento de Aline nos meses anteriores, com episódios frequentes de nervosismo e choro.

Justiça muda enquadramento do caso

Aline havia sido presa inicialmente por extorsão. Durante a audiência de custódia, porém, o Ministério Público de Minas Gerais entendeu que os fatos, em tese, se enquadram no crime de estelionato.

O juiz acolheu o entendimento e considerou que havia elementos que indicavam, inicialmente, a existência do crime e possível participação da investigada. Mesmo assim, avaliou que não havia motivos suficientes para manter a prisão preventiva.

O magistrado também levou em consideração que Aline é primária e não possui outros registros criminais.

Com a liberdade provisória, ela terá que usar tornozeleira eletrônica, comparecer periodicamente perante equipe especializada e se apresentar mensalmente à Justiça durante seis meses.

Também deverá permanecer em casa das 20h às 6h nos dias úteis e ficar em recolhimento domiciliar integral aos sábados, domingos e feriados.

Agora, Aline responderá ao caso em liberdade. A investigação continua, e uma eventual responsabilização criminal será definida ao longo do processo.

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