Alex relembra drama pessoal na Copa de 2002 e alerta para vício em apostas

Ex-meia contou como viveu um momento familiar difícil durante o Mundial e falou sobre os riscos das apostas
Redação NC News
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O ex-jogador Alexsandro de Souza, ídolo de clubes como Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, abriu o jogo sobre alguns dos momentos mais marcantes de sua carreira em entrevista ao ge. Entre os assuntos abordados esteve a Copa do Mundo de 2002, competição para a qual ele não foi convocado, e um drama familiar que ocorreu justamente durante o Mundial.

Alex também fez um alerta sobre a relação de jogadores de futebol com as apostas, tema que considera preocupante e que, segundo ele, pode levar atletas a situações financeiras e pessoais extremamente graves.

Alex em entrevista ao Abre Aspas há duas semanas — Foto: Raphael Zarko
Alex em entrevista ao Abre Aspas há duas semanas — Foto: Raphael Zarko

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Não convocação para 2002 foi decisão de Felipão

Alex era um dos nomes que disputavam espaço na Seleção Brasileira no ciclo que antecedeu a Copa do Mundo de 2002. Apesar da expectativa, o meia acabou ficando fora da lista final do técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão.

Anos depois, Alex afirmou que não guarda ressentimento pela decisão. Para ele, a convocação fazia parte das escolhas do treinador e estava fora de seu controle.

Alex e Felipão na Seleção Brasileira: jogador se decepcionou com escolha de treinador para a Copa de 2002 — Foto: Reprodução
Alex e Felipão na Seleção Brasileira: jogador se decepcionou com escolha de treinador para a Copa de 2002 — Foto: Reprodução

“Não ir à Copa de 2002 é uma decisão do Felipão, isso aí eu não poderia fazer nada”, afirmou.

O ex-jogador explicou que tinha uma relação de confiança com Felipão, que também havia sido seu treinador no Palmeiras. Mesmo assim, reconhece que o técnico tinha de fazer suas escolhas e optou por outros jogadores para o Mundial.

Drama familiar aconteceu durante a Copa

A não convocação, porém, acabou ficando em segundo plano diante de um acontecimento muito mais doloroso na vida pessoal de Alex.

Na época, sua esposa descobriu que estava grávida. O casal recebeu a notícia com esperança, especialmente porque o jogador acabara de enfrentar a frustração de ficar fora da Copa.

Os dois chegaram a viajar para a Bahia para passar alguns dias juntos antes de seguir com a vida na Itália.
Os dois chegaram a viajar para a Bahia para passar alguns dias juntos antes de seguir com a vida na Itália.

Mas, durante a Copa do Mundo, a situação mudou completamente.

“Voltando para Curitiba, no meio da Copa do Mundo, acontece o aborto espontâneo. Tanto que eu não vi os jogos do Brasil ao vivo”, contou Alex.

Alex em primeira temporada pelo Coritiba: garoto era sensação do futebol brasileiro — Foto: Divulgação/Coritiba
Alex em primeira temporada pelo Coritiba: garoto era sensação do futebol brasileiro — Foto: Divulgação/Coritiba

Segundo o ex-jogador, a esposa precisou ser submetida a um procedimento médico e houve complicações que exigiram uma segunda intervenção 48 horas depois.

O episódio aconteceu justamente durante o Mundial e fez com que ele acompanhasse os jogos da Seleção apenas posteriormente.

 “Alex ficou fora da Copa de 2002”

Alex passou a olhar a ausência no Mundial de outra forma

Com o passar dos anos, Alex afirmou que começou a enxergar a não convocação para 2002 de maneira diferente.

Ele chegou a pensar que, caso tivesse viajado com a Seleção, talvez não estivesse ao lado da esposa naquele momento delicado.

O ex-jogador também acredita que sua carreira poderia ter seguido um caminho completamente diferente caso tivesse disputado a Copa.

“Várias vezes. Se eu vou à Copa, não participo desse momento, não vou para o Cruzeiro, não tenho 2003 na minha biografia, provavelmente não iria para a Turquia”, afirmou.

A partir daquele período, Alex voltou ao Cruzeiro e construiu uma das fases mais importantes de sua carreira. Em 2003, foi destaque de uma equipe que conquistou o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Mineiro.

Mais tarde, o meia também se tornou ídolo do Fenerbahçe, na Turquia.

Uma carreira que mudou depois da frustração

A trajetória de Alex ganhou novos capítulos justamente depois da Copa de 2002.

Pouco antes do Mundial, ele enfrentava problemas envolvendo o Parma, clube italiano que detinha seus direitos. O jogador também teve dificuldades contratuais e passou por um período de incertezas.

Depois de retornar ao Brasil, acertou com o Cruzeiro e rapidamente se tornou uma das principais referências da equipe.

A passagem pelo clube mineiro foi decisiva para consolidar sua carreira. Alex se transformou em capitão, referência técnica e um dos principais jogadores do futebol brasileiro no início dos anos 2000.

A passagem pelo clube mineiro foi decisiva para consolidar sua carreira. Alex se transformou em capitão, referência técnica e um dos principais jogadores do futebol brasileiro no início dos anos 2000.
A passagem pelo clube mineiro foi decisiva para consolidar sua carreira. Alex se transformou em capitão, referência técnica e um dos principais jogadores do futebol brasileiro no início dos anos 2000.

Alex alerta sobre apostas no futebol

Durante a entrevista, outro tema chamou atenção: o crescimento das apostas esportivas e os problemas que podem surgir quando a prática se transforma em vício.

Alex afirmou que já viu jogadores apostando quando ainda era atleta e também depois que passou a trabalhar como treinador.

O ex-meia foi direto ao definir sua preocupação:

“Já vi jogando e já vi como treinador. É perigoso.”

Segundo ele, o problema pode ultrapassar a questão esportiva e afetar diretamente a vida financeira dos jogadores.

Alex contou que, como treinador, chegou a acompanhar um atleta que teve problemas com agiota por causa de jogos. Ele explicou que não se tratava especificamente de apostas em bets, mas de jogos em que o profissional precisou pedir dinheiro emprestado e acabou entrando em uma situação de dívida.

Para Alex, jogador de futebol continua sendo um ser humano
O ex-jogador destacou que atletas costumam ser vistos apenas pela profissão, enquanto problemas pessoais acabam sendo ignorados.

“Não, é o ser humano”, afirmou ao comentar situações de jogadores que enfrentam problemas financeiros relacionados aos jogos.

Para Alex, questões como dinheiro, família, amizades e saúde mental fazem parte da realidade dos atletas e precisam ser tratadas com seriedade.

Ele também defendeu que clubes mantenham profissionais preparados para auxiliar os jogadores quando problemas desse tipo surgirem.

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Pressão das redes sociais também preocupa o treinador

Outro assunto abordado por Alex foi o impacto das redes sociais sobre os jogadores.

Na avaliação dele, a exposição atualmente é muito maior do que durante sua época como atleta. Antes, críticas e elogios demoravam mais para chegar ao jogador. Hoje, a reação às atuações aparece imediatamente no celular.

O técnico afirma que essa velocidade pode aumentar a pressão psicológica sobre atletas, especialmente os mais jovens.

Para ele, jogadores precisam aprender a filtrar informações e evitar que a repercussão externa determine seu comportamento.

Alex também vê riscos na exposição precoce

O treinador também chamou atenção para crianças e adolescentes que começam muito cedo a receber exposição nas redes sociais.

Segundo Alex, atualmente jogadores de categorias de base podem ter gols publicados na internet, ganhar milhares de visualizações e começar a ser tratados como celebridades muito antes de chegarem ao futebol profissional.

Ele considera que esse fenômeno pode prejudicar a formação dos atletas, principalmente quando a criança passa a viver como profissional antes de estar preparada emocionalmente.

Para o ex-jogador, existe a necessidade de proteger melhor esses jovens diante da exposição, das questões financeiras e da pressão provocada pelos algoritmos.

Do craque dos gramados ao treinador

Alex encerrou a carreira como jogador em 2015 e iniciou sua trajetória como treinador em 2021.

Desde então, passou por categorias de base e equipes como São Paulo, Avaí, Antalyaspor, Operário e Athletic. Atualmente, comanda o Athletic.

A experiência acumulada dentro e fora dos campos influencia a maneira como ele trabalha com os jogadores.

Alex afirma que procura manter uma postura mais tranquila na beira do campo e não se identifica com o perfil de treinador que passa os 90 minutos gritando com os atletas.

A passagem pelo clube mineiro foi decisiva para consolidar sua carreira. Alex se transformou em capitão, referência técnica e um dos principais jogadores do futebol brasileiro no início dos anos 2000.
A passagem pelo clube mineiro foi decisiva para consolidar sua carreira. Alex se transformou em capitão, referência técnica e um dos principais jogadores do futebol brasileiro no início dos anos 2000.

“Dificilmente você vai me ver gritando com alguém, dando um showzinho na beira do campo. Por quê? Porque eu não sou assim”, afirmou.

 

Experiência pessoal virou aprendizado

Ao relembrar a carreira, Alex mostra que sua trajetória foi marcada tanto por grandes conquistas quanto por momentos difíceis.

A ausência na Copa de 2002, que poderia ser lembrada apenas como uma frustração esportiva, acabou sendo acompanhada por um dos períodos mais delicados de sua vida pessoal.

Anos depois, o ex-jogador afirma que prefere olhar para trás sem ressentimento e valoriza o caminho que construiu posteriormente.

A mesma experiência também influencia seus alertas atuais sobre os desafios enfrentados pelos jogadores, especialmente em relação à exposição, saúde mental e apostas.

Para Alex, o futebol não pode fazer com que o atleta deixe de ser visto como pessoa.

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