Candidatos ao Senado por SP não citam regulação das redes no combate à violência contra a mulher

Nove candidatos apresentaram propostas sem incluir medidas contra a misoginia nas plataformas digitais
Redação NC News
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Nove dos candidatos ao Senado por São Paulo mais bem posicionados na pesquisa Datafolha de 21 de agosto não citaram a regulação das redes sociais entre as propostas para enfrentar a violência contra a mulher.

Os candidatos foram entrevistados nesta semana pelo SP1, da TV Globo, e responderam a uma pergunta sobre quais medidas poderiam ser adotadas por meio de leis para combater a violência contra as mulheres. Cada participante teve até 40 segundos para apresentar sua proposta, o que limitou o detalhamento das ideias.

Mesmo representando diferentes espectros políticos, nenhum dos nove mencionou a regulamentação das plataformas digitais como estratégia para enfrentar a disseminação de conteúdos misóginos e discursos que estimulam a violência contra mulheres.

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Candidatos focaram principalmente em punição

Entre as propostas apresentadas pelos candidatos apareceram medidas como endurecimento de penas, funcionamento 24 horas de delegacias especializadas e ampliação do uso de tornozeleiras eletrônicas.

Essas iniciativas estão concentradas principalmente na resposta à violência depois que o crime já aconteceu.

A pesquisadora em gênero e misoginia Bruna Camilo, autora do livro Machosfera, avalia que o enfrentamento precisa começar antes da prática criminosa, com políticas de prevenção e ações voltadas à redução da misoginia.

Segundo ela, apenas aumentar as punições não seria suficiente para impedir que discursos de ódio contra mulheres continuem circulando e ganhando audiência nas plataformas digitais.
Segundo ela, apenas aumentar as punições não seria suficiente para impedir que discursos de ódio contra mulheres continuem circulando e ganhando audiência nas plataformas digitais.

 

Especialista defende prevenção nas redes

Bruna Camilo afirma que as empresas de tecnologia também precisam ser responsabilizadas pela circulação e pela monetização de conteúdos que promovem discursos misóginos.

A pesquisadora cita como exemplo canais voltados a conteúdos de “coach de masculinidade” e perfis associados a movimentos como Redpill e tradwife, que, segundo ela, podem reproduzir ideias de submissão feminina e reforçar estereótipos de gênero.

Ela também critica o papel dos algoritmos na recomendação desse tipo de conteúdo.

“Só punir não resolve.”

A declaração foi dada pela pesquisadora ao comentar a necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção à violência contra a mulher.

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Conteúdos violentos também viraram preocupação

A discussão sobre a influência das redes sociais ganhou força diante da circulação de conteúdos que apresentam mulheres como alvo de violência ou defendem relações baseadas em submissão.

A reportagem cita como exemplo vídeos que viralizaram no TikTok no primeiro semestre e simulavam agressões contra garotas que recusassem pedidos de namoro.

Para especialistas ouvidos na discussão, conteúdos desse tipo podem contribuir para a normalização de comportamentos violentos e para a construção de uma cultura em que a rejeição feminina é tratada como algo que precisa ser punido.

O debate, portanto, vai além da retirada de conteúdos criminosos depois que eles são publicados. A discussão envolve também a forma como os algoritmos recomendam materiais e como determinadas plataformas monetizam conteúdos com grande potencial de engajamento.

Especialista defende educação sobre consentimento

Além da regulação das plataformas, Bruna Camilo defende medidas de educação e conscientização sobre consentimento.

A proposta é que meninos e meninas sejam orientados desde cedo sobre os limites das relações e sobre o direito de cada pessoa de recusar uma aproximação ou relacionamento.

Para a pesquisadora, esse trabalho de prevenção deve ocorrer paralelamente às políticas de segurança pública e às punições previstas em lei.

A ideia é evitar que a atuação do Estado aconteça somente depois da prática de uma agressão.

Caso de feminicídio é citado como exemplo

A discussão também foi relacionada a um caso de feminicídio envolvendo o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, que matou a própria esposa, também policial.

Segundo a reportagem, mensagens trocadas pelo casal mostravam que o policial utilizava expressões como “macho alfa” e exigia que a mulher assumisse uma posição de “fêmea beta obediente e submissa”.

Os termos são frequentemente associados a comunidades masculinistas presentes em ambientes digitais.

Para especialistas, a circulação de discursos que reforçam a ideia de superioridade masculina pode contribuir para a formação de comportamentos de controle e violência dentro de relacionamentos.

Nove candidatos foram entrevistados

Dos 15 candidatos ao Senado por São Paulo, nove dos mais bem colocados na pesquisa Datafolha de 21 de agosto participaram da sabatina realizada pelo SP1.

Foram ouvidos Ricardo Salles (Novo), Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Marcio Alves (UP), Dra. Eliana Ferreira (PSTU), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

A proposta da entrevista era apresentar as principais ideias de cada candidato para combater a violência contra a mulher por meio de leis.

O tempo reduzido, de 40 segundos por resposta, fez com que os candidatos apresentassem propostas de maneira resumida, sem possibilidade de aprofundar detalhes sobre implementação, orçamento ou fiscalização.

Regulação das redes segue em debate no Congresso

Embora os candidatos ouvidos não tenham citado diretamente a regulamentação das plataformas como proposta para combater a violência contra a mulher, o tema já está presente em discussões no Congresso.

Há projetos em análise relacionados ao combate à misoginia, à responsabilização de plataformas e à retirada ou desmonetização de conteúdos que promovam violência ou discurso de ódio contra mulheres.

Entre as propostas discutidas estão medidas para impedir a monetização de determinados conteúdos, criar mecanismos de proteção para mulheres no ambiente digital e estabelecer políticas específicas contra discursos de ódio.

 “Conheça os projetos em discussão no Congresso sobre misoginia e regulação das redes”

Debate mostra diferença entre repressão e prevenção

A ausência da regulação das redes entre as respostas dos nove candidatos evidencia uma diferença importante no debate sobre políticas públicas para combater a violência contra a mulher.

Enquanto medidas como aumento de penas, tornozeleiras e ampliação de delegacias procuram reduzir a violência por meio da repressão e do acompanhamento de agressores, especialistas defendem ações voltadas à prevenção e ao ambiente digital.

O tema deverá continuar sendo discutido durante a campanha eleitoral, principalmente diante do crescimento das preocupações relacionadas à misoginia, aos conteúdos violentos e ao comportamento de grupos masculinistas nas redes sociais.

Para pesquisadores, combater a violência contra a mulher exige uma combinação de medidas que envolva segurança pública, educação, prevenção, apoio às vítimas e políticas para o ambiente digital.

Eleições colocam propostas sob avaliação dos eleitores

A discussão sobre o combate à violência contra a mulher deve ocupar espaço na campanha para o Senado em São Paulo, principalmente porque os candidatos terão de apresentar propostas concretas para um eleitorado preocupado com segurança e direitos das mulheres.

O debate sobre regulação das redes acrescenta uma nova dimensão à disputa: além de discutir o que fazer depois de uma agressão, candidatos e eleitores também passam a avaliar como prevenir a disseminação de discursos que podem estimular comportamentos violentos.

A campanha eleitoral ainda terá novos debates e apresentações de propostas, e o tema deverá voltar ao centro da discussão conforme os candidatos detalharem seus programas.

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