A confirmação da primeira morte por febre do Nilo Ocidental no Brasil colocou uma doença ainda pouco conhecida no radar das autoridades de saúde. O óbito ocorreu em Santa Catarina, enquanto São Paulo confirmou nesta semana os dois primeiros casos humanos registrados no estado.
Ao todo, o Brasil contabiliza quatro casos confirmados em 2026: dois em Santa Catarina e dois em São Paulo. Há ainda um caso considerado provável no Piauí. Apesar do alerta, especialistas ressaltam que a doença não apresenta o mesmo potencial de transmissão da dengue.
O que é a febre do Nilo Ocidental?
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção causada pelo vírus do Nilo Ocidental (West Nile virus), um arbovírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo.
O ciclo da doença envolve principalmente aves silvestres e mosquitos. O inseto se infecta ao picar uma ave contaminada e, posteriormente, pode transmitir o vírus ao picar seres humanos ou outros animais.

A doença não é nova no país. O vírus circula no Brasil há quase 20 anos e já foram identificados registros em diferentes estados desde a confirmação do primeiro caso humano, no Piauí, em 2014.
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Como ocorre a transmissão?
A principal forma de transmissão é pela picada do mosquito infectado. O ser humano, porém, não costuma participar da cadeia de transmissão da mesma maneira que as aves: pessoas infectadas normalmente não apresentam quantidade suficiente de vírus no sangue para infectar novos mosquitos.
Por isso, a transmissão direta entre pessoas não é considerada uma forma comum de disseminação da doença. Casos excepcionais podem ocorrer por transfusão de sangue, transplante de órgãos e transmissão da mãe para o bebê.
A presença de aves infectadas e de mosquitos capazes de transmitir o vírus é, portanto, um dos principais pontos acompanhados pelas autoridades de vigilância epidemiológica.
Quais são os sintomas?
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Segundo especialistas, aproximadamente 80% dos infectados permanecem assintomáticos.
Quando aparecem, os sintomas costumam ser leves e podem incluir febre, mal-estar, dor muscular, náusea, falta de apetite e manchas na pele.
Em uma parcela muito pequena dos casos, entretanto, a infecção pode evoluir para manifestações neurológicas graves, como encefalite e meningite. Pessoas mais velhas e indivíduos com baixa imunidade estão entre os grupos com maior risco de desenvolver essas complicações.
Primeira morte ocorreu em Santa Catarina
A primeira morte registrada no Brasil ocorreu em Imbituba, no litoral de Santa Catarina. A vítima era uma mulher de 77 anos, que morreu em 8 de agosto após apresentar febre e evoluir para um quadro neurológico grave.
O estado também confirmou um segundo caso, de um homem de 56 anos, morador de Caçador. Ele apresentou manifestações neurológicas, precisou ser internado, mas se recuperou e recebeu alta.
Em São Paulo, os dois primeiros casos humanos foram identificados em uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e em uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto. A primeira já se recuperou, enquanto a segunda permanecia internada.
Existe tratamento ou vacina?
Atualmente, não existe vacina contra a febre do Nilo Ocidental para uso humano nem antiviral específico contra o vírus.
O tratamento é baseado no controle dos sintomas e no suporte médico, especialmente quando o paciente apresenta complicações neurológicas. Em casos graves, pode ser necessária internação hospitalar.
Por isso, a principal estratégia continua sendo evitar a picada do mosquito e reduzir a presença de criadouros.
Como se proteger?
As medidas de prevenção são semelhantes às adotadas contra outras doenças transmitidas por mosquitos. Entre as principais recomendações estão o uso de repelente, roupas que protejam braços e pernas, telas em portas e janelas e mosquiteiros.
Também é importante eliminar locais com água parada, onde os mosquitos podem se reproduzir. A vigilância sobre aves e equinos que apresentem sinais neurológicos também ajuda as autoridades a identificar a circulação do vírus.
Embora os casos confirmados tenham provocado preocupação, especialistas destacam que o cenário atual não indica uma epidemia. A principal necessidade, neste momento, é ampliar a vigilância e melhorar a capacidade de diagnóstico da doença.
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Entenda o contexto
A febre do Nilo Ocidental é uma doença viral transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex, que adquirem o vírus ao picar aves infectadas. O Brasil confirmou quatro casos humanos em 2026, sendo dois em Santa Catarina e dois em São Paulo, além de um caso provável no Piauí.
Uma mulher de 77 anos morreu em Imbituba (SC), no primeiro óbito pela doença registrado no país. Apesar da gravidade que pode ocorrer em casos raros, cerca de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas e menos de 1% desenvolve complicações neurológicas graves. Não existe vacina ou tratamento antiviral específico, e a prevenção depende principalmente do combate aos mosquitos e da proteção contra picadas.
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