Neymar sai da Neo Química Arena como protagonista da vitória do Santos sobre o Corinthians por 1 a 0 e já aponta o alvo: o Palmeiras. Ao mesmo tempo, um meia emprestado pelo clube alviverde, Rômulo, vive a melhor fase da carreira no Novorizontino e se consolida como peça-chave na Série B.
Neymar responde às críticas e joga pressão sobre o Palmeiras
O clássico em Itaquera vale bem mais do que três pontos para o Santos. O resultado afasta o time da zona de rebaixamento, agora com 29 pontos, e recoloca Neymar no centro do enredo às vésperas da decisão da Copa do Brasil contra o Palmeiras, quarta-feira, na Vila Belmiro.
O camisa 10 participa diretamente do gol da vitória ao cobrar a falta que termina nos pés de Cristian Oliva. A bola toca no goleiro Hugo Souza, acerta a trave e sobra para o uruguaio completar. O lance sustenta o discurso de protagonismo que Neymar tenta retomar em jogos grandes.
Questionado sobre a acusação de que teria voltado ao Santos para atuar só em partidas menores, ele rebate com veemência. “Essa última semana falaram que eu sou um cara que vim no Santos para jogar contra times pequenos ou jogos menos importantes, e nunca foi isso. Muito pelo contrário, sempre gostei de jogo grande”, afirma o atacante.
Neymar lembra o histórico em decisões para reforçar o argumento. “Sempre gostei de jogar os melhores jogos porque aí mostra quem são os melhores jogadores. Minha carreira inteira foi assim, não à toa sou o terceiro ou quarto maior artilheiro em finais, e isso demonstra minha carreira”, diz.
O atacante também revela que estava pronto para o clássico anterior contra o Palmeiras, quando ficou no banco. “Nos últimos tempos acabei ficando machucado, no último clássico contra o Palmeiras, estava à disposição e até chuteira adaptada eu tinha. Era uma chuteira de trava menor para society, pedi para a Puma fazer, mas foi uma decisão da comissão técnica”, conta.
Clássico na Vila vira duelo de nervos pela Copa do Brasil
O Santos chega ao confronto da Copa do Brasil em situação delicada no placar agregado e precisa de uma vitória por pelo menos três gols para levar a decisão aos pênaltis, ou quatro para avançar direto. Neymar tenta transformar a pressão em combustível psicológico.
“Mais um jogo na minha carreira. Clássico, mais um na minha carreira. Fiz gol em tudo o que é lugar, mais um jogo que vou me divertir, e o pessoal que estará na quarta-feira vai se divertir”, afirma, em tom de desafio.
Ele insiste em empurrar a responsabilidade para o lado alviverde. “Nosso time tem muito potencial e é um jogo como se tivesse 0 a 0, vamos jogar para se divertir, responsabilidade é toda do Palmeiras, do segundo melhor time do país, e vamos nos divertir na Vila”, diz. A frase reforça a estratégia de mexer com o emocional do rival, apontado por ele como favorito natural.
Neymar ainda revisita a goleada sofrida no clássico anterior, por 3 a 0, para relativizar a pressão. “Se o jogo tivesse sido 0 a 0 ou 1 a 1, estariam falando do ‘mestre Cuca’. Futebol é assim, faz parte e não esperávamos um resultado de 3 a 0. Futebol é isso, tem remontadas, jogos que vão acontecer extraordinário e quem sabe na quarta-feira pode acontecer”, projeta.
O discurso contrasta com a realidade matemática do Santos no Brasileiro, ainda em alerta contra o rebaixamento, mas casa com o clima que a comissão técnica tenta construir para a Copa do Brasil: um time solto, disposto a arriscar, diante de um Palmeiras que carrega o peso da temporada sólida e da obrigação de não tropeçar.
Rômulo vive temporada mágica e valoriza ativos do Palmeiras
Enquanto Neymar movimenta o noticiário na elite, Rômulo, meia emprestado pelo Palmeiras ao Novorizontino, escreve uma história própria a 390 quilômetros da capital. Na sexta-feira, no estádio Jorjão, ele marca o gol que abre a vitória por 2 a 1 sobre o Sport, aos 40 minutos do primeiro tempo.
O lance representa mais do que três pontos na tabela. O Novorizontino chega a 43 pontos e assume a terceira colocação da Série B, firme na briga pelo acesso. Para Rômulo, é o 12º gol na temporada, somado a 12 assistências em 37 jogos, números que fazem de 2026 o ano mais produtivo da carreira.
Os dados consolidam o meia de 24 anos como o jogador com mais participações em gols da história do clube: 59 no total, com 32 bolas na rede e 27 passes decisivos em 160 partidas. Ele também já é o terceiro atleta com mais jogos pelo Novorizontino, o que revela uma relação de longa duração rara no futebol atual.
A sequência atual ganha peso quando se observa o passado recente. Rômulo atravessa um jejum de um ano e oito meses sem marcar, com 53 partidas em branco, entre março de 2024 e novembro de 2025. O empréstimo renovado até o fim deste ano, decidido pelo Palmeiras no fim da temporada passada, abre espaço para a retomada técnica e emocional.
Gestão de elenco em jogo: o que Neymar e Rômulo expõem
Os caminhos de Neymar e Rômulo se cruzam fora de campo na prancheta dos dirigentes. O Santos tenta cercar o camisa 10 com estrutura e liberdade para decidir jogos, enquanto o Palmeiras observa à distância a valorização de um ativo que não encontra espaço hoje no elenco principal.
No caso alvinegro, a vitória contra o Corinthians e a atuação protagonista do astro aliviam a pressão sobre a comissão técnica antes do jogo da Copa do Brasil na Vila Belmiro. O time ganha margem para arriscar um plano agressivo, mesmo sob risco físico, já que precisa de ao menos três gols de diferença para sobreviver.
Para o Palmeiras, o cenário é duplo. Dentro de campo, o clássico contra o Santos torna-se um jogo de risco reputacional. A eliminação para um rival que luta contra o rebaixamento no Brasileiro poderia desgastar uma temporada até aqui consistente, na qual o clube se coloca como um dos dois principais times do país.
Fora de campo, Rômulo vira exemplo da política de empréstimos como ferramenta de desenvolvimento e valorização. O desempenho no Novorizontino fortalece o argumento de que a Sociedade Esportiva Palmeiras pode aumentar o valor de mercado de peças pouco utilizadas e, ao mesmo tempo, ajudar clubes médios a montar elencos competitivos.
O Novorizontino, por sua vez, ajusta seu planejamento esportivo e financeiro a partir desse tipo de parceria. A presença de um meia decisivo, com 12 gols, 12 assistências e 15 participações diretas em gols só na Série B, coloca o clube em outro patamar na disputa pelo acesso, com impacto direto em receitas futuras.
Os próximos dias indicam um divisor de águas. O Santos reencontra o Palmeiras na quarta-feira para definir o futuro na Copa do Brasil. O Novorizontino volta ao Jorjão no sábado para enfrentar o Avaí, defendendo lugar no G-4. Neymar tenta transformar leveza em classificação; Rômulo, mais uma vez, em pontos e mercado.
Qual é o peso do clássico Palmeiras x Santos na Copa do Brasil?
O clássico Palmeiras x Santos na Vila Belmiro decide o futuro dos dois clubes na Copa do Brasil, com o Santos precisando vencer por três gols para levar aos pênaltis ou por quatro para avançar direto, enquanto o Palmeiras joga sob forte pressão para evitar uma eliminação precoce e um abalo na temporada.
Por que a temporada de Rômulo no Novorizontino chama tanta atenção?
A temporada de Rômulo no Novorizontino chama atenção porque ele soma 12 gols, 12 assistências e 37 jogos em 2026, torna-se o jogador com mais participações em gols da história do clube (59 no total) e ajuda a levar o time aos 43 pontos e à terceira posição da Série B, após um longo período sem marcar.