Safra de laranja cresce no interior de SP, mas produtores enfrentam queda nos preços

Consumo de suco recuou entre 30% e 40% após anos de preços elevados; em Olímpia, produtor vende caixa por R$ 22, abaixo do custo de R$ 35.
Redação NC News
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A produção de laranja apresenta recuperação em propriedades do interior de São Paulo, mas o aumento da colheita não significa necessariamente mais dinheiro no bolso do produtor. A queda no consumo de suco de laranja reduziu a procura pela fruta e pressionou os preços pagos aos citricultores.

Segundo Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, os preços elevados registrados nos últimos três anos provocaram uma redução estimada entre 30% e 40% no consumo de suco de laranja. O movimento afeta diretamente a demanda da indústria pela fruta.

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Entenda o que aconteceu

Em Olímpia, o citricultor Lucas Ferrantes Fonseca espera colher cerca de 30 mil caixas de laranja-pêra-rio, o dobro da produção registrada no ano passado. Apesar da quantidade maior de frutas, ele enfrenta dificuldades para comercializar a safra.

Depois de aproximadamente dois meses de colheita, o produtor ainda não havia conseguido vender metade da produção. O problema se agrava porque a conta não fecha: segundo ele, cada caixa custa cerca de R$ 35 para ser produzida e está sendo vendida por aproximadamente R$ 22.

Consumo de suco caiu até 40%

O setor associa parte da situação atual aos preços elevados do suco nos últimos anos. Com o produto mais caro, consumidores reduziram as compras, e a retração acabou chegando à indústria e aos produtores.

De acordo com a CitrusBR, a perda de consumo na cadeia ficou entre 30% e 40% no período. Agora, mesmo com mais fruta disponível em algumas propriedades, falta demanda suficiente para sustentar os preços anteriores.

Caixa que chegou a R$ 70 agora vale R$ 33

A situação também preocupa produtores de Guaraci, no interior paulista. José Humberto Gazoni possui cerca de 12 mil pés de laranja-valência e decidiu substituir parte das laranjeiras por mamoeiros na tentativa de reduzir os prejuízos.

No caso dele, a caixa de 40 quilos, que chegou a ser comercializada por R$ 70, atualmente é vendida por aproximadamente R$ 33. Há ainda frutas saudáveis sendo descartadas por falta de compradores.

Greening e clima também preocupam produtores

O cenário da citricultura não é uniforme. Dados citados do Fundecitrus apontam que, considerando o cinturão formado por São Paulo e Triângulo Mineiro, houve redução de 12,9% na produção, equivalente a aproximadamente 38 milhões de caixas a menos.

Entre os fatores associados à queda estão as altas temperaturas durante a estiagem e o avanço do greening, uma das principais doenças que atingem os pomares de citros.

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Mais produção não significa maior lucro

O caso de Olímpia ajuda a mostrar o desafio enfrentado pelo setor. Mesmo com uma colheita projetada para ser duas vezes maior que a anterior, a combinação entre preço baixo, custo de produção elevado e dificuldade para encontrar compradores reduz a rentabilidade.

Em Guaraci, a decisão de substituir parte das laranjeiras mostra outro efeito da crise. Mesmo depois de 55 anos atuando no setor, José afirma que pretende continuar produzindo, mas busca alternativas para atravessar o período de preços menores.

Entenda o contexto

São Paulo ocupa posição central na cadeia brasileira da laranja e do suco. A situação atual mostra como o desempenho do produtor não depende apenas do volume colhido: a demanda da indústria, o consumo final, os custos e as condições dos pomares também interferem diretamente na remuneração.

Depois de anos de preços elevados, o setor agora enfrenta o desafio de recuperar consumidores enquanto produtores lidam com valores menores pela fruta e custos que, em alguns casos, superam o preço de venda.

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