A duas semanas do primeiro turno presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam tecnicamente empatados à reta final, segundo três novas pesquisas nacionais.
Os levantamentos mostram oscilações pequenas dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais e consolidam um cenário polarizado, em que os dois concentram cerca de 8 em cada 10 intenções de voto.
Pesquisas mostram disputa ponto a ponto
A pesquisa Quaest mais recente, com 2.004 entrevistas presenciais feitas entre quinta e domingo, aponta Lula na frente no primeiro turno com 36% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 31%.
No cenário de segundo turno medido pela Quaest, porém, o quadro se inverte numericamente. Flávio surge com 42%, e Lula, com 40%. A diferença está dentro da margem de erro. O próprio instituto resume: “O cenário, porém, é de empate técnico”.
Outro termômetro decisivo é a pesquisa Datafolha, que realiza 2.002 entrevistas entre esta terça e quinta-feira e divulga hoje à noite, às 19h15, um novo retrato da corrida presidencial. O levantamento mede, entre outros pontos, o impacto da crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o caso Master.
Na rodada anterior, divulgada em 11 de setembro, Lula liderava o primeiro turno com 39%, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, o petista tinha 46%, e o senador, 44%. “A diferença de 1 ponto estava dentro da margem de erro e mantinha os dois em empate técnico”, registrou o instituto ao divulgar os dados.
Nexus aprofunda motivação do voto
A pesquisa BTG/Nexus volta ao campo entre sexta e domingo, com divulgação prevista para o dia 21. O questionário testa Lula e Flávio tanto no primeiro quanto no segundo turno e inclui outros nomes, como Augusto Cury, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.
Na rodada anterior, a Nexus apontou um segundo turno igualmente apertado: Lula com 47% e Flávio com 46%. O instituto destacou que “Lula e Flávio continuaram tecnicamente empatados”, já que a diferença também fica dentro da margem de 2 pontos. No primeiro turno, Lula registrava 42%, e Flávio, 37%, com os demais candidatos somando 15% e brancos, nulos e indecisos completando o quadro.
Essa concentração é um dos dados que mais chamam atenção entre analistas. Em cenário estimulado, Lula e Flávio chegam juntos a cerca de 79% das intenções de voto, sinal de que a eleição se organiza em torno de dois polos nítidos, com pouco espaço para uma terceira via competitiva às vésperas da votação.
A nova rodada da Nexus aprofunda um ponto sensível das campanhas: a motivação do eleitor. Depois de declarar o voto, o entrevistado responde se considera seu candidato o ideal, apenas a melhor opção disponível ou um nome escolhido para impedir a vitória de outro concorrente. O instituto também pergunta, a quem admite voto negativo, qual adversário tenta barrar nas urnas.
Crise no STF adiciona volatilidade
O ambiente de pesquisas se desenha em meio à crise aberta no Supremo, que envolve Alexandre de Moraes e suspeitas ligadas ao Banco Master. Uma sessão extraordinária recente, marcada por embates públicos entre ministros, recoloca a Corte no centro do debate político.
A Datafolha mede de forma direta como esse episódio afeta a confiança no Judiciário e se altera a percepção de estabilidade institucional. O dado é observado de perto por campanhas, investidores e mercado financeiro, que ajustam projeções conforme a leitura de risco político e institucional.
O Palácio do Planalto aposta que a defesa da normalidade democrática e da atuação do STF ainda encontra eco em parte expressiva do eleitorado de centro e de esquerda. Aliados de Lula veem oportunidade para reforçar o discurso de defesa das instituições, em contraste com o histórico de choques da família Bolsonaro com a Corte.
No entorno de Flávio Bolsonaro, a crise é tratada como chance de explorar o desgaste do Supremo em segmentos conservadores e descontentes com decisões da Corte. A expectativa é de que o tema mobilize eleitores que rejeitam Lula, mas que ainda não tinham migrado de vez para o senador do PL.
Estratégias na reta final e impacto econômico
Com a fotografia das pesquisas praticamente estável, a disputa se desloca para a comunicação e a mobilização. Marqueteiros dos dois lados trabalham com a mesma conta: se a diferença entre Lula e Flávio cabe na margem de erro, o comportamento dos indecisos e o comparecimento de cada base podem definir o resultado.
A campanha petista se move para consolidar o voto entre eleitores de baixa renda e ampliar vantagem em regiões onde Lula já lidera. A ordem é reduzir a abstenção e ocupar o debate sobre economia, emprego e programas sociais, temas vistos como trunfos do governo.
O comando de Flávio, por sua vez, tenta colar no senador a imagem de continuidade de políticas liberais em áreas como privatizações, desonerações e flexibilização regulatória. Assessores falam em intensificar o discurso de responsabilidade fiscal, com o objetivo de dialogar com mercado e classe média preocupada com inflação e juros.
O cenário de empate técnico também é acompanhado com lupa por agentes econômicos. A possibilidade real de vitória da oposição, aliada ao histórico de choques institucionais do bolsonarismo, alimenta cautela em parte dos investidores. Ao mesmo tempo, setores incomodados com gastos públicos e intervenção estatal veem em Flávio uma alternativa de ruptura com o atual arranjo econômico.
As próximas divulgações de Datafolha e BTG/Nexus devem orientar ajustes finos nas mensagens de TV, rádio e redes sociais. Com decisões cada vez mais consolidadas, sobra pouco espaço para reviravoltas, mas ainda há margem para deslocamentos em segmentos específicos, sobretudo entre eleitores que votam mais por rejeição do que por identificação positiva.
Se o desenho de hoje se mantiver, o país caminha para um segundo turno altamente competitivo, sob atenção dos mercados e da comunidade internacional. As campanhas contam os dias e os decimais. Os eleitores, cada vez mais pressionados por mensagens e promessas, decidem se repetem o roteiro da polarização ou produzem um desfecho inesperado na urna.
O que mostram as pesquisas mais recentes para presidente?
As pesquisas Quaest, Datafolha e BTG/Nexus mostram hoje Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados, com diferenças de até 2 pontos percentuais, sempre dentro da margem de erro, tanto em simulações de primeiro turno quanto em projeções de segundo turno, o que indica uma disputa aberta e polarizada.
Como a crise no STF pode influenciar a eleição presidencial?
A crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo Alexandre de Moraes e o caso Master introduz incerteza institucional no fim da campanha, podendo deslocar votos entre eleitores sensíveis à estabilidade democrática, à confiança na Justiça e ao discurso anti-Supremo, o que favorece ora Lula, ora Flávio, conforme a reação de cada segmento do eleitorado.