Quem é Milton Leite, ex-presidente da Câmara de SP alvo de operação que investiga infiltração do PCC

Político do União Brasil teve sete mandatos como vereador e presidiu o Legislativo paulistano por quatro vezes; operação desta quinta-feira (17) apura atuação do crime organizado no transporte coletivo
Redação NC News
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O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, de 68 anos, é um dos principais alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e outras possíveis frentes de atuação da organização criminosa.

Leite é alvo de um mandado de prisão. Segundo informações divulgadas durante a manhã, ele não havia sido localizado pelas autoridades e era considerado foragido. A operação prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

O caso coloca no centro da investigação um dos políticos que tiveram maior permanência e influência no Legislativo paulistano nas últimas décadas.

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Uma trajetória de sete mandatos

Milton Leite ingressou na Câmara Municipal de São Paulo em 1997 e permaneceu no cargo por sete mandatos consecutivos. Foi reeleito em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020.

Nas eleições municipais de 2016 e 2020, esteve entre os vereadores mais votados do país. De acordo com o histórico oficial disponibilizado pelo Legislativo paulistano, na eleição de 2020 recebeu mais de 132 mil votos.

Ao longo da carreira, Leite ocupou diferentes posições de destaque dentro da Câmara e chegou à presidência da Casa em quatro períodos.

A primeira passagem pela presidência ocorreu em 2017 e 2018. Depois, voltou ao comando do Legislativo em 2021 e permaneceu na função durante a legislatura seguinte.

Sua trajetória fez dele uma das figuras mais conhecidas da política municipal paulistana.

A saída da Câmara

Em 2024, após décadas no Legislativo, Milton Leite decidiu não disputar um novo mandato de vereador.

Ele deixou oficialmente a vida parlamentar após sete mandatos, mas continuou atuando na política partidária. Atualmente, ocupa a presidência do União Brasil em São Paulo e também assumiu, em julho deste ano, a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.

A permanência na atividade partidária manteve Leite como uma figura de influência dentro do cenário político paulista mesmo depois de sua saída da Câmara.

O que a operação investiga

A Operação Vectura Corrupta é apontada pelas autoridades como um desdobramento de uma investigação iniciada em 2024.

Segundo a Polícia Civil, a apuração identificou uma estrutura que teria permitido ao PCC ampliar sua atuação para além das atividades criminosas tradicionais, alcançando empresas do setor de transporte coletivo e estabelecendo relações com diferentes setores.

Nesta nova fase, os investigadores afirmam ter identificado pelo menos 12 empresas de transporte coletivo que seriam controladas direta ou indiretamente pela organização criminosa. A apuração também busca esclarecer possíveis irregularidades relacionadas ao controle financeiro e operacional dessas empresas.

Outro eixo envolve a chamada “Sintonia dos Gravatas”, expressão utilizada nas investigações para identificar um núcleo formado por advogados que, segundo as autoridades, teria atuado em benefício dos interesses da organização criminosa.

É nesse contexto mais amplo que o nome de Milton Leite aparece entre os alvos da terceira fase da operação.

O que pesa sobre Milton Leite

As informações divulgadas até o momento apontam que Milton Leite é investigado dentro do conjunto de suspeitas analisadas pela Operação Vectura Corrupta.

Reportagens sobre o caso também recuperaram investigações anteriores nas quais o ex-vereador havia sido citado em apurações envolvendo possíveis relações com pessoas ligadas ao setor de transporte e policiais militares que prestavam segurança a empresários investigados.

A Folha informou que Leite havia sido citado em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar por possíveis ligações com policiais que faziam escolta para dirigentes da empresa Transwolff, que já foi alvo de investigações relacionadas à lavagem de dinheiro para o PCC. O ex-vereador nega envolvimento com a organização criminosa e com a empresa.

É importante destacar que ser alvo de uma investigação ou de um mandado judicial não significa condenação. As suspeitas ainda são objeto de apuração pelas autoridades.

Operação tem 16 mandados de prisão

A ação desta quinta-feira mobiliza policiais e integrantes do Ministério Público para cumprir 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão.

Além de Milton Leite, estão entre os alvos pessoas apontadas pelas autoridades como integrantes ou possíveis colaboradores da estrutura investigada, incluindo advogados e um candidato a deputado estadual.

As diligências ocorrem em diferentes municípios do estado de São Paulo, entre eles São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

A investigação procura reunir elementos sobre a possível participação de integrantes do crime organizado no controle de empresas, na movimentação financeira e em relações com agentes externos.

O que acontece agora

Com o cumprimento dos mandados, os investigadores devem analisar documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais eventualmente apreendidos durante as buscas.

No caso de Milton Leite, o principal desdobramento imediato é o cumprimento do mandado de prisão expedido pela Justiça. Até as primeiras horas da operação, informações divulgadas pela imprensa indicavam que ele ainda não havia sido localizado.

A defesa do ex-vereador ainda não havia apresentado, até a atualização das primeiras reportagens, uma manifestação pública sobre a operação.

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Entenda O Contexto

Milton Leite construiu sua carreira política ao longo de quase três décadas. Ele entrou na Câmara Municipal em 1997 e foi reeleito seis vezes, permanecendo no Legislativo até 2024. Nesse período, presidiu a Casa em quatro ocasiões e se consolidou como uma das principais lideranças políticas do município.

Após deixar o cargo de vereador, continuou ligado à atividade partidária. Atualmente, exerce funções de comando no União Brasil em São Paulo e na Federação União Progressista. A Operação Vectura Corrupta ocorre, portanto, em um momento no qual Leite já não ocupa mandato eletivo, mas permanece atuante na política.

A investigação desta quinta-feira é apresentada pelas autoridades como uma nova etapa de uma apuração iniciada em 2024. O foco está na suspeita de que o PCC tenha ampliado sua presença para o setor de transporte coletivo, com possível controle ou influência sobre empresas e estruturas financeiras. A operação também investiga possíveis conexões entre integrantes da organização e diferentes pessoas que teriam atuado em seu entorno.

O nome de Milton Leite aparece entre os alvos dessa investigação. As autoridades agora deverão avançar na coleta e análise das provas para esclarecer qual teria sido, segundo a investigação, a eventual participação de cada pessoa envolvida. Até que haja decisão judicial definitiva, as acusações permanecem no campo da investigação.

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