Polícia Civil indicia 268 suspeitos por golpes digitais em São Paulo

Operações da Divisão de Crimes Cibernéticos resultaram em 73 ações nos primeiros sete meses de 2026. Golpes usam ligações, mensagens, dados pessoais e falsas oportunidades para enganar vítimas e roubar dinheiro
Redação NC News
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A Polícia Civil de São Paulo indiciou 268 suspeitos por fraudes digitais nos primeiros sete meses de 2026, em uma ofensiva que mostra como os golpes praticados pela internet e por aplicativos continuam entre os principais desafios para a segurança pública.

No período, a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCIBER), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), realizou 73 operações policiais, cumpriu 254 mandados e apreendeu 164 celulares. A unidade também informou ter esclarecido 44 casos por meio do Centro de Inteligência Cibernético.

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O problema não se limita a grandes ataques virtuais. Muitos golpes dependem de uma estratégia mais simples: convencer a própria vítima a fornecer dados, clicar em um link, realizar uma transferência ou entregar informações que permitam aos criminosos acessar dinheiro e contas.

Os golpes exploram situações do dia a dia

Entre as modalidades estão abordagens que imitam instituições financeiras, mensagens falsas e contatos que usam informações pessoais para parecer legítimos.

Um dos métodos é o phishing, conhecido como “pescaria digital”. Nesse caso, criminosos enviam mensagens ou e-mails falsos e tentam fazer a vítima clicar em links que levam a páginas fraudulentas ou entregam informações pessoais.

Outro golpe envolve o falso advogado. Criminosos utilizam informações públicas sobre processos judiciais para se passar por advogados ou integrantes de escritórios. A vítima recebe a promessa de liberação de um valor e é orientada a fazer pagamentos antecipados, geralmente por Pix, sob a justificativa de que seriam taxas ou despesas do processo.

Também existem golpes em que criminosos se passam por familiares, funcionários de bancos ou representantes de empresas para criar uma situação de urgência e pressionar a vítima a tomar uma decisão rápida.

Pressa é uma das principais armas

A orientação das autoridades e do setor bancário é desconfiar de contatos que exijam uma transferência imediata ou solicitem senhas, códigos de segurança e dados bancários.

A lógica utilizada pelos criminosos costuma ser justamente impedir que a vítima tenha tempo para verificar a informação.

Por isso, diante de uma ligação ou mensagem suspeita, a recomendação é interromper o contato e procurar a instituição ou pessoa envolvida por um canal oficial e já conhecido.

O que fazer se cair em um golpe

Quem perceber que foi vítima de uma fraude deve avisar imediatamente o banco, para que sejam adotadas medidas de segurança e tentativas de bloqueio das movimentações.

Também é importante registrar um boletim de ocorrência e guardar comprovantes de pagamentos, conversas, números de telefone, mensagens e demais informações que possam ajudar na investigação.

Ferramentas podem ajudar a identificar fraudes

O Banco Central disponibiliza o Registrato, sistema que permite consultar informações financeiras vinculadas ao CPF, como contas, empréstimos e chaves Pix.

Outra ferramenta é o BC Protege+, serviço gratuito que permite ao cidadão informar que não deseja abrir novas contas bancárias ou ser incluído como titular ou representante em contas de outras pessoas ou empresas naquele momento. As instituições financeiras precisam consultar a ferramenta antes de determinadas aberturas ou inclusões.

Fraudes digitais podem gerar prisão

A legislação brasileira prevê punições específicas para fraudes cometidas por meios eletrônicos. A Lei nº 14.155, em vigor desde 2021, aumentou as penas para crimes praticados por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens, telefonemas e e-mails fraudulentos.

Dependendo das circunstâncias do crime, a pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa, com possibilidade de aumento quando a vítima é idosa ou considerada vulnerável.

Proteção começa antes da transferência

Os números da Polícia Civil mostram que o combate às fraudes digitais envolve não apenas a investigação depois que o dinheiro é perdido, mas também a identificação dos grupos e dos métodos utilizados.

Para o consumidor, uma das principais medidas de segurança continua sendo não fornecer informações sensíveis durante contatos inesperados e verificar diretamente, por canais oficiais, qualquer pedido de pagamento, transferência ou atualização de dados.

Entenda o contexto

Os golpes digitais têm se adaptado ao comportamento das vítimas. Informações disponíveis publicamente podem ser utilizadas para tornar uma abordagem falsa mais convincente, enquanto aplicativos de mensagens e serviços bancários facilitam a comunicação e as transferências.

Por isso, a recomendação é não considerar uma mensagem verdadeira apenas porque o criminoso conhece dados pessoais da vítima. Informações corretas podem ter sido obtidas previamente e utilizadas justamente para dar aparência de legitimidade ao golpe.

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