Uma ossada humana foi localizada em uma área rural de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba, e pode pertencer a Fernanda da Costa Gouvea, desaparecida desde 2018. O achado ocorreu na quinta-feira (24), depois que o homem que vivia com a mulher na época do desaparecimento indicou à Polícia Civil o local onde os restos teriam sido ocultados.
A identificação oficial ainda não foi concluída. O material encontrado foi encaminhado para exames da Polícia Científica do Paraná, que deverá analisar os restos mortais e outros vestígios recolhidos na área.
O caso, investigado pela Delegacia de Polícia de Cerro Azul, ganhou uma nova dimensão após anos sem respostas para a família. Segundo a Polícia Civil, as informações reunidas durante a investigação apontam para a possibilidade de homicídio qualificado seguido de ocultação de cadáver.
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Suspeito estava preso quando decidiu indicar o local
O homem apontado como principal suspeito já estava preso por outro crime quando passou a colaborar com a investigação sobre o desaparecimento de Fernanda.
Segundo a Polícia Civil, ele não confessou ter matado a mulher. Ao ser ouvido pelos investigadores, porém, indicou o local onde os restos mortais teriam sido deixados, permitindo que as equipes chegassem até a área rural de Cerro Azul.
O suspeito havia sido condenado por um homicídio cometido em Guaratuba, no litoral do Paraná, em 2010. Na época do desaparecimento de Fernanda, ele utilizava nomes diferentes e, posteriormente, a polícia descobriu sua identidade verdadeira.
A investigação sobre o desaparecimento avançou justamente a partir da identificação desse histórico criminal e de informações reunidas ao longo dos anos.
Homem chegou a fugir durante cumprimento de mandado
Enquanto cumpria pena em regime semiaberto na Colônia Penal Agrícola, o homem passou a ser alvo de um novo mandado de prisão preventiva relacionado ao caso de Fernanda.
Durante o cumprimento da ordem, ele conseguiu fugir, mas foi localizado e recapturado no mesmo dia por agentes do Departamento de Polícia Penal.
Posteriormente, voltou a ser interrogado pelos investigadores. Foi nesse contexto que, segundo a polícia, ele decidiu indicar onde os restos mortais haviam sido ocultados.
A localização permitiu que policiais civis e peritos da Polícia Científica fossem até o ponto informado e encontrassem a ossada.
Relatos apontam histórico de violência
A investigação também reuniu depoimentos de familiares que relataram medo em relação ao companheiro de Fernanda.
Segundo os relatos apresentados à Polícia Civil, a mulher teria sofrido agressões antes de desaparecer. Em um dos episódios investigados, uma das crianças que estava na residência teria sido obrigada a limpar o sangue deixado após uma agressão contra a mãe.
Familiares também relataram que o homem teria procurado pessoas próximas depois do desaparecimento para saber se alguém havia repassado informações à polícia.
As circunstâncias fazem parte do conjunto de elementos analisados pelos investigadores, mas a dinâmica exata do que ocorreu com Fernanda ainda depende da conclusão do inquérito.
Suspeito responde por outro homicídio
O passado criminal do homem também entrou na investigação.
Ele foi condenado pelo homicídio de Antônio Dias do Rosário, cometido em Guaratuba, em 2010. Conforme documentos do processo citados pela investigação, a vítima foi encontrada morta dentro de uma residência, com mãos, pés e boca amarrados e ferimentos provocados por golpes de faca.
Segundo os autos, o homem admitiu durante interrogatório extrajudicial ter golpeado Antônio com uma faca e atingido a cabeça dele com um tijolo. A condenação transitou em julgado em 2015.
Esse histórico passou a ter relevância para o caso de Fernanda depois que a Polícia Civil descobriu que o suspeito havia utilizado uma identidade falsa.
Perícia ainda precisa confirmar se ossada é de Fernanda
Apesar da localização dos restos mortais, a Polícia Civil ainda não considera o caso completamente esclarecido.
Os exames da Polícia Científica serão responsáveis por confirmar ou descartar a hipótese de que a ossada pertence a Fernanda da Costa Gouvea. A perícia também poderá ajudar a identificar outros vestígios e esclarecer as circunstâncias da morte.
Até que os exames sejam concluídos, a identificação permanece tratada como possibilidade.
A investigação também busca determinar a participação de cada pessoa eventualmente envolvida no crime e reconstruir o que aconteceu desde o desaparecimento de Fernanda, em 2018.
O delegado Gabriel Girardi, responsável pelo caso, afirmou que chamou atenção a postura apresentada pelo principal investigado ao indicar o local onde os restos teriam sido ocultados, diante dos anos em que a família permaneceu sem respostas.
A Polícia Civil continua analisando provas e depoimentos para esclarecer a morte e a ocultação do corpo.
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