Quem é Marcos Lamacchia, empresário que venceu leilão da SAF do Vasco e promete R$ 500 milhões no futebol

Empresário investe meio bilhão e assume comando do clube, prometendo aportes que ultrapassam R$ 2 bilhões.
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O Vasco deu um passo decisivo para mudar novamente o comando de seu futebol. A Almirante Participações, empresa ligada ao empresário Marcos Faria Lamacchia, ou apenas Marcos Lamacchia, venceu nesta sexta-feira (25) o leilão pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, realizado na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A proposta foi a única apresentada e prevê R$ 500 milhões em aportes destinados exclusivamente ao futebol entre 2026 e 2030.

A operação, porém, ainda não significa que Lamacchia já tenha assumido definitivamente o controle do Vasco. A transferência de 90% da SAF precisa cumprir novas etapas dentro da estrutura do clube, incluindo análise do Conselho Deliberativo e votação em Assembleia Geral Extraordinária. O negócio também está sob análise regulatória por causa da relação familiar de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

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Quem é Marcos Lamacchia

Aos 47 anos, Marcos Faria Lamacchia é empresário do mercado financeiro e sócio-fundador da Blue Star, empresa de consultoria financeira e investimentos criada em 2008. Ele ocupa atualmente o cargo de CEO da companhia, que tem sua mãe, Junia Faria, entre os sócios.

Lamacchia pertence a uma família tradicional do setor financeiro brasileiro. Ele é filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, e de Junia Faria, filha do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, fundador do antigo Banco Real e do conglomerado Alfa. Por parte do pai, Marcos também é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Antes de concentrar sua atuação na Blue Star, Lamacchia trabalhou na Crefisa. Segundo informações sobre sua trajetória profissional, foi diretor da empresa entre 2004 e 2009 e também teve passagem pelo banco Alfa, ligado à família materna.

A formação do empresário é ligada à administração e ao direito empresarial. Ele estudou Administração de Negócios nos Estados Unidos e possui especializações em Contabilidade e Direito Empresarial, além de formação em Direito Empresarial pela Fundação Getulio Vargas.

Quanto Lamacchia pretende investir no Vasco

O principal compromisso da proposta é o aporte de R$ 500 milhões no futebol, dividido em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões entre 2026 e 2030. O dinheiro é destinado ao departamento de futebol e não à quitação de dívidas antigas.

O projeto também prevê investimentos na estrutura do clube.

São previstos:

  • R$ 500 milhões para o futebol;
  • R$ 120 milhões para o Centro de Treinamento;
  • R$ 30 milhões para as categorias de base;
  • conversão de R$ 80 milhões referentes ao empréstimo DIP concedido anteriormente ao Vasco;
  • assunção das obrigações relacionadas à recuperação judicial e de outros compromissos financeiros.

A estrutura financeira faz com que o valor total envolvido na operação ultrapasse R$ 2 bilhões, considerando investimentos, dívidas e demais obrigações assumidas pelo comprador.

O advogado que representa Lamacchia nas negociações afirmou anteriormente que a operação também contemplaria o pagamento de aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dívidas concursais e extraconcursais e a cobertura do fluxo de caixa projetado do clube.

Por que Lamacchia venceu o leilão

A proposta da Almirante Participações foi a única formalmente apresentada no leilão realizado pela Justiça do Rio de Janeiro. A empresa, portanto, não precisou disputar o controle da SAF com outro interessado durante a sessão.

A venda ocorre em meio ao processo de recuperação judicial do Vasco e à reorganização da SAF depois do afastamento da 777 Partners do controle do futebol.

O clube havia vendido 70% da SAF à 777 Partners em 2022, mas a relação entre as partes entrou em crise e terminou em disputa judicial. A operação atual representa uma nova tentativa de estabelecer um controlador para o futebol vascaíno.

A relação com Leila Pereira e o possível conflito de interesses

A ligação familiar de Lamacchia com Leila Pereira é um dos pontos mais sensíveis da operação.

Leila é presidente do Palmeiras e casada com José Roberto Lamacchia, pai do empresário que apresentou a proposta pelo Vasco. A relação levantou questionamentos sobre eventual conflito de interesses envolvendo dois clubes que disputam as mesmas competições.

A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) abriu investigação sobre o caso e determinou medidas cautelares enquanto analisa a situação. Entre elas está a restrição, por ora, de novos negócios do Vasco com empresas do grupo Crefisa e com o Palmeiras.

O tema ganhou ainda mais atenção porque a Crefisa já havia concedido um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco. A empresa também possui relação societária com Leila Pereira e José Roberto Lamacchia.

A investigação não significa, por si só, que a compra tenha sido anulada. A questão regulatória ainda precisa ser analisada pelas autoridades responsáveis.

O que muda no Vasco se a operação for concluída

A proposta coloca dinheiro novo diretamente no futebol e prevê investimentos específicos no centro de treinamento e na formação de jogadores.

Os R$ 500 milhões destinados ao futebol serão distribuídos ao longo de cinco anos. Já os recursos para o CT e para as categorias de base têm o objetivo de financiar melhorias estruturais e a formação de atletas.

Para o Vasco, a operação também representa uma tentativa de resolver um problema que vai além da montagem do elenco: o clube atravessa um processo de recuperação judicial e precisa reorganizar suas finanças enquanto mantém o futebol profissional funcionando.

A estrutura proposta por Lamacchia combina, portanto, aporte esportivo, investimento em infraestrutura e assunção de compromissos financeiros. O resultado dependerá da execução do plano e das próximas etapas de aprovação.

Próximos passos antes de Lamacchia assumir o Vasco

Apesar da vitória no leilão, o processo ainda não terminou.

A proposta precisa passar pelo Conselho Deliberativo do Vasco e pela Assembleia Geral Extraordinária dos associados. Paralelamente, a situação regulatória envolvendo a ligação de Lamacchia com Leila Pereira continuará sob análise.

Só depois da conclusão dessas etapas será possível efetivar a transferência do controle de 90% da SAF.

O Vasco, portanto, entra em uma nova fase. Depois da 777 Partners, o clube se aproxima de outro grupo de controle, desta vez comandado por um empresário de origem no mercado financeiro e ligado a uma das famílias mais conhecidas do futebol brasileiro.

A diferença é que, agora, o projeto apresentado à Justiça tem números definidos: R$ 500 milhões para o futebol, investimentos em CT e base e a assunção de uma série de compromissos financeiros.

O próximo capítulo será decidido não apenas em São Januário, mas também nos órgãos internos do clube e na esfera regulatória.

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