O casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, aconteceu neste sábado (26), na Casa Fasano, em Cidade Jardim, na zona oeste de São Paulo, cercado por autoridades do Judiciário, Ministério Público e um forte esquema de segurança.
A cerimônia foi realizada para Alexandre Barci e Thaís e teve entre os convidados ministros do STF, como Gilmar Mendes e Flávio Dino, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e integrantes do Superior Tribunal de Justiça. O escritor e ex-secretário de Educação Gabriel Chalita, amigo da família, participou da cerimônia como orador.
A movimentação chamou atenção também pelo aparato de segurança montado no entorno. Polícia Judicial, Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana e agentes da CET participaram da operação. Ruas, acessos e trechos próximos ao Rio Pinheiros foram bloqueados ou tiveram circulação restringida. Não houve registro de protestos no local.
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Segurança termina em confusão com empresário
Um dos episódios mais comentados da noite ocorreu do lado de fora da festa.
O empresário Gabriel Rocha Kanner afirmou que teve o celular derrubado por um segurança enquanto registrava o bloqueio de uma via nas proximidades do casamento. Segundo o relato publicado pelo empresário, ele questionava a interdição quando o segurança se aproximou e retirou o aparelho de sua mão.
O Metrópoles informou que procurou a Casa Fasano, mas não havia recebido manifestação do estabelecimento até a publicação da reportagem.
Por que o casamento ganhou tanta repercussão
A cerimônia ocorreu em um momento em que Alexandre de Moraes está no centro das discussões relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O interesse jornalístico aumentou porque Alexandre Barci de Moraes é advogado do escritório Barci de Moraes, que pertence à família e tem entre seus sócios a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Documentos divulgados durante as investigações mostram contratos entre o escritório e empresas ligadas a Vorcaro. Um dos contratos, firmado com o Banco Master, previa pagamentos que chegaram a aproximadamente R$ 131 milhões em valores brutos. A Agência Brasil informou que outro documento previa R$ 3 milhões mensais durante 36 meses.
O escritório afirma que existiu apenas uma contratação efetiva com o Banco Master e que não houve substituição do contrato. Segundo a defesa do escritório, uma segunda proposta não foi aceita e o contrato original foi encerrado com a liquidação do banco.
Cartões de R$ 300 mil para os filhos
Um dos episódios que colocou diretamente o nome de Alexandre Barci de Moraes nos documentos da investigação foi a emissão de cartões de crédito pelo Banco Master.
Segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, o banco autorizou cartões com limite de R$ 300 mil para Alexandre Barci e Giuliana Barci de Moraes, filhos do ministro.
As mensagens mostram um funcionário do escritório Barci de Moraes procurando Vorcaro para tratar dos cartões. Uma funcionária do banco perguntou ao banqueiro se poderia emitir os cartões com limite de R$ 300 mil para cada filho. Vorcaro respondeu autorizando a operação.
O escritório afirmou ao Estadão que os cartões jamais foram utilizados por advogados ou pessoas do escritório.
O filho também aparece em uma queixa-crime ligada a Vorcaro
Outra menção documentada ocorreu em uma queixa-crime apresentada por Daniel Vorcaro contra o empresário Vladimir Timerman, relacionada a acusações envolvendo o Banco Master.
Segundo reportagem da CNN, Alexandre Barci e sua irmã, Giuliana, estavam entre os advogados que assinaram a peça apresentada em nome de Vorcaro.
O caso acabou tendo desfecho desfavorável ao Banco Master. A acusação contra Timerman foi rejeitada em primeira instância e posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
É importante destacar que, nesse episódio, Alexandre Barci aparece como advogado que participou da representação jurídica, e não como denunciado.
Alexandre Barci também aparece no episódio do Aeroporto de Roma
A primeira grande exposição pública do filho de Moraes ocorreu em julho de 2023, no episódio envolvendo a família do ministro no Aeroporto Internacional de Roma, na Itália.
Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República em 2024, Alexandre Barci teria sido alvo de ofensas e de uma agressão física durante a confusão envolvendo o empresário Roberto Mantovani Filho, sua mulher e o genro.
A PGR denunciou Mantovani, Andreia Munarão e Alex Zanatta Bignotto por crimes relacionados às ofensas. No documento, Alexandre Barci é citado como pessoa que teria sido atingida fisicamente e também como alvo de ofensas.
A defesa dos acusados contestou a versão apresentada pela acusação. Posteriormente, a Polícia Federal concluiu a investigação sem indiciar os envolvidos, e o caso foi encerrado no STF em dezembro de 2024.
Convite para evento também apareceu em relatório da PF
Outro episódio citado em documentos da investigação do Banco Master envolve convites para eventos.
Segundo relatório da Polícia Federal divulgado em setembro de 2026, Daniel Vorcaro teria determinado que fossem providenciados ingressos VIP para os filhos de Alexandre de Moraes.
As mensagens recuperadas indicam que Giuliana Barci seria contatada para receber o convite e que Vorcaro orientou que ela ficasse junto do irmão. O relatório, segundo o UOL, não esclarece qual evento receberia os filhos do ministro nem registra que Alexandre Barci tenha efetivamente utilizado o convite.
O que é fato e o que é alegação
Até aqui, as informações documentadas mostram diferentes situações envolvendo o nome de Alexandre Barci de Moraes: sua atuação profissional no escritório da família; a assinatura de uma queixa-crime em nome de Daniel Vorcaro; a existência de mensagens sobre cartões de crédito; sua inclusão em referências da investigação do Banco Master; e sua participação no episódio do Aeroporto de Roma como pessoa apontada pela PGR como vítima.
Não é correto afirmar, com base nas fontes consultadas, que Alexandre Barci tenha sido denunciado criminalmente por corrupção, lavagem de dinheiro ou qualquer outro crime relacionado ao Banco Master.
O que existe são citações em documentos de investigação, peças judiciais e reportagens sobre fatos envolvendo a família Moraes e o Banco Master. A atribuição de eventual responsabilidade criminal exigiria uma denúncia formal e decisão das autoridades competentes.
Casamento acontece no centro de uma crise que envolve o pai
A coincidência entre o casamento e a divulgação de documentos do caso Banco Master fez com que uma celebração familiar passasse a receber atenção política e judicial.
A presença de ministros do STF, integrantes do STJ e do Ministério Público, somada ao esquema de segurança e aos bloqueios de vias, transformou o evento em um dos acontecimentos sociais mais comentados do fim de semana em São Paulo.
Ao mesmo tempo, os documentos já divulgados pela investigação colocaram novamente o nome de Alexandre Barci de Moraes no centro das atenções por sua atuação profissional e pelas referências a ele e à irmã em mensagens envolvendo Daniel Vorcaro.
O casamento terminou sem manifestações registradas no local, mas deixou uma série de imagens, presenças e episódios que devem continuar repercutindo ao longo dos próximos dias.
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