Meses antes de morrerem com apenas 10 horas de diferença, Maria Elisabete Nogueira, de 56 anos, passou um dia inteiro em jejum enquanto pedia pela recuperação da filha, Cibele Marchis, de 28. Naquele momento, em dezembro de 2025, a jovem enfrentava uma fase crítica do tratamento contra um câncer raro e estava com infecções decorrentes de cirurgias.
A situação era tão grave que a família chegou a ser chamada ao hospital diante da possibilidade de Cibele morrer. Segundo Bárbara Rodrigues dos Santos, parente das duas, Maria Elisabete manteve o jejum por 24 horas e pediu por um milagre. Cibele superou aquela fase, recebeu alta e ainda conseguiu retomar parte da rotina.
Caso de mãe e filha que morreram de câncer com 10 horas de diferença emociona redes
Família chegou a ser chamada ao hospital
Cibele havia percebido os primeiros sintomas em dezembro de 2023 e passou pela primeira cirurgia em agosto de 2024. Ela enfrentava um câncer raro na glândula suprarrenal e, ao longo do tratamento, foi submetida a cirurgias, quimioterapia e uso de medicamentos.
A fase mais delicada antes dos acontecimentos deste mês ocorreu no fim de 2025. As complicações provocadas pelas cirurgias levaram a jovem a um quadro crítico, e familiares foram avisados sobre a possibilidade de morte.
Foi nesse período que, segundo Bárbara, Maria Elisabete intensificou as orações pela recuperação da filha.
“Ela jejuava 24 horas pedindo um milagre para a filha, e Deus atendeu. Deus devolveu a filha dela.”
A declaração expressa a percepção da família sobre a recuperação de Cibele naquele episódio. Após superar a fase crítica, a jovem recebeu alta e chegou a viajar para a praia mesmo convivendo com marcas da traqueostomia e usando uma bolsa de colostomia.
Mãe descobriu câncer agressivo depois
Foi depois da recuperação da filha que Maria Elisabete passou a enfrentar a própria doença. Ela procurou atendimento médico inicialmente desconfiando de uma pedra na vesícula, mas os exames levaram ao diagnóstico de um câncer agressivo no pâncreas.
A evolução foi rápida. Diferentemente de Cibele, que enfrentava a doença havia anos, Maria Elisabete teve uma piora acentuada e precisou utilizar morfina para controlar as fortes dores.
Ela estava internada desde 17 de setembro. Antes de também precisar ser hospitalizada novamente, Cibele chegou a visitar a mãe.
Filha morreu primeiro e mãe não soube
Cibele morreu por volta das 16h de quinta-feira (24), em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Naquele momento, Maria Elisabete estava sedada em outro hospital e não foi informada sobre a morte da filha.
Enquanto parentes velavam Cibele, uma nova ligação chegou à família: às 1h58 da madrugada de sexta-feira (25), Maria Elisabete também morreu.
Segundo familiares, as duas já haviam conversado sobre o medo de uma presenciar a morte da outra. Por causa das circunstâncias das internações e do intervalo de poucas horas entre os óbitos, nenhuma delas soube da morte da outra.
Despedida aconteceu no mesmo dia
A família conseguiu organizar uma despedida conjunta. Mãe e filha foram veladas e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio, em Mogi Guaçu.
Cibele era filha única e trabalhava com marketing digital. Maria Elisabete, conhecida como Bia, atuava como podóloga em um salão tradicional da família.
O novo relato sobre o jejum revela um capítulo anterior da trajetória das duas: meses antes de enfrentarem simultaneamente seus próprios quadros de saúde, Maria Elisabete acompanhava de perto a fase mais delicada do tratamento da filha.