Um trecho do mar em frente a Ipanema, no Rio de Janeiro, esconde uma paisagem que lembra cenários do Caribe. A descoberta aconteceu quando o biólogo Ricardo Gomes mergulhava para fotografar raias e acabou sendo levado pelos animais para uma área mais distante das Ilhas Cagarras.
Durante o mergulho, Gomes encontrou um fundo do mar com coloração rosada. O que parecia ser apenas uma formação diferente do relevo submarino era, na verdade, um banco de rodolitos, estruturas formadas por algas calcárias.
Após identificar a primeira formação, o biólogo localizou um segundo banco na região. O mais próximo da costa possui aproximadamente 20 mil metros quadrados, área equivalente a quase três campos de futebol.
A existência da formação foi posteriormente confirmada por um biólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reforçando a importância da descoberta para o conhecimento da biodiversidade marinha da região.
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O que são os rodolitos encontrados no Rio
Os rodolitos são estruturas formadas por algas calcárias que vivem no fundo do mar. Com o crescimento dessas algas, os organismos acumulam carbonato de cálcio e formam estruturas que podem criar ambientes importantes para diferentes espécies.
Apesar de não serem recifes de coral, os bancos de rodolitos exercem uma função ecológica semelhante ao oferecer abrigo e áreas de alimentação para diversos organismos marinhos.
Peixes, crustáceos e moluscos estão entre os animais que podem encontrar nesses ambientes condições favoráveis para viver e se alimentar. Dessa forma, uma formação aparentemente simples pode funcionar como parte importante do ecossistema submarino. 
Formação fica próxima das Ilhas Cagarras
A descoberta ocorreu em uma área marítima localizada em frente a Ipanema e próxima ao arquipélago das Ilhas Cagarras. O local já é conhecido pela diversidade de espécies e pela importância ambiental.
O primeiro encontro com os rodolitos aconteceu de maneira inesperada. Ricardo Gomes havia entrado no mar com o objetivo de fotografar raias quando os animais se deslocaram para uma região mais afastada das ilhas.
Foi durante esse deslocamento que o biólogo percebeu a mudança na paisagem submarina. O fundo rosado chamou a atenção e levou à identificação da formação.
Ambiente também ajuda a armazenar carbono
Além de servirem como habitat para espécies marinhas, os rodolitos têm importância relacionada ao ciclo do carbono. As estruturas formadas pelas algas calcárias participam da retenção de carbono no ambiente marinho.
Esse papel faz com que esses ecossistemas sejam considerados relevantes em estudos sobre o funcionamento dos oceanos e as mudanças ambientais que afetam os ambientes costeiros.
Rodolitos estão ameaçados
A descoberta também chama atenção para a necessidade de preservação dessas formações. Os bancos de rodolitos podem ser afetados pela acidificação e pelo aquecimento dos oceanos, mudanças que alteram as condições necessárias para a sobrevivência das algas calcárias.
Outras atividades também representam riscos. A extração de rodolitos para utilização agrícola, a atuação de redes de arrasto no fundo do mar e a exploração de petróleo e gás estão entre as pressões que podem atingir esses ambientes.
Como são formações que levam tempo para se desenvolver, impactos físicos no fundo do oceano podem provocar danos que não são rapidamente recuperados.
Descoberta amplia conhecimento sobre o litoral carioca
A identificação dos dois bancos de rodolitos acrescenta uma nova informação sobre a biodiversidade marinha existente diante de uma das áreas mais conhecidas do Rio de Janeiro.
Embora o cenário esteja a poucos quilômetros de uma das praias mais movimentadas da cidade, a formação permanece escondida sob a superfície e depende do trabalho de pesquisadores e mergulhadores para ser identificada e estudada.
O chamado “Caribe carioca” mostra que o litoral do Rio ainda guarda ambientes pouco conhecidos e reforça a importância de pesquisas que ajudem a mapear e compreender os ecossistemas existentes no fundo do mar.
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