Corinthians propõe à Caixa usar naming rights da Arena para quitar dívida de R$ 630 milhões

Clube quer que banco explore o nome da Neo Química Arena e use receitas para zerar débito; proposta será discutida nesta terça-feira
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O Corinthians propôs à Caixa Econômica Federal um acordo para quitar a dívida de cerca de R$ 630 milhões referente ao financiamento da Neo Química Arena. A ideia apresentada pelo clube é ceder ao banco os direitos de nome do estádio por um período determinado e usar o valor gerado para abater integralmente o débito.

O assunto será discutido pelo Conselho Diretor da Caixa nesta terça-feira (29). A informação foi divulgada pelo Poder360 com base em apuração dos jornalistas Gabriel Oliveira e Vitor Chicarolli, do Globo Esporte.

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Corinthians estima naming rights em R$ 70 milhões por ano

Segundo a diretoria do Corinthians, os naming rights da Neo Química Arena têm potencial para gerar aproximadamente R$ 70 milhões por ano. Atualmente, o estádio é batizado pela farmacêutica Hypera Pharma, que paga cerca de R$ 15 milhões anuais desde 2020, com correção pela inflação.

A proposta prevê que a Caixa assuma o direito de nomear a arena e explore comercialmente o ativo durante um período estabelecido em contrato. A receita acumulada seria direcionada para a quitação da dívida do estádio.

Proposta inclui outros negócios com a Caixa

O plano apresentado pelo Corinthians não se limita aos naming rights. O pacote também prevê títulos de capitalização, a transferência da operação financeira do clube para a Caixa e a criação de cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.

Caso o acordo avance, o Corinthians pretende oferecer à Hypera Pharma os naming rights de outras instalações do clube, como o CT Joaquim Grava.

Dívida representa 22,5% do endividamento do clube

O débito com a Caixa representa aproximadamente 22,5% do endividamento total do Corinthians, estimado em R$ 2,8 bilhões.

Na semana passada, o presidente Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho estiveram em Brasília para uma reunião com representantes da Caixa. Os dirigentes discutiram alternativas para a dívida e também pediram a devolução de R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva.

O clube também solicitou a suspensão das próximas parcelas enquanto durar a negociação. Segundo o Corinthians, os pagamentos estão em dia e a liberação dos recursos da conta reserva ajudaria o caixa da instituição.

Financiamento da Arena foi renegociado

Desde a inauguração da Neo Química Arena, em 2014, o Corinthians já desembolsou aproximadamente R$ 600 milhões para amortizar o financiamento do estádio.

Uma renegociação realizada em 2022 estabeleceu dezembro de 2041 como prazo final para a quitação. O acordo prevê amortizações crescentes desde 2025 e juros de 2% ao ano mais a variação do CDI, pagos desde 2023.

Caixa já negociou alternativas com o clube

A dívida da Arena vem sendo discutida entre Corinthians e Caixa há anos. Em 2025, o então presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a defender publicamente uma mudança na prioridade dos pagamentos do clube, o que contribuiu para a retomada das conversas sobre uma renegociação.

Nas tratativas mais recentes, o Corinthians passou a apresentar alternativas para reduzir o peso financeiro do contrato e acelerar a quitação do estádio. A utilização dos naming rights aparece agora como uma das propostas colocadas sobre a mesa.

Proposta ainda depende de acordo

A proposta apresentada pelo Corinthians ainda precisa ser analisada pela Caixa e não representa um acordo definitivo entre as partes. O modelo envolve a definição do período de exploração do nome da Arena, dos valores considerados na operação e das demais condições comerciais.

As negociações acontecem também em meio às eleições do Corinthians, marcadas para 28 de novembro de 2026. Osmar Stabile é apontado como candidato à reeleição.

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