Mensagens de Hugo Motta a Vorcaro citam “sociedade” em negócio e projeto na Câmara

Conversas extraídas pela Polícia Federal mostram tratativas sobre terreno na Paraíba e pedido de ajuda relacionado a projeto de lei sobre créditos de carbono
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Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram conversas do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o ex-banqueiro sobre uma negociação envolvendo um terreno na Paraíba. Em um dos diálogos, o parlamentar menciona um “formato de sociedade” que teria sido combinado para a operação.

As conversas começaram em março de 2024 e também mostram os dois tratando de assuntos ligados ao Congresso. Em novembro daquele ano, Vorcaro pediu ajuda a Motta para tratar de um projeto de lei relacionado a créditos de carbono.

Em mensagem enviada em maio de 2025, Vorcaro diz que gostaria de estar em Mônaco com Motta; após a troca de mensagens, os dois fazem uma chamada de voz de quase oito minutos.

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Em uma das mensagens, enviada em 9 de março de 2024, Motta afirma que estava reunido com pessoas envolvidas na negociação de uma área em João Pessoa e diz que a empresa já estava sendo transferida para o nome de sua cunhada.

O parlamentar também afirma que ela havia iniciado a negociação com uma pessoa identificada como Adriana, mas que provavelmente não sabia sobre o formato de sociedade mencionado por ele. Vorcaro responde dizendo que faria uma operação com Adriana e que, paralelamente, organizaria a questão da sociedade.

Negociação envolvia empresa da cunhada

Dias depois, em 13 de março, Motta informou a Vorcaro que as assinaturas necessárias para prosseguir com o pagamento haviam sido resolvidas.

Dois dias mais tarde, o presidente da Câmara agradeceu ao então controlador do Banco Master pela “confiança e parceria” e afirmou que o acordo havia sido concluído dentro do prazo. Vorcaro respondeu dizendo estar feliz com a parceria e chamou Motta de “amigo”.

Segundo informações divulgadas, a cunhada de Motta confirmou ter realizado, em 2024, uma operação de empréstimo de R$ 22 milhões com o Banco Master. Ela teria adquirido todas as cotas da ETC Participações, empresa cujo capital social era de R$ 100 mil, conforme documentos obtidos na Junta Comercial de São Paulo.

Conversa também cita projeto sobre créditos de carbono

As mensagens analisadas pela PF mostram ainda uma conversa, em novembro de 2024, sobre um projeto de lei relacionado ao mercado de carbono.

Vorcaro perguntou a Motta se ele poderia encontrá-lo mais tarde. O presidente da Câmara respondeu que sim e afirmou que estava pegando o texto do projeto para enviá-lo ao banqueiro.

O diálogo, por si só, registra o contato entre os dois sobre o texto, mas não demonstra, segundo as informações divulgadas, que tenha ocorrido qualquer irregularidade na tramitação da proposta.

Motta nega irregularidades

Em nota enviada à CNN, Hugo Motta afirmou que mantém diálogo com diferentes setores do empresariado e representantes da sociedade brasileira.

O presidente da Câmara disse que não há ilícito nos diálogos divulgados e rejeitou a interpretação de que as conversas indiquem interesse indevido ou favorecimento.

Motta também afirmou que o contrato de empréstimo foi realizado entre uma empresa privada e um banco privado antes de virem a público as investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Ele declarou ainda confiar nos órgãos responsáveis pelas apurações.

A CNN informou que tentou contato com a defesa de Daniel Vorcaro, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem.

Entenda o contexto

Daniel Vorcaro é ex-controlador do Banco Master e está no centro de investigações que levaram a Polícia Federal a analisar mensagens e outros materiais relacionados às relações mantidas pelo banqueiro.

No caso envolvendo Hugo Motta, os diálogos divulgados registram conversas sobre uma negociação imobiliária na Paraíba, uma operação de crédito envolvendo uma empresa ligada à família do parlamentar e um projeto relacionado a créditos de carbono.

As mensagens mostram as tratativas e a proximidade entre Motta e Vorcaro, mas a existência dos diálogos não significa, por si só, que os envolvidos tenham cometido crime. O presidente da Câmara nega irregularidades e afirma que as conversas foram descontextualizadas.

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