A recente atividade do Monte Etna, na Sicília, voltou a chamar atenção para um dos principais riscos naturais enfrentados pela aviação: as nuvens de cinzas vulcânicas. As emissões do vulcão italiano provocaram suspensões e restrições de voos no Aeroporto Internacional de Catânia nos últimos dias.
No domingo (27), chegadas e partidas chegaram a ser suspensas devido à atividade vulcânica e às condições do vento. As restrições continuaram na segunda-feira (28), antes da retomada gradual das operações à medida que a emissão de cinzas perdeu intensidade.
O Etna voltou a emitir cinzas na terça-feira (29), levando novamente a alterações nas operações. Avisos destinados à aviação chegaram ao nível vermelho antes de retornarem ao laranja com a redução da intensidade da atividade.
Por que cinzas vulcânicas são perigosas para aviões?
Apesar da aparência semelhante à fumaça, uma nuvem de cinzas vulcânicas é formada por pequenas partículas de rocha, minerais e material vulcânico. Quando uma aeronave atravessa uma área contaminada, essas partículas podem atingir diferentes componentes.
Um dos maiores riscos envolve os motores a jato. Em temperaturas elevadas, parte do material pode derreter dentro do motor e posteriormente se solidificar em componentes internos, prejudicando o fluxo de ar e podendo provocar perda de potência ou até falha do equipamento.
As partículas também são abrasivas e podem danificar para-brisas, superfícies externas, sensores e outros sistemas essenciais da aeronave.
Nuvens nem sempre são facilmente identificadas
O risco aumenta porque as cinzas podem percorrer grandes distâncias depois de uma erupção. A direção e a velocidade do vento determinam o deslocamento da nuvem e podem fazer com que áreas afastadas do vulcão sejam afetadas.
À noite ou em condições meteorológicas adversas, a identificação visual pelos pilotos também pode ser difícil.
Por isso, centros especializados monitoram continuamente vulcões ativos e emitem alertas com informações sobre localização, altitude e trajetória prevista das nuvens de cinzas.
Etna afetou operações em Catânia
A atividade registrada nos últimos dias teve impacto direto no aeroporto de Catânia-Fontanarossa, um dos principais terminais da Sicília e localizado próximo ao Etna.
Em 24 de setembro, uma nuvem eruptiva chegou a aproximadamente quatro quilômetros de altitude e provocou restrições no número de pousos. Dias depois, as condições levaram à suspensão temporária das operações.
Na terça-feira (29), uma nova emissão fraca de cinzas foi identificada. O Centro de Avisos de Cinzas Vulcânicas de Toulouse continuou acompanhando o deslocamento do material e manteve avisos para a região.
Voos podem ser desviados ou cancelados
Quando existe risco de encontro entre aeronaves e uma nuvem de cinzas, companhias aéreas e autoridades podem modificar rotas, limitar pousos e decolagens ou interromper completamente as operações de um aeroporto.
As decisões dependem da intensidade da erupção, da concentração das partículas, da direção dos ventos e das áreas atingidas.
No caso do Etna, as interrupções recentes também tiveram reflexos em outros aeroportos da Sicília, que receberam aeronaves desviadas de Catânia.
O monitoramento permanece fundamental porque a atividade vulcânica pode mudar rapidamente e novas emissões podem exigir alterações imediatas nas operações aéreas.