A Rússia lançou uma nova ofensiva contra a infraestrutura de energia da Ucrânia nesta quarta-feira (30), aumentando a pressão sobre o sistema elétrico do país às vésperas do inverno no Hemisfério Norte. Segundo autoridades ucranianas, cinco pessoas morreram, entre elas uma criança.
Cerca de 190 drones e mísseis balísticos foram empregados na ofensiva, de acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A Força Aérea da Ucrânia informou ter interceptado cinco mísseis e 155 drones durante a madrugada.
Instalações de energia de Kiev e da região metropolitana da capital estiveram entre os principais alvos. Outras áreas do país também registraram ataques contra estruturas do setor energético.
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Ataques miram energia antes da chegada do inverno
A nova ofensiva aumenta a preocupação do governo ucraniano com a capacidade de manter eletricidade e aquecimento disponíveis durante os meses mais frios do ano.
O primeiro-ministro da Ucrânia, Sergii Koretskyi, afirmou que a Rússia intensificou os ataques contra a infraestrutura energética. O governo considera o inverno um dos principais desafios dos próximos meses e vem preparando medidas de emergência para possíveis danos ao sistema.
Autoridades locais foram orientadas a verificar fontes de energia de emergência em instalações essenciais e acelerar a instalação de equipamentos de reserva.
A estratégia busca reduzir o impacto de eventuais interrupções prolongadas em hospitais, sistemas de aquecimento, abastecimento de água e outros serviços essenciais.

Milhares de casas tiveram fornecimento afetado
A empresa de energia DTEK informou que conseguiu restabelecer o fornecimento de eletricidade para cerca de 8 mil residências em Kiev depois da ofensiva.
A extensão total dos danos provocados pelos ataques ainda estava sendo avaliada.
A Ucrânia enfrenta ataques recorrentes contra sua infraestrutura energética desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022. Nos períodos de inverno, danos a usinas, subestações e redes de distribuição aumentam o risco de interrupções simultâneas de eletricidade e aquecimento.
O governo ucraniano afirma ter reforçado a preparação para a temporada 2026/2027, incluindo medidas de proteção da infraestrutura e soluções descentralizadas para manter instalações críticas funcionando em situações de emergência.
Rússia confirma ataques e cita alvos militares
Moscou confirmou a realização da ofensiva, mas apresentou uma justificativa diferente sobre os objetivos.
O governo russo afirmou ter atingido um centro de dados utilizado pelas Forças Armadas ucranianas, instalações de geração de energia na região de Kiev, um complexo industrial na região de Odesa e estruturas portuárias em Izmail.
Rússia e Ucrânia apresentam versões divergentes sobre os objetivos e consequências de diferentes ataques registrados ao longo da guerra.
Ataques provocam reação em países vizinhos
Os efeitos da ofensiva também chegaram a países próximos da Ucrânia.
A Moldávia informou que um drone entrou no espaço aéreo do país e explodiu nas proximidades da vila de Hirbovăț.
Romênia e Polônia, integrantes da Otan, mobilizaram caças para acompanhar a situação em seus espaços aéreos. Os aeroportos poloneses de Lublin e Rzeszów tiveram voos temporariamente suspensos durante o alerta.

Ucrânia também amplia ataques contra instalações russas
Enquanto Moscou aumenta a pressão sobre a infraestrutura ucraniana, Kiev também vem realizando ataques com drones contra alvos em território russo.
Instalações petrolíferas e estruturas relacionadas à capacidade econômica e militar da Rússia estão entre os alvos das operações ucranianas.
Autoridades russas afirmaram que um ataque deixou uma pessoa morta na região de Briansk, próxima à fronteira. Outro atingiu a região de Samara e provocou danos em residências.
Energia vira ponto central antes dos meses mais frios
A infraestrutura energética já estava no centro das preocupações do governo ucraniano antes da ofensiva desta semana.
Em setembro, Zelensky discutiu com parceiros internacionais medidas para reforçar a geração e a proteção do sistema elétrico. O governo também vem direcionando recursos para recuperar instalações danificadas antes do início da temporada de aquecimento.
A nova sequência de ataques aumenta a pressão para que reparos, sistemas alternativos de geração e estruturas de emergência estejam disponíveis antes da queda mais intensa das temperaturas.
Com o inverno se aproximando, a capacidade de manter eletricidade e aquecimento funcionando volta a ocupar posição estratégica na guerra entre Rússia e Ucrânia.