Venda de máquinas agrícolas cai 22,4% com produtor endividado e pressão do câmbio

Faturamento do setor recuou para R$ 36,3 bilhões entre janeiro e agosto; exportações avançaram 12,7% no mesmo período
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As vendas de máquinas agrícolas no Brasil caíram 22,4% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O faturamento acumulado ficou em R$ 36,3 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O desempenho reflete principalmente a menor demanda no mercado brasileiro. Segundo Cristina Zanella, diretora do Departamento de Competitividade Econômica e Estatística da Abimaq, o endividamento dos produtores rurais limita a capacidade de renovar máquinas, enquanto as oscilações do câmbio afetam os preços das commodities e as decisões de investimento no campo.

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Receita cai para R$ 36,3 bilhões

Somente em agosto, a receita líquida com máquinas agrícolas somou R$ 4,79 bilhões. O resultado representa queda de 1,7% em relação a julho e retração de 22,8% na comparação com agosto de 2025.

Considerando os 12 meses encerrados em agosto, a receita do segmento acumula queda de 16,9%.

A retração ocorre em um cenário de maior cautela entre produtores rurais. O nível de endividamento reduz a disponibilidade de recursos para aquisição e substituição de equipamentos, especialmente aqueles que dependem de financiamento.

O ambiente já vinha sendo considerado desafiador pela indústria. Em abril, a Anfavea projetava uma nova queda nas vendas de máquinas agrícolas em 2026 e apontava os juros elevados como um dos fatores que afetam diretamente o setor.

Exportações avançam apesar da queda no mercado brasileiro

O desempenho das exportações seguiu caminho diferente do mercado interno.

As fabricantes de máquinas agrícolas exportaram US$ 1,15 bilhão entre janeiro e agosto, crescimento de 12,7% na comparação com o mesmo período de 2025.

Isoladamente, porém, agosto mostrou perda de ritmo. Os embarques movimentaram US$ 133,4 milhões, queda de 1,1% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 5,5% na comparação com julho.

As importações também recuaram no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, o Brasil importou US$ 810,9 milhões em máquinas agrícolas, valor 4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em agosto, as importações chegaram a US$ 90,25 milhões. Houve crescimento de 4,9% na comparação anual, mas queda de 4,6% diante de julho.

Venda de tratores cresce no mês, mas cai em relação a 2025

O mercado de tratores apresentou uma melhora mensal em agosto.

Foram comercializadas 7.252 unidades, crescimento de 3,9% em relação a julho. O resultado, porém, reúne equipamentos destinados a diferentes compradores.

As vendas diretamente para usuários finais chegaram a 3.324 tratores. O número representa crescimento de 19,1% na comparação com julho, mas queda de 25,5% diante de agosto do ano passado.

Para fábricas, foram destinadas 3.440 unidades, retração de 2,6% no mês e de 34,1% em relação ao mesmo período de 2025.

As exportações somaram 488 tratores, queda de 26,1% na comparação mensal. Em relação a agosto do ano passado, houve crescimento de 6,6%.

Colheitadeiras têm recuperação mensal

As vendas de colheitadeiras também avançaram de julho para agosto.

Foram comercializadas 270 unidades no mês, contra 166 em julho, crescimento de 62,7%.

A recuperação, contudo, foi impulsionada principalmente pelas vendas destinadas às fábricas, que passaram de 31 para 141 unidades.

Entre os usuários finais, foram comercializadas 112 colheitadeiras, queda de 13,6% em relação a julho e de 43,1% na comparação com agosto de 2025.

O cenário reforça a diferença entre uma recuperação pontual em determinados segmentos e o desempenho acumulado do mercado. Com produtores mais endividados e cautelosos na tomada de crédito, a renovação de máquinas continua pressionada em 2026.

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