Entidades de imprensa criticam decisões judiciais após cancelamento de debate da Globo

Abert, Aner e ANJ manifestaram “profunda indignação” e classificaram as mudanças determinadas pouco antes do encontro como uma “agressão à liberdade de imprensa”
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A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) criticaram as decisões judiciais que alteraram as regras do debate presidencial da TV Globo e antecederam o cancelamento do encontro, previsto para a noite desta quinta-feira (1º).

Em nota conjunta, as três entidades manifestaram “profunda indignação” com o que classificaram como intervenção judicial nas regras previamente definidas. As associações também se solidarizaram com a Globo e afirmaram que as determinações atingiram a liberdade da emissora para organizar o debate.

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Entidades falam em “agressão à liberdade de imprensa”

Abert, Aner e ANJ argumentaram que as regras do debate haviam sido acertadas meses antes entre a emissora e os partidos políticos.

Para as entidades, as decisões judiciais tomadas pouco antes do programa não representaram apenas a imposição de novas obrigações à Globo, mas uma interferência na forma como a emissora havia organizado o encontro.

“É, sobretudo, uma agressão à liberdade de imprensa ao forçar a condução do debate em desrespeito a regras acordadas há meses entre a emissora e os partidos.”

A avaliação de que houve uma “agressão à liberdade de imprensa” é uma posição expressa pelas associações na nota conjunta.

Decisões alteraram debate horas antes do programa

A manifestação ocorreu após a Globo anunciar o cancelamento do último debate presidencial antes do primeiro turno das Eleições 2026.

Uma das decisões foi tomada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não compareceria ao encontro.

A determinação impediu que a Globo mantivesse no cenário um púlpito vazio identificado com o nome de Lula. Também alterou a dinâmica que permitiria aos candidatos presentes formular perguntas ao candidato ausente.

Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos (Missão) no debate.

A Globo afirmou que as mudanças de última hora provocaram “insegurança jurídica” e decidiu cancelar o programa.

Associações criticam “excessos judiciais”

Na manifestação conjunta, as entidades também utilizaram a expressão “excessos judiciais” e afirmaram que o episódio prejudicou o direito dos eleitores de acompanhar as propostas dos candidatos que estavam dispostos a participar do encontro.

“Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate.”

A nota não atribui individualmente a expressão “excessos judiciais” a um dos magistrados envolvidos. A crítica é apresentada pelas entidades de forma conjunta em relação às intervenções que modificaram o formato do debate.

Globo cancelou último debate antes do primeiro turno

O encontro estava previsto para as 21h30 desta quinta-feira e seria o último debate televisivo promovido pela Globo antes da votação de domingo (4).

Antes do cancelamento, Lula já havia informado que não participaria. Flávio Bolsonaro (PL) também anunciou que não compareceria e atribuiu sua decisão ao que chamou de “censura” do TSE, classificação feita pelo próprio candidato.

Ao anunciar o cancelamento, a Globo afirmou que as sucessivas decisões judiciais tomadas pouco antes da transmissão interferiram nas regras previamente acertadas para o programa.

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