A atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, completa mais de um mês detida em uma unidade de imigração em El Paso, no Texas, após ser presa por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no aeroporto de Los Angeles, quando se preparava para embarcar com a família para o Havaí. A defesa tenta reverter a decisão que a mantém presa e estuda a saída voluntária do país, enquanto parentes relatam perda de pertences e condições duras nas transferências entre centros de detenção.
Detenção em aeroporto e negativa de liberdade
Renata foi abordada por agentes do ICE em 27 de agosto, já no portão de embarque em Los Angeles, depois de passar sem problemas pela checagem de segurança. “Renata passou normalmente pela segurança e pelo raio-X e foi abordada por agentes do ICE à paisana quando já estava no portão de embarque”, contou a mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis.
LEIA MAIS:
Atriz brasileira é presa pelo ICE em aeroporto dos EUA e está detida há mais de um mês
A prisão está ligada exclusivamente à situação migratória da atriz. Ela vive nos Estados Unidos desde a adolescência e, segundo a família, perdeu o status migratório regular há cerca de dois anos após seguir uma orientação jurídica considerada equivocada. Não há registro de antecedentes criminais.
Em audiência realizada em 18 de setembro, a defesa pediu que Renata pudesse responder ao processo em liberdade, mas o juiz negou o pedido. De acordo com os advogados, “o pedido de liberdade foi negado sob a justificativa de que ela representaria um risco”, o que mantém a brasileira detida enquanto o caso tramita na Justiça de imigração.
Transferências, algemas e perda de pertences
Após a detenção no aeroporto, Renata foi levada inicialmente para uma unidade em Los Angeles e, em seguida, transferida para o centro de detenção de Adelanto, também na Califórnia, onde permaneceu por mais de 20 dias.
No dia 19 de setembro, ela foi novamente transferida, desta vez para El Paso, no Texas. Segundo o relato da mãe, a atriz viajou por horas em uma van “algemada nas mãos, na cintura e nos pés”, sem acesso a água ou banheiro durante o trajeto. Ao chegar ao Texas, ainda teria ficado várias horas sentada antes de ser encaminhada ao quarto onde está hoje.
A família afirma que, durante esse deslocamento, a bolsa de mão de Renata — com documentos, cartão de crédito e joias — desapareceu. Depois da viagem, ela relatou inchaço nas pernas e nos pés, além de dor de garganta. Os parentes tentam autorização para visitá-la em El Paso, mas, até agora, não conseguiram agendar a entrada na unidade.
Trajetória nos EUA e impacto sobre negócios
Renata chegou aos Estados Unidos aos 16 anos, concluiu o ensino médio no país e cursou Artes Cênicas na Utah Valley University. Há pouco mais de três anos vive em Los Angeles, onde desenvolveu a carreira de atriz e é dona de uma empresa de limpeza que, segundo a família, emprega mais de 20 pessoas.
Parentes destacam que a prisão afeta não só a vida pessoal e profissional da jovem, mas também a renda dos funcionários do negócio, que dependem da continuidade da empresa para manter o emprego.
Entenda o contexto
O caso de Renata expõe o risco enfrentado por imigrantes que perderam o status migratório, mesmo ao realizarem viagens apenas dentro dos Estados Unidos. Ela foi detida quando se preparava para embarcar em um voo doméstico, situação que especialistas apontam como cada vez mais comum.
A advogada de imigração Gisele Ambrósio, que atua na região de Los Angeles, afirma que “houve aumento das detenções em aeroportos desde junho, inclusive de pessoas que embarcariam em voos domésticos”. Segundo ela, vêm sendo alvo das operações tanto quem está fora de status migratório quanto pessoas com pedidos de asilo ou extensão de visto pendentes, solicitações de residência em análise e até com ordem final de deportação.
Na prática, a presença reforçada de agentes do ICE em aeroportos amplia o controle migratório para além das fronteiras internacionais e afeta o cotidiano de imigrantes em situação irregular ou com processos em andamento, que passam a evitar deslocamentos internos com medo de serem presos.
Próximos passos do processo
Enquanto segue detida em El Paso, Renata aguarda os desdobramentos do processo de imigração. A orientação jurídica atual é para que ela peça a saída voluntária dos Estados Unidos, alternativa que em tese pode reduzir punições futuras em comparação a uma deportação formal.
Segundo a mãe, porém, a atriz gostaria de permanecer no país onde construiu a carreira artística e o negócio próprio. A defesa avalia as possibilidades legais, enquanto a família tenta, paralelamente, autorização para visitas e busca recuperar os pertences perdidos durante a transferência entre unidades de detenção.