O resultado do primeiro turno das Eleições 2026 mostrou um avanço da direita e colocou novos desafios para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na avaliação dos analistas políticos Luiz Armando e Davidson Cavalcante. Durante o NC News Acontece desta segunda-feira (5), os dois analisaram as mudanças no mapa político do país e os caminhos para o segundo turno.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Foram pouco mais de 2,2 milhões de votos de diferença. Para os comentaristas, além da disputa presidencial, os resultados para governos estaduais e para o Congresso ajudam a explicar o novo cenário político.
Direita domina Brasil nas urnas e Lula tem pior votação desde 1998
Luiz Armando aponta economia e mobilização como desafios para Lula
Luiz Armando avaliou que Lula subestimou a força eleitoral de Flávio Bolsonaro e do próprio bolsonarismo durante o primeiro turno. Para o analista, questões econômicas sentidas diretamente pelo eleitor também tiveram peso na disputa.
“A inflação está baixa, mas os preços estão altos. As pessoas estão cada dia mais endividadas, e isso corrói o seu poder de compra.”
Na avaliação de Luiz Armando, Lula também precisará reorganizar a relação com a militância e os coordenadores estaduais da campanha. Ele citou o Tocantins como exemplo de um estado onde, segundo sua análise, faltou maior integração entre os diferentes palanques ligados à candidatura presidencial.
O analista afirmou ter conversado nesta segunda-feira com a ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu e disse que os coordenadores estaduais foram convocados para uma reunião da campanha.
“Ele vai ter que unir a militância, porque a militância bolsonarista está unida. Então ele vai ter que reencaixar, redesenhar o papel dessa militância e desses aliados no conjunto da campanha eleitoral para o segundo turno.”
Davidson vê direita mais articulada após resultado das urnas
Davidson Cavalcante também avaliou que a campanha de Lula precisa rever a estratégia adotada no primeiro turno. Para ele, o desempenho da direita em diferentes regiões mostrou uma capacidade maior de articulação política.
O comentarista citou resultados no Ceará, Bahia, Alagoas e Amazonas ao analisar as diferenças regionais. Na avaliação dele, o desempenho registrado em áreas onde historicamente Lula e o PT apresentam força eleitoral deve entrar no cálculo da campanha para a etapa decisiva.
“A direita hoje é o que a esquerda foi no Brasil há muito tempo: unida, solidificada, articulada, criando movimentações estratégicas e, principalmente, entendendo que, se forem divididos, eles perdem.”
Davidson também destacou o papel que o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode desempenhar na campanha de Flávio Bolsonaro. Após a eleição estadual, Tarcísio declarou apoio ao candidato do PL e afirmou que São Paulo será decisivo na disputa presidencial.
Segundo turno começa com disputa por alianças
Flávio e Lula já iniciaram as articulações para a votação de 25 de outubro. Além de mobilizar as próprias bases, os dois candidatos terão de disputar os mais de 9,3 milhões de votos destinados no primeiro turno aos candidatos que ficaram fora da decisão.
Durante o programa, os analistas ressaltaram que o cenário do segundo turno não representa uma transferência automática dos votos registrados na primeira etapa. As campanhas entram agora em uma nova fase, marcada pela busca por alianças, reorganização dos palanques estaduais e tentativa de ampliar apoio entre os eleitores.
Lula já afirmou que considera o segundo turno uma “nova campanha”. Flávio, por sua vez, iniciou nesta segunda-feira reuniões com aliados para discutir a estratégia das próximas semanas.
Próximos passos
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro. Até lá, Lula e Flávio terão três semanas para reorganizar estratégias, buscar novos apoios e tentar conquistar os eleitores que escolheram outros candidatos ou não votaram em nenhum dos dois no primeiro turno.
Luiz Armando e Davidson Cavalcante continuarão acompanhando os desdobramentos da disputa no NC News Acontece ao longo das próximas semanas.