O mercado financeiro reage em bloco ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O dólar comercial cai até 5%, volta a ser negociado a R$ 4,95, e o Ibovespa dispara 9,1%, a 209.605,7 pontos, novo recorde histórico da B3.
O rali vem na esteira da dianteira de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, o senador entra no segundo turno como favorito, cenário lido por investidores como aumento da chance de alternância de poder e de ajuste fiscal a partir de 2027.
Real lidera no mundo, Bolsa renova topo e Tesouro trava
O impacto aparece em praticamente todos os termômetros de risco. O real lidera o ranking das 31 moedas mais negociadas, com a maior valorização do dia. Na mínima, o dólar é vendido a R$ 4,95, distante dos R$ 5,21 do fechamento anterior.
Na Bolsa de Valores hoje, o Ibovespa rompe a barreira dos 200 mil pontos e crava 209.605,7 pontos, em alta de 9,1%. É o maior nível da série histórica e coroa um movimento que já vinha ganhando tração na semana passada, quando o índice havia subido 4,71% na expectativa de um resultado mais favorável ao mercado.
A correção é tão forte que o Tesouro Direto, plataforma de compra e venda de títulos públicos para pessoas físicas, tem as negociações temporariamente suspensas por causa da volatilidade. As paradas são automáticas e visam recalibrar os preços em momentos de movimentos bruscos nos juros.
Vitória de direita amplia aposta em ajuste fiscal
No centro da reprecificação está a leitura de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro seria mais inclinado a promover ajuste nas contas públicas do que a continuidade de Lula. O PL também sai das urnas como maior partido do Senado, com 19 eleitos e uma bancada de 28 senadores a partir de fevereiro, reforçando a percepção de governabilidade.
“O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital. Gestores veem um Congresso mais alinhado a uma agenda de contenção de gastos e reformas.
O pano de fundo é uma dívida pública que chega a 82,9% do PIB, o maior nível da história recente, após anos de expansão de despesas e manobras contábeis. O ministro da Fazenda, Durigan, tenta responder a esse mal-estar e diz que “o gasto obrigatório vai crescer menos no Orçamento de 2027. Isso é resposta efetiva”.
Juros futuros despencam e empurram varejo e small caps
A curva de juros futuros acompanha a euforia. Os contratos passam a embutir uma taxa Selic de 13% em dezembro, contra os 13,75% ao ano em vigor hoje. A queda dos prêmios de prazo melhora a perspectiva de financiamento para empresas endividadas, varejistas e construtoras.
Na Bolsa, as ações ligadas ao consumo doméstico disparam. Magazine Luiza salta 24,44%, enquanto Cosan, Cyrela e Localiza avançam 21,6%, 22,01% e 18,01%, respectivamente. B3, dona da própria Bolsa, lidera os ganhos do índice com alta de 27,79%, reflexo direto da expectativa de aumento do volume de negócios e de valorização prolongada dos ativos locais.
“Na Bolsa, impacto maior em empresas de menor qualidade: small caps, empresas endividadas e com resultados fracos”, resume Fernando Siqueira, head de Research da Eleven. O movimento é típico de dias de forte alívio de risco, quando investidores correm para ativos mais arriscados em busca de retorno.
Petrobras, bancos e Vale puxam alta recorde
Entre as gigantes, Petrobras e bancos fazem peso no índice. As ações ordinárias da petroleira sobem 5,63%, e as preferenciais, 6,45%. A Vale avança 1,83%, apoiada por um cenário de menor aversão a risco e pela perspectiva de câmbio mais valorizado, que reduz receita em reais, mas melhora a percepção de risco-país.
No setor financeiro, Itaú sobe 9,15%, Banco do Brasil avança 12,39%, Bradesco ganha 11,29% nas ações ordinárias e 10,71% nas preferenciais. BTG Pactual dispara 14,24%, enquanto Santander tem alta mais discreta, de 0,64%. O conjunto reforça a leitura de que uma agenda de ajuste fiscal favorece bancos, ao reduzir risco de crédito e volatilidade na curva de juros.
O otimismo extrapola a fronteira. Em Nova York, o ETF EWZ, que replica ações brasileiras, registra alta de 12,65%, sinal de entrada robusta de capital estrangeiro. Um fundo negociado no Japão que acompanha papéis do Brasil chega a subir 14% na madrugada, antecipando a disparada da B3. Para Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da PGIM, “como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir. O real e os juros devem ter um desempenho muito bom”.
Discurso político alimenta euforia, mas risco segue no radar
O resultado nas urnas também fortalece candidaturas de direita em governos estaduais e no Congresso, reforçando a percepção de que um eventual governo de Flávio teria base ampla para aprovar reformas. “Do ponto de vista da governabilidade e da agenda econômica, as condições nunca foram tão favoráveis. A reação deve ser muito forte, e há potencial para que a alta se prolongue por vários dias”, avalia Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management.
Em discurso, o senador explora o clima de virada. “O resultado das urnas decreta o fim da era PT”, afirma Flávio Bolsonaro, prometendo um mandato único e reformas econômicas. Lula reage de imediato, anuncia que vai intensificar a campanha nas próximas três semanas e tenta reverter a narrativa de que o mercado já escolheu seu adversário.
Casas de análise internacionais colocam números nessa disputa de projetos. O JPMorgan calcula que um ajuste fiscal consistente poderia valorizar o real em até 6%, derrubar os juros dos títulos públicos para perto de 13% e elevar as ações em até 50%. No cenário oposto, de deterioração fiscal, a projeção é de desvalorização semelhante da moeda, alta dos juros para 15,5% e queda de 21% na Bolsa.
Quem ganha, quem perde e o que vem até o segundo turno
No curto prazo, o câmbio mais baixo tende a aliviar custos de empresas que importam insumos e pode, se o movimento persistir, contribuir para frear a inflação de bens dolarizados, de eletrônicos a combustíveis. A disparada do Ibovespa melhora o humor de investidores e fortalece o apetite por risco, sobretudo entre estrangeiros que voltam à B3 via ETFs e ações de bancos, Petrobras e varejo.
Os benefícios, porém, não são uniformes. Exportadoras como Suzano e Embraer figuram entre as poucas quedas do dia, com recuos de 3,36% e 1,29%, pressionadas pela perspectiva de real mais forte. Investidores em renda fixa, sobretudo quem precisa vender títulos públicos no curto prazo, enfrentam preços instáveis e spreads mais largos, reflexo da volatilidade que levou à suspensão do Tesouro Direto.
Gestores como Fabrício Taschetto, da Ace Capital, projetam que a alta pode continuar, com espaço para nova valorização do Ibovespa de até 7% e queda adicional de 3% no dólar, caso o cenário de Flávio favorito se consolide. Felipe Arslan, CEO da Morada Capital, vê varejistas, construtoras, administradoras de shoppings e empresas de consumo e vestuário na linha de frente dessa segunda perna de rali.
O fio condutor dos próximos dias será a campanha até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Cada nova pesquisa e sinal sobre a futura política fiscal tende a mexer imediatamente com dólar, Bolsa e juros. A euforia desta segunda-feira deixa claro que o mercado escolhe um lado, mas também evidencia o tamanho do prêmio embutido em um eventual fracasso da agenda de ajuste, qualquer que seja o vencedor.
Quanto está o dólar hoje após o resultado do primeiro turno das eleições?
O dólar comercial hoje atinge mínima de R$ 4,95, queda de até 5% em relação ao fechamento anterior, quando valia R$ 5,21, refletindo a reação imediata do mercado financeiro à dianteira de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e à expectativa de ajuste fiscal a partir de 2027.
Por que o dólar caiu para abaixo de R$ 5 após o primeiro turno das eleições de 2026?
O dólar cai abaixo de R$ 5 porque o resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, aumenta a percepção de alternância de poder e de ajuste fiscal, reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores, atrai capital estrangeiro para a B3 e derruba os juros futuros, fortalecendo o real frente à moeda americana.
Como o avanço do bolsonarismo nas eleições impactou o dólar e a bolsa hoje?
O avanço do bolsonarismo nas eleições, com Flávio Bolsonaro liderando o primeiro turno e o PL ampliando força no Senado, derruba o dólar a R$ 4,95, faz o real liderar entre 31 moedas, impulsiona o Ibovespa em 9,1% a 209.605,7 pontos e acende um rali em ações de Petrobras, bancos, varejo e small caps.
Qual a relação entre o resultado do primeiro turno e a alta das ações da Petrobras?
A relação entre o primeiro turno e a alta de 5,63% a 6,45% das ações da Petrobras está na leitura de que um governo mais alinhado ao ajuste fiscal e a menor intervenção estatal reduziria riscos políticos na estatal, melhorando previsibilidade de dividendos, regras de preços de combustíveis e governança, o que atrai fluxo de investidores locais e estrangeiros.
Como o mercado financeiro reagiu ao resultado do primeiro turno das eleições hoje?
O mercado financeiro reagiu com forte rali: dólar em queda de até 5% a R$ 4,95, Ibovespa em alta de 9,1% a 209.605,7 pontos, ETF EWZ subindo 12,65% em Nova York, juros futuros projetando Selic em 13% e Tesouro Direto suspenso temporariamente pela volatilidade, em resposta à liderança de Flávio Bolsonaro.
O que esperar do dólar e da bolsa nos próximos dias após o primeiro turno das eleições?
O dólar e a Bolsa devem seguir voláteis nos próximos dias, com viés de continuidade da valorização do real e de alta do Ibovespa caso pesquisas consolidem Flávio Bolsonaro à frente; gestores falam em espaço para mais 3% de queda do dólar e até 7% de alta do índice, mas alertam que qualquer reversão na percepção de ajuste fiscal pode virar rapidamente esse movimento.