Euro cai ao menor nível em 17 meses frente ao dólar com temor fiscal na Europa

Moeda europeia recuou para a faixa de US$ 1,11 em meio à venda de títulos franceses e ao fortalecimento global da divisa americana.
Redação NC News
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O euro caiu nesta segunda-feira (5) ao menor nível em 17 meses frente ao dólar, pressionado pelo fortalecimento da moeda americana e pelo aumento das preocupações com as contas públicas de países europeus, especialmente a França.

A moeda europeia chegou à região de US$ 1,11, renovando os menores patamares desde maio de 2025. O movimento prolonga a perda de força registrada pelo euro nas últimas semanas e ocorre em um momento de maior atenção dos investidores aos mercados de dívida.

Um dos principais focos está na França. A venda de títulos do governo francês aumentou a percepção de risco e levantou dúvidas sobre a capacidade do país de controlar o déficit fiscal em um ambiente político fragmentado.

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Por que o euro está caindo?

A pressão sobre a moeda europeia ocorre em meio a uma combinação de fatores. Além do fortalecimento do dólar, investidores acompanham o aumento dos rendimentos dos títulos públicos e as preocupações fiscais dentro da zona do euro.

Na França, a venda de títulos públicos ganhou força e ampliou a diferença entre os juros cobrados pelos papéis franceses e os títulos da Alemanha, considerados uma das principais referências de segurança no mercado europeu.

Esse diferencial, conhecido como spread, chegou a 150 pontos-base na sexta-feira (2), segundo dados divulgados pelo Poder360.

O patamar é o mais elevado desde a crise da dívida soberana europeia de 2011 e funciona como um termômetro da percepção dos investidores sobre o risco fiscal francês.

França está no centro das preocupações

O cenário francês ganhou importância porque o país enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas.

O calendário político adiciona outra camada de incerteza. A França terá eleição presidencial em 2027 e possui um Parlamento fragmentado, cenário que dificulta a construção de acordos para medidas de ajuste fiscal.

Investidores acompanham principalmente a capacidade do governo de controlar o déficit e estabilizar a trajetória da dívida.

A preocupação com a França também desperta atenção sobre possíveis impactos em outros países da zona do euro, embora o atual cenário não signifique, por si só, que uma nova crise de dívida esteja confirmada.

Dólar ganha força no exterior

Do outro lado da operação, o dólar avançou contra diversas moedas internacionais.

O índice DXY, que acompanha o desempenho da moeda americana diante de uma cesta de seis importantes divisas, subiu 0,39%, para 102,33 pontos, depois de alcançar 102,53.

Foi o maior patamar desde abril de 2025.

A moeda americana vem ganhando força em meio ao aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e às expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve.

A alta dos juros americanos tende a aumentar a atratividade dos ativos denominados em dólar, favorecendo a moeda frente a outras divisas.

Euro já vinha perdendo força

A desvalorização não começou nesta segunda-feira.

Na semana passada, o euro já havia rompido a marca de US$ 1,123 pela primeira vez desde maio de 2025. Em setembro, a moeda europeia acumulou queda próxima de 2,5% frente ao dólar.

O movimento também ocorreu em meio à elevação dos rendimentos dos títulos públicos nos Estados Unidos e na Europa e às preocupações com inflação e política fiscal.

Agora, o mercado acompanha se a moeda europeia encontrará estabilidade na região atual ou se a pressão sobre os títulos públicos continuará afetando o câmbio.

Movimento internacional difere do dólar no Brasil

O fortalecimento internacional da moeda americana não significa necessariamente alta do dólar frente ao real.

Nesta segunda-feira, o mercado brasileiro apresentou uma dinâmica própria. O dólar chegou a operar abaixo de R$ 5, em forte queda, enquanto investidores reagiam ao resultado do primeiro turno das Eleições 2026.

Isso acontece porque as taxas de câmbio refletem fatores diferentes em cada país.

Enquanto o euro é pressionado principalmente pelas preocupações fiscais europeias e pelo cenário internacional de juros, o real reage também às expectativas dos investidores sobre a política econômica brasileira, as contas públicas, os juros domésticos e o cenário eleitoral.

Por isso, o dólar pode se valorizar diante do euro e, ao mesmo tempo, perder força frente ao real em uma mesma sessão.

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