O Flamengo chega à reta final de 2026 com uma diferença de aproximadamente R$ 78 milhões entre o que previa arrecadar com vendas de jogadores e o valor obtido até agora. O clube projetou uma receita próxima de R$ 250 milhões com negociações de atletas, mas alcançou R$ 171,6 milhões após o fechamento das principais janelas de transferências.
O resultado aumenta a atenção sobre uma fonte importante de receitas do clube e coloca as categorias de base no centro da discussão. Além de poucos jovens terem conquistado espaço regular no elenco profissional, algumas promessas deixaram o Rubro-Negro por valores considerados modestos diante do tamanho atual do orçamento do Flamengo.
A maior operação envolvendo um jovem formado no clube foi a transferência de Ryan Roberto para o Shakhtar Donetsk. O negócio foi fechado por 9,5 milhões de euros, cerca de R$ 56,3 milhões, mas o Flamengo possuía 70% dos direitos econômicos e ficou com aproximadamente R$ 39,4 milhões.

LEIA MAIS:
Venda frustrada de Plata pesou no planejamento
Um dos negócios que poderia reduzir a distância para a meta era a saída de Gonzalo Plata. O Flamengo havia acertado a transferência do atacante para o Dínamo de Moscou por cerca de R$ 60 milhões, com possibilidade de bônus, mas a operação não foi concluída depois que o jogador foi reprovado nos exames médicos realizados na Rússia.
Entre os valores contabilizados pelo clube ao longo do ano estão R$ 36,2 milhões pela negociação de Wallace Yan com o Red Bull Bragantino, R$ 25,5 milhões pela saída de Juninho para o Pumas, além de receitas envolvendo Victor Hugo, Lorran, Iago e outros atletas.
O Flamengo também recebeu cerca de R$ 35,2 milhões relacionados à transferência de João Gomes do Wolverhampton para o Aston Villa. O montante envolve mecanismos previstos na negociação anterior e direitos do clube como formador.
Base entra no centro da discussão
A dificuldade para alcançar a meta financeira também reacende uma discussão esportiva: a capacidade de transformar jogadores das categorias inferiores em peças relevantes do elenco principal e, posteriormente, em ativos valorizados no mercado.
Lorran, Victor Hugo e Guilherme, que em diferentes momentos foram tratados como jogadores promissores, renderam juntos aproximadamente R$ 22 milhões ao Flamengo nas operações realizadas em 2026. Outros atletas formados no clube deixaram o Rubro-Negro sem custos de transferência.
Ryan Roberto representa outro ponto desse debate. Destaque nas categorias inferiores, o meia-atacante acabou negociado com o Shakhtar Donetsk após não chegar a um acordo para renovar o contrato. O jogador entendia que teria dificuldades para ganhar espaço no elenco profissional.
Participação dos crias ainda é limitada
O aproveitamento da base também aparece nos números dentro de campo. Dos 110 gols marcados pelo Flamengo na temporada até este momento, 23 tiveram participação direta de jogadores formados no clube.
O dado, porém, inclui Lucas Paquetá, responsável por 11 dessas participações. Revelado pelo Flamengo, o meia passou anos no futebol europeu antes de retornar ao Rio de Janeiro já consolidado profissionalmente.
Entre os jovens que permaneceram no clube, Evertton Araújo conseguiu espaço no elenco principal. Wallace Yan também recebeu oportunidades antes de ser negociado com o Bragantino.
Flamengo amplia investimento na formação
A diretoria já iniciou mudanças nas categorias de base. No começo da temporada, o clube anunciou que 2026 teria o maior orçamento de sua história destinado ao setor, com investimentos em estrutura e desenvolvimento de atletas.
O Flamengo também passou por uma redução no número de jogadores mantidos nas categorias inferiores e ampliou iniciativas de captação e parcerias com clubes formadores. A estratégia busca aumentar a qualidade das próximas gerações e diminuir a distância entre o sub-20 e o elenco profissional.
Pressão financeira aumenta na reta final
O desempenho abaixo da meta de vendas ganha peso adicional em um momento de atenção sobre outras receitas do Flamengo. O clube também acompanha os impactos da proibição das apostas de quota fixa sobre o contrato de patrocínio master e já levou a discussão ao Supremo Tribunal Federal.
Com as principais janelas internacionais encerradas, as possibilidades de novas transferências relevantes ainda em 2026 ficaram mais restritas. O cenário faz com que o desempenho esportivo e a valorização dos jogadores do elenco ganhem ainda mais importância para o planejamento financeiro das próximas temporadas.