Pessoas negras conquistam menos de um terço das cadeiras nas Assembleias do país

Levantamento com dados do TSE mostra que candidatos pretos e pardos ficaram com 332 das 1.059 vagas estaduais e distritais nas Eleições 2026; brancos ocuparão 67,9% dos assentos.
Redação NC News
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Pessoas negras conquistaram menos de um terço das cadeiras das Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) nas Eleições 2026. Dos 1.059 deputados estaduais e distritais eleitos no domingo (4), 332 se autodeclararam pretos ou pardos, o equivalente a 31,4% do total.

Os dados fazem parte de levantamento do Metrópoles elaborado a partir das informações de raça ou cor declaradas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral.

A diferença aparece quando o resultado das urnas é comparado ao perfil das candidaturas. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes da eleição mostravam que pessoas negras correspondiam a 49,64% das candidaturas consideradas para o cálculo da distribuição dos recursos partidários e eleitorais.

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Brancos serão maioria em 22 das 27 Casas

Entre os 1.059 parlamentares estaduais e distritais eleitos, 719 se autodeclararam brancos, número equivalente a 67,9% das cadeiras.

Os candidatos pardos conquistaram 271 vagas, enquanto os pretos ficaram com 61. Somados, os dois grupos chegam aos 332 parlamentares considerados negros pelo critério adotado pela Justiça Eleitoral.

Também foram eleitos quatro candidatos autodeclarados indígenas e quatro que se identificaram como de cor ou raça amarela.

Pessoas brancas serão maioria em 22 das 27 Casas legislativas estaduais e distrital analisadas.

Amazonas tem maior proporção de parlamentares negros

O Amazonas terá proporcionalmente a maior presença de pessoas negras entre os deputados estaduais eleitos.

Dos 24 parlamentares escolhidos, 14 se autodeclararam pretos ou pardos, aproximadamente 58% da Assembleia. São 13 deputados pardos e um preto. Outros nove são brancos e um é indígena.

Amapá e Tocantins aparecem em seguida. Cada estado elegeu 13 parlamentares negros entre as 24 vagas disponíveis, o equivalente a 54,2%.

No Amapá, são 11 pardos e dois pretos. No Tocantins, os 13 parlamentares negros eleitos se autodeclararam pardos.

Amazonas, Amapá e Tocantins são as únicas unidades da Federação nas quais pretos e pardos conquistaram mais da metade das cadeiras.

Bahia lidera em número absoluto

Em números absolutos, a Bahia terá a maior quantidade de deputados estaduais negros.

Foram 31 parlamentares pretos ou pardos eleitos entre as 63 vagas da Assembleia Legislativa baiana.

O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 26 parlamentares negros, enquanto Minas Gerais terá 25.

Acre e Rondônia terão uma divisão igual entre brancos e negros. Em cada uma das Assembleias, 12 dos 24 deputados eleitos são brancos e outros 12 são pretos ou pardos.

Alagoas e Santa Catarina não elegeram negros

Na outra ponta do levantamento estão Alagoas e Santa Catarina.

Todos os 27 deputados estaduais eleitos em Alagoas se autodeclararam brancos. O mesmo ocorreu em Santa Catarina, onde as 40 cadeiras serão ocupadas por parlamentares que se identificaram como brancos.

No Rio Grande do Sul, três dos 55 eleitos são negros. No Paraná, são quatro entre os 54 parlamentares, enquanto Mato Grosso terá três deputados negros em uma Assembleia de 24 integrantes.

São Paulo terá 18 parlamentares negros

São Paulo, que possui a maior Assembleia Legislativa do Brasil, elegeu 18 pessoas negras entre os 94 deputados estaduais.

Dez se autodeclararam pretos e oito pardos. Juntos, representam 19,1% da nova composição da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Outros 73 deputados eleitos se autodeclararam brancos e três se identificaram como de cor ou raça amarela.

Quatro indígenas foram eleitos

O levantamento também identificou quatro parlamentares estaduais autodeclarados indígenas.

Eles foram eleitos no Amazonas, Espírito Santo, Piauí e Rio de Janeiro, com um representante em cada estado.

Outros quatro eleitos se declararam de cor ou raça amarela. Três deles foram escolhidos em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

Os números consideram a autodeclaração de raça ou cor registrada por cada candidato na Justiça Eleitoral e mostram como ficará a composição das Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal a partir de 2027.

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