Uma moradora de Manaus registrou uma cena que chamou atenção nesta terça-feira (6): uma caixa d’água apareceu deformada sobre o telhado de uma residência no bairro Alfredo Nascimento, na Zona Norte da capital amazonense, enquanto o reservatório vazava água.
No vídeo, a caixa d’água aparece cedendo sobre a estrutura que a sustenta. A mulher que fez o registro atribuiu a situação ao forte calor enfrentado na cidade. Não há, porém, confirmação técnica de que a temperatura tenha sido a única responsável pela deformação do reservatório.
O episódio ocorreu em um dia para o qual o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) previa temperatura máxima de 37°C e mínima de 27°C em Manaus. Além do calor, a combinação de altas temperaturas e umidade favoreceu a formação de áreas de instabilidade no Amazonas.
Calor e umidade aumentam instabilidade no Amazonas
Segundo o Inmet, o calor e a disponibilidade de umidade provocam a formação de áreas de instabilidade na Região Norte. Para esta terça-feira, a previsão indicava pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas isoladas no Amazonas.
O centro, leste e noroeste do estado também ficaram sob aviso amarelo de perigo potencial para chuvas intensas. Mesmo com a possibilidade de precipitação, as temperaturas permaneceram elevadas na capital.
Manaus esteve entre as capitais mais quentes previstas pelo Inmet para esta terça. A máxima de 37°C ficou abaixo apenas dos 38°C esperados em Boa Vista, entre as capitais destacadas pelo instituto.
Manaus já registrou 37,3°C em 2026
O calor registrado nesta semana ocorre depois de Manaus enfrentar uma sequência de temperaturas elevadas ao longo dos últimos meses.
Em 31 de agosto, a capital chegou aos 37,3°C e estabeleceu, naquele momento, um novo recorde de temperatura em 2026. A marca superou os 37,1°C registrados em 25 de agosto.
O mesmo período também foi marcado pela falta de chuva. Agosto terminou com apenas 2,4 milímetros de precipitação acumulada na cidade, muito abaixo da média climatológica de 56 milímetros para o mês.
Previsão indica mais calor nos próximos dias
Quem espera alívio imediato do calor deve continuar enfrentando temperaturas elevadas em Manaus. Para esta quarta-feira (7), diferentes modelos meteorológicos apontam máximas entre 37°C e 38°C na capital.
Na quinta-feira (8), o Inmet prevê máxima de 37°C em Manaus. Outros modelos indicam temperaturas que podem alcançar aproximadamente 38°C, mostrando que o cenário de forte calor deve persistir.
A tendência continua na sexta-feira (9) e no sábado (10), quando as máximas podem novamente ficar próximas dos 38°C. No domingo (11), a previsão aponta possibilidade maior de chuva e uma pequena redução das temperaturas, embora o calor ainda permaneça.
As projeções meteorológicas podem sofrer alterações conforme a aproximação das datas, mas os diferentes modelos consultados convergem para a manutenção de temperaturas elevadas durante boa parte da semana.
Chuva também pode aparecer
Apesar do calor, a previsão não significa uma sequência de dias completamente secos. O Inmet aponta que áreas de instabilidade continuam atuando principalmente sobre o oeste da Amazônia.
Nesta quarta-feira, estão previstas pancadas de chuva e trovoadas em partes do Amazonas. Na quinta-feira, as condições pouco mudam, com chuva e trovoadas previstas principalmente no centro, oeste e noroeste do estado.
O instituto explica que um centro de baixa pressão associado ao intenso calor sobre o Amazonas contribui para a formação dessas instabilidades.
Na previsão para o período entre 5 e 12 de outubro, o Inmet estima que pontos do Amazonas podem registrar acumulados de chuva superiores a 100 milímetros. Os maiores volumes são esperados principalmente no oeste do estado.
Calor provocou deformação da caixa d’água?
Apesar da repercussão do vídeo e da temperatura elevada registrada em Manaus, não é possível afirmar apenas pelas imagens que o calor tenha provocado diretamente a deformação do reservatório.
Fatores como material da caixa d’água, tempo de uso, condições de instalação, peso da água e resistência da estrutura que sustenta o reservatório também precisariam ser avaliados para determinar a causa.
Por isso, embora a moradora tenha associado a situação ao calor intenso, o episódio deve ser tratado como um relato feito durante um período de temperaturas elevadas, e não como uma confirmação técnica de que a caixa d’água tenha literalmente derretido por causa do calor.