Datafolha testa 2º turno entre Flávio e Lula nesta semana

Datafolha divulga primeira pesquisa do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, com campanhas intensificando estratégias.
Redação NC News
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Derrotado por margem estreita no primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na reta inicial do segundo turno sob pressão para virar o jogo contra Flávio Bolsonaro (PL), que terminou à frente com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. A primeira pesquisa Datafolha para presidente em 2026 no segundo turno, prevista para quinta-feira, deve balizar as estratégias num cenário de alta abstenção e Congresso mais alinhado ao PL.

Pesquisa Datafolha para presidente 2026 segundo turno

O novo levantamento do Datafolha será feito com 2.520 entrevistas presenciais entre hoje e amanhã, em diferentes regiões do país. A pesquisa terá margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Os dados serão divulgados na quinta-feira e são aguardados com expectativa pelas campanhas para medir o impacto imediato do resultado de domingo.

O foco será testar a preferência do eleitorado no confronto direto entre Flávio Bolsonaro e Lula após o 1º turno e avaliar a migração dos votos de terceiros colocados, como Augusto Cury (Avante), que obteve 2,89% dos votos válidos.

Disputa polarizada e pressão sobre abstenções

A retomada da disputa entre um candidato do bolsonarismo e o ex-presidente petista consolida um novo capítulo da polarização política no país. A abstenção de cerca de 33 milhões de eleitores, o maior número desde a redemocratização recente, entrou no radar das duas campanhas como desafio central para a legitimidade e para o resultado final.

Lula admitiu frustração com o placar e com as dificuldades para mobilizar o eleitorado. “Vocês pensam que eu não fiquei decepcionado [com o resultado das eleições]? Toda eleição eu fico decepcionado, porque todas eu quero ganhar no primeiro turno”, disse o petista em reunião de campanha transmitida pela internet.

Segundo ele, há hoje menos eleitores “neutros” disponíveis para migração, o que aumenta o peso da mobilização de quem se absteve no domingo.

Flávio quer debates; Lula endurece discurso contra STF

O coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, afirmou que o candidato pretende participar de debates com Lula no segundo turno, depois de ambos terem se ausentado dos confrontos televisivos no primeiro turno.

“Estamos avaliando os pedidos que foram feitos de debates. O Flávio quer debater com o presidente Lula. Ele deve apenas estabelecer quais os embates que serão feitos, já que há quatro ou cinco convites diferentes”, disse Marinho a jornalistas.

Do lado petista, Lula elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal ao falar a apoiadores, prometendo uma reforma do Judiciário e associando seu adversário ao que chama de “sistema”. “Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”, afirmou. Em outro trecho, reforçou a estratégia de se apresentar como alternativa ao status quo: “Aqui só tem um candidato que é antissistema, que somos nós”.

Campanhas miram São Paulo, Nordeste e centro político

Com a disputa voto a voto, os dois comitês se voltam a regiões consideradas decisivas. Flávio Bolsonaro aposta no reforço da vantagem em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, contando com a estrutura e a popularidade do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A campanha planeja agendas conjuntas e viagens com aliados também em outros estados, em busca de consolidar a liderança nacional.

Lula, por sua vez, mira a recuperação de fôlego no Nordeste, onde perdeu parte da vantagem histórica, e o avanço entre eleitores de centro no Sudeste. O papel do vice Geraldo Alckmin (PSB) tende a crescer na interlocução com esse eleitorado e com partidos que ficaram fora do segundo turno.

Entre os ex-candidatos, Augusto Cury evitou declarar apoio, mas fez um aceno à responsabilidade fiscal e ao uso de propostas de sua campanha, como o semipresidencialismo e mudanças no Supremo. “Torço para aqueles que foram para o segundo turno possam ser responsáveis fiscalmente. Possam amar o Brasil e possam aproveitar os meus projetos”, disse Cury em vídeo nas redes sociais.

Renovação no Congresso favorece PL e amplia presença feminina

Enquanto os holofotes se voltam para o embate entre Flávio e Lula, o novo desenho do Congresso já sinaliza desafios e facilidades para o próximo governo. O Senado teve renovação de dois terços das cadeiras, com a eleição de 54 novos senadores. O PL, partido de Flávio, foi o principal vencedor: elegeu 19 senadores e passa a contar com 28 integrantes na nova legislatura, formando a maior bancada.

MDB e PT também ampliaram presença, com a eleição de 7 e 6 novos senadores, respectivamente. Na Câmara dos Deputados, o PL conquistou 121 cadeiras, sendo 22 ocupadas por mulheres — pouco mais de 18% da bancada. No total, 12 mulheres foram eleitas para o Senado e 109 para a Câmara, um recorde de participação feminina, o que tende a influenciar a agenda legislativa dos próximos anos.

Analistas avaliam que, caso Flávio Bolsonaro vença, a composição do Senado e da Câmara pode facilitar a tramitação de sua pauta econômica e de eventuais mudanças institucionais. Se Lula conseguir a virada, terá de negociar com um Congresso em que o PL é protagonista.

Entenda o contexto

Com 100% das urnas apuradas no domingo, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos e Lula com 45,16%. Augusto Cury ficou em terceiro lugar, com 2,89%. Outros candidatos somaram percentuais menores, mas seus votos são considerados estratégicos na disputa final.

Além de tentar atrair esse eleitorado, as campanhas olham para os mais de 33 milhões de brasileiros que deixaram de votar. O desempenho de cada lado na mobilização desse grupo até o dia da decisão pode ser decisivo num cenário em que, até agora, a vantagem do líder é inferior à soma dos votos em outros nomes.

Os resultados da pesquisa Datafolha desta semana devem indicar quem largou na frente nessa corrida por apoios e por ex-eleitores ausentes, servindo de termômetro para os próximos movimentos de Lula e Flávio Bolsonaro nas ruas, nos palanques e nos debates de TV.

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