Trump evitou falar do Brasil para não prejudicar Flávio, diz Washington Post

Jornal americano relata que silêncio do presidente dos EUA durante o primeiro turno foi visto como estratégico; campanha de Flávio afirma que não pediu apoio eleitoral
Redação NC News
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Donald Trump evitou declarar apoio público a Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha do primeiro turno da eleição presidencial brasileira como parte de uma postura que teria beneficiado o candidato, segundo reportagem publicada pelo jornal americano The Washington Post. A avaliação é baseada em relatos de pessoas próximas às articulações políticas nos Estados Unidos e análises ouvidas pelo veículo.

De acordo com o jornal, Flávio também evitou pedir um endosso eleitoral ao presidente americano, mesmo mantendo proximidade política com o governo republicano. A estratégia teria buscado impedir que uma manifestação de Trump fornecesse à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) argumentos para reforçar o discurso contra interferências estrangeiras na eleição brasileira.

O silêncio mudou parcialmente após o primeiro turno. Nesta segunda-feira (5), Trump classificou o desempenho de Flávio como uma “grande vitória” e afirmou que a disputa no segundo turno será apertada. A manifestação, segundo pessoas ligadas à campanha de Flávio ouvidas pelo UOL, não foi solicitada pelo candidato brasileiro.

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Washington Post aponta silêncio calculado de Trump

A reportagem do Washington Post afirma que a ausência de um apoio explícito durante a campanha contrastou com a atuação recente de Trump em eleições de outros países da América Latina.

Segundo o jornal, a avaliação entre aliados era de que uma interferência direta poderia produzir efeito contrário no Brasil. Lula vinha utilizando episódios de tensão com Washington para defender a soberania brasileira e criticar pressões estrangeiras.

Flávio esteve com Trump na Casa Branca em maio. Na ocasião, porém, o brasileiro afirmou posteriormente que não havia viajado aos Estados Unidos para pedir apoio eleitoral.

A postura pública de Washington também foi de cautela. Na sexta-feira (2), dois dias antes da votação, Trump foi questionado diretamente sobre um eventual apoio a Flávio e evitou responder. Disse apenas que estava analisando a situação e acompanharia a eleição “bem de perto”.

Governo americano negou interferência eleitoral

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou antes do primeiro turno que interferir em eleições de outros países não fazia parte da estratégia americana.

Amanda Roberson, porta-voz do departamento, declarou à CNN Brasil que os Estados Unidos reconheciam o Brasil como um país soberano e defendiam a realização de uma eleição livre.

A declaração oficial precisa ser considerada ao lado da reportagem do Washington Post. O jornal descreve cálculos políticos atribuídos a integrantes e aliados do governo Trump, enquanto Washington negou oficialmente uma estratégia de interferência na votação brasileira.

Trump se manifestou depois do primeiro turno

Após a votação de domingo (4), Trump passou a falar de maneira mais direta sobre o resultado brasileiro.

Além de classificar o desempenho de Flávio como uma “grande vitória”, o presidente americano afirmou que o segundo turno será muito disputado.

Pessoas ligadas a Flávio ouvidas pela colunista Mariana Sanches, do UOL, afirmaram que a campanha não pediu a Trump uma manifestação pública de preferência eleitoral. Segundo essa versão, o comentário feito depois do primeiro turno partiu do próprio presidente americano.

Trump também elogiou a rapidez da apuração brasileira em uma publicação nas redes sociais, destacando que o resultado foi conhecido no mesmo dia da votação.

Segundo turno será disputado em 25 de outubro

Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.

A postura do governo americano continuará sendo acompanhada durante as próximas semanas. Segundo o Washington Post, integrantes do governo Trump avaliam manter cautela para evitar que uma atuação mais direta dos Estados Unidos produza repercussões negativas para Flávio.

Até o momento, Trump demonstrou simpatia pelo resultado obtido pelo candidato do PL, mas não fez um anúncio formal de apoio eleitoral a Flávio no segundo turno.

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