A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou uma série de fragilidades na estrutura e no funcionamento da Auditoria Interna do Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Em relatório de avaliação concluído neste ano, o órgão federal identificou limitações operacionais que, segundo a análise, podem comprometer a capacidade da unidade de fiscalizar processos, acompanhar riscos institucionais e contribuir para o fortalecimento da governança da instituição.
Quadro reduzido compromete atuação
Entre os principais problemas destacados pela CGU está a redução da força de trabalho da Auditoria Interna. Atualmente, a unidade conta com apenas duas auditoras em exercício, sendo uma delas responsável pela chefia do setor. O relatório aponta que a diminuição do quadro ocorreu ao longo dos últimos anos em razão de redistribuições, remoções, cessões e afastamentos sem reposição proporcional dos servidores.
A situação chama atenção porque o IFAM possui 1.331 servidores ativos distribuídos em 17 campi espalhados pelo Amazonas. Apesar da dimensão da estrutura, apenas uma servidora atua diretamente na execução dos trabalhos de auditoria, segundo o documento.
Auditorias foram reduzidas
Os impactos da redução da equipe já aparecem no planejamento institucional. A CGU verificou que uma das auditorias previstas no Plano Anual de Auditoria Interna (PAINT) precisou ser cancelada em razão da falta de pessoal. Além disso, houve uma redução de 48% nas horas destinadas às atividades da unidade entre 2024 e 2025, afetando ações de monitoramento e acompanhamento das recomendações emitidas pela própria auditoria.
Para os auditores da CGU, a limitação da força de trabalho restringe a capacidade de ampliar a cobertura das fiscalizações, dificulta o acompanhamento de medidas corretivas e reduz a atuação preventiva em áreas estratégicas relacionadas à gestão de riscos e controles internos.
Planejamento sem avaliação estruturada de riscos
Outro ponto de preocupação identificado pela Controladoria foi a ausência de uma metodologia estruturada de avaliação de riscos para orientar a elaboração do Plano Anual de Auditoria. O relatório afirma que não foram encontradas evidências de utilização sistemática de critérios baseados nos riscos institucionais mais relevantes para definir os trabalhos da unidade.
Segundo a CGU, embora o IFAM tenha passado a receber sugestões de temas das unidades auditadas para compor o planejamento, essa prática não substitui um processo formal de análise de riscos. A avaliação conclui que a falta desse mecanismo pode limitar a identificação de áreas mais vulneráveis e reduzir a efetividade das auditorias realizadas.
Recomendações
Diante dos achados, a CGU recomendou a recomposição do quadro de pessoal da Auditoria Interna, a inclusão da unidade em ações de capacitação institucional, a criação de indicadores de desempenho e a formalização de procedimentos para situações em que haja negativa ou atraso no fornecimento de informações necessárias às auditorias.
Na conclusão do relatório, o órgão afirma que as limitações estruturais e operacionais enfrentadas pela Auditoria Interna do IFAM podem comprometer sua efetividade e sua capacidade de contribuir para o fortalecimento da governança, da gestão de riscos e dos controles internos da instituição.