As eleições de 2026 produziram resultados distintos para líderes religiosos e políticos ligados a grandes igrejas do país. Enquanto nomes tradicionais perderam espaço em São Paulo, outros pastores e padres conseguiram renovar mandatos ou conquistar vagas no Legislativo, mostrando que a presença religiosa na política continua, embora com mudanças em sua composição.
Em São Paulo, ficaram fora nomes como Gilberto Nascimento, David Soares, Daniel Soares, Edna Macedo e Cezinha de Madureira. Por outro lado, políticos de forte identificação religiosa, como Pastor Marco Feliciano e Paulo Freire, foram eleitos novamente deputados federais. Alex de Madureira também conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa paulista.
O cenário exige uma distinção importante: não existe uma única classificação capaz de reunir todos os políticos ligados a igrejas. Um levantamento nacional baseado exclusivamente na ocupação declarada pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como “sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa” identificou cinco eleitos diretamente em 2026. Esse critério, porém, não inclui necessariamente todos os parlamentares que são pastores, padres ou mantêm vínculos com denominações religiosas, já que muitos declaram outras profissões à Justiça Eleitoral.
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Quem são os líderes religiosos que perderam em São Paulo?
Entre as derrotas de maior repercussão está a de Gilberto Nascimento, presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso. Pastor da Assembleia de Deus, ele recebeu 43.977 votos na disputa para deputado federal e não conseguiu renovar o mandato.
A família do missionário R.R. Soares também perdeu espaço.
David Soares, pastor e cantor gospel ligado à Igreja Internacional da Graça de Deus, recebeu 61.366 votos para deputado federal e não conquistou uma cadeira. Seu irmão Daniel Soares, que buscava continuar na Assembleia Legislativa de São Paulo, obteve 53.812 votos e também ficou sem mandato.
Na Igreja Universal do Reino de Deus, Edna Macedo, irmã de Edir Macedo, não conseguiu renovar a cadeira na Alesp. Ela recebeu 55.086 votos.
Outro nome ligado à Universal, o vereador paulistano André Santos, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e recebeu 71.621 votos, mas não foi eleito.
Pela Igreja Mundial do Poder de Deus, o missionário José Olímpio também não retornará ao Congresso após receber 52.030 votos.
Cezinha de Madureira também fica fora
Outro nome conhecido do segmento evangélico que não conseguiu renovar o mandato foi Cezinha de Madureira.
Pastor ligado à Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, ele recebeu 60.596 votos para deputado federal.
Cezinha disputou a eleição depois de ter sido alvo da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal em setembro para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. A existência da investigação não representa condenação, e eventuais responsabilidades dependem da conclusão das apurações e de decisões da Justiça.

Também ficou sem vaga a vereadora paulistana Pastora Sandra Alves, que recebeu 63.745 votos na tentativa de chegar à Câmara dos Deputados. Ela permanece com seu mandato na Câmara Municipal de São Paulo.
Entre candidatos católicos, Padre Kelmon não conquistou uma cadeira direta na Câmara. Ele terminou a eleição como suplente pelo PL.
Padre Silvio Andrei também não foi eleito deputado federal.
Marco Feliciano e Paulo Freire são eleitos em São Paulo
As derrotas de lideranças tradicionais, entretanto, não significaram o desaparecimento da representação religiosa paulista no Congresso.
Pastor Marco Feliciano, do PL, garantiu mais um mandato como deputado federal. Ele recebeu 122.119 votos em São Paulo e foi eleito pelo quociente partidário.
Feliciano está na Câmara dos Deputados desde 2011 e chega ao quinto mandato consecutivo. Pastor evangélico, construiu parte relevante de sua trajetória pública ligada ao segmento religioso.
Outro nome da Assembleia de Deus que continuará no Congresso é Paulo Freire, também do PL.
O parlamentar recebeu 99.388 votos e conquistou uma das 70 cadeiras paulistas na Câmara. Pastor da Assembleia de Deus desde 1983, Paulo Freire também está no Congresso desde 2011 e chega ao quinto mandato consecutivo.
Os dois resultados mostram que, apesar das derrotas de figuras ligadas a denominações tradicionais, candidatos com forte identificação evangélica continuaram conquistando espaço nas urnas paulistas.

Alex de Madureira é eleito para a Alesp
A Assembleia de Deus também manteve representação na Assembleia Legislativa paulista.
Alex de Madureira conquistou uma cadeira de deputado estadual com 122.704 votos.
O resultado reforça a necessidade de separar as derrotas individuais da situação mais ampla da representação religiosa. Algumas lideranças perderam seus mandatos, enquanto outras conseguiram permanecer ou entrar no Legislativo.
A composição definitiva da Frente Parlamentar Evangélica da Alesp, inclusive, não pode ser determinada apenas pelo número de candidatos explicitamente identificados como pastores ou ligados a igrejas.
Parlamentares eleitos podem aderir posteriormente à frente, independentemente da profissão declarada ou da maneira como se apresentaram durante a campanha.
Padres e pastores também foram eleitos em outros estados
Fora de São Paulo, candidatos religiosos também conquistaram vagas.
Considerando apenas o levantamento que utiliza como critério a ocupação autodeclarada ao TSE como “sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa”, cinco candidatos foram eleitos diretamente para o Legislativo em 2026.
Em Minas Gerais, Padre João, do PT, foi eleito deputado federal e seguirá para o quinto mandato na Câmara.

No mesmo estado, Lincoln Portela, do PL, também conquistou uma cadeira. Pastor evangélico, ele exerce mandatos consecutivos como deputado federal desde 1999.
Os dois casos também demonstram que candidatos identificados com segmentos religiosos não pertencem necessariamente ao mesmo campo político ou partidário.
Nas assembleias estaduais, Cardoso, do Republicanos, foi eleito em Goiás. Ele já atuou como coordenador político da Igreja Universal no estado.
Em Santa Catarina, Sergio Motta, do Republicanos, conquistou seu terceiro mandato como deputado estadual.
Padre Pedro, do PT, também foi eleito em Santa Catarina e chegará ao sétimo mandato na Assembleia Legislativa.
Levantamento aponta cinco eleitos diretos e 43 suplentes
O levantamento nacional baseado na profissão informada pelos próprios candidatos ao TSE encontrou cinco religiosos eleitos diretamente e outros 43 na condição de suplentes.
Dos cinco titulares enquadrados nesse critério, dois foram eleitos deputados federais e três conquistaram cadeiras em assembleias legislativas.
Entre os 43 suplentes, 18 disputaram vagas de deputado federal e 25 concorreram aos legislativos estaduais ou distrital.
O número representa uma redução em relação a 2022. Naquela eleição, considerando o mesmo critério de ocupação, 111 candidatos religiosos disputaram cargos, oito foram eleitos diretamente e 56 ficaram como suplentes.
Em 2026, foram 67 candidaturas dentro dessa classificação.
Os números, porém, não equivalem ao tamanho completo das chamadas bancadas religiosas ou evangélicas.
Isso acontece porque políticos que exercem funções religiosas podem declarar ao TSE ocupações como deputado, vereador, advogado, empresário ou outras profissões. Marco Feliciano e Paulo Freire, por exemplo, são reconhecidos publicamente como pastores, mas aparecem em um universo mais amplo do que o recorte baseado exclusivamente na ocupação religiosa declarada.
Resultado mostra renovação e permanência
O quadro das eleições de 2026 é, portanto, mais complexo do que uma derrota generalizada das lideranças religiosas.
Em São Paulo, nomes ligados a algumas das maiores denominações do país perderam mandatos ou não conseguiram chegar ao Legislativo. É o caso de representantes vinculados à Assembleia de Deus, Igreja Universal, Internacional da Graça e Mundial do Poder de Deus.
Ao mesmo tempo, outros políticos identificados com o eleitorado religioso conseguiram se manter.
Marco Feliciano e Paulo Freire permanecerão na Câmara dos Deputados, enquanto Alex de Madureira estará na Assembleia paulista.

Em outros estados, Padre João, Lincoln Portela, Padre Pedro, Sergio Motta e Cardoso também conseguiram vagas dentro do recorte nacional de candidatos que declararam ocupação religiosa.
O resultado indica uma mudança de nomes e de distribuição de forças, mas não permite concluir, isoladamente, que a influência política das igrejas tenha desaparecido ou que o eleitorado religioso tenha deixado de apoiar candidatos vinculados à fé.
A dimensão dessa representação ficará mais clara com a formação das frentes parlamentares e a organização das novas bancadas no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas a partir de 2027.