Preso há sete meses na Operação Compliance Zero e afastado dos filhos, o operador financeiro Fabiano Zettel afirmou a interlocutores na prisão que “já não quer mais ficar calado” e pretende revelar informações que, segundo ele, envolvem autoridades do país.
O que Fabiano Zettel declarou na prisão?
Fabiano Zettel disse a pessoas que o visitam que tem sido alvo de notícias que o expõem e o constrangem e, por isso, decidiu falar. De acordo com esses relatos, ele afirma ter “informações importantes sobre autoridades para revelar” e não vê mais sentido em manter o silêncio após meses de prisão preventiva.
LEIA MAIS:
Vorcaro e Zettel dizem ter “bala de prata” capaz de pesar na eleição presidencial
O novo movimento ocorre depois de uma tentativa frustrada de delação premiada. Em abril, Zettel buscou um acordo de colaboração para corroborar aquilo que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também pretendia delatar, mas, segundo a investigação, “a tentativa de ambos foi rechaçada pela PGR”.
Na mesma época, o então advogado de Zettel, o criminalista Celso Villardi, se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça para tentar destravar a colaboração. Ainda de acordo com relatos da investigação, a conversa não resultou em avanço: “sem sucesso”.
Quem é Fabiano Zettel?
Fabiano Zettel é operador financeiro e cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ele está preso por decisão ligada à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco controlado por Vorcaro.
Além de atuar na área financeira do grupo, Zettel também administrava a Igreja da Lagoinha, que passou a ser investigada por movimentar valores acima do faturamento declarado. Essa posição o colocou no centro das apurações sobre o fluxo de recursos entre o banco de Vorcaro e a instituição religiosa.
Entenda o contexto
A Operação Compliance Zero investiga um esquema de fraudes financeiras conectado ao banco de Daniel Vorcaro. Os investigadores miram operações suspeitas, movimentações incompatíveis e possíveis mecanismos de ocultação de valores. Nesse cenário, o papel de Zettel é considerado estratégico por envolver tanto o braço financeiro quanto a gestão da Igreja da Lagoinha.
A delação premiada de Zettel e Vorcaro, se aceita, poderia redesenhar a investigação, abrindo frentes sobre o envolvimento de agentes públicos, reguladores e figuras ligadas ao meio religioso. Com a recusa inicial da Procuradoria-Geral da República em formalizar o acordo, Zettel agora acena com uma colaboração espontânea, fora do formato clássico de delação, o que tende a pressionar novamente o Ministério Público e o STF.
Possíveis impactos da mudança de postura
Ao anunciar que decidiu falar mesmo sem um acordo homologado, Zettel sinaliza uma guinada na estratégia de defesa. Como operador financeiro de confiança de Vorcaro e administrador da Igreja da Lagoinha, ele pode descrever em detalhes a engrenagem das movimentações investigadas.
Se as informações forem consideradas consistentes, a Procuradoria-Geral da República poderá reavaliar o interesse em um acordo formal, e o Supremo terá de lidar com pedidos de proteção e de uso das novas provas em processos já em curso. Autoridades eventualmente citadas correm o risco de sofrer desgaste político e jurídico imediato, enquanto o setor financeiro e instituições religiosas entram mais uma vez no radar de medidas de controle e de transparência.