Kátia Abreu, ex-senadora e coordenadora da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tocantins, fez duras críticas à condução da campanha presidencial durante uma reunião da cúpula petista realizada nesta terça-feira (6), em Brasília. Segundo relatos de participantes, ela afirmou que o comando da campanha é formado por “paulistas sem voto” e defendeu uma redução do espaço da primeira-dama Janja da Silva e maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A manifestação ocorreu durante um encontro convocado para avaliar o resultado do primeiro turno e discutir mudanças para a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). Kátia, que se filiou ao PT neste ano, criticou principalmente a estratégia de comunicação e a condução política da campanha.
Ao abordar a participação da primeira-dama, a ex-ministra defendeu uma mudança na exposição de Janja e resumiu sua posição em uma frase que provocou aplausos entre os participantes.
“Menos Janja, mais Alckmin.”
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Kátia Abreu critica comando da campanha
A reunião reuniu integrantes da Executiva Nacional do PT, deputados e coordenadores estaduais da campanha de Lula. As críticas à comunicação estiveram entre os principais assuntos discutidos.
De acordo com relatos publicados por O Globo, Kátia afirmou que a coordenação nacional é formada por “paulistas sem voto”. A declaração ocorreu durante uma avaliação dos fatores que, na visão da ex-senadora, contribuíram para o desempenho de Lula no primeiro turno.
Kátia também criticou a estratégia adotada pela comunicação da campanha e defendeu mudanças para as semanas restantes até a nova votação.
A ex-senadora comandou a campanha de Lula no Tocantins e chegou ao PT em 2026 após passagens por partidos como DEM, PP e MDB. Ela também foi ministra da Agricultura durante o governo Dilma Rousseff.

Participação de Janja vira alvo de críticas
A presença de Janja nos eventos eleitorais também foi discutida no encontro.
Antes de abordar diretamente o papel da primeira-dama, Kátia teria ressaltado que se sentia à vontade para tratar do assunto por ser mulher.
Entre os episódios mencionados esteve a participação de Janja em comícios nos quais cantou a música gospel “Tapete Vermelho”. A avaliação apresentada por alguns dirigentes durante a reunião foi de que a estratégia não teria ajudado na aproximação com o eleitorado evangélico.
A discussão, no entanto, representa avaliações internas de integrantes da campanha e não uma decisão oficial sobre a participação da primeira-dama no segundo turno.
Alckmin pode ganhar mais espaço
Em sentido oposto, participantes defenderam uma presença maior de Geraldo Alckmin na campanha.
A avaliação de aliados é de que o vice-presidente pode ajudar Lula a ampliar o diálogo com segmentos políticos e sociais além da base tradicional do PT.
O presidente do PT e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, também afirmou ser favorável a uma participação maior de Alckmin durante o segundo turno.
Segundo Edinho, o vice-presidente pode contribuir para ampliar as conversas com diferentes setores da sociedade.
A campanha já vinha discutindo formas de aumentar o protagonismo de Alckmin nesta segunda etapa da eleição, inclusive em agendas e na comunicação eleitoral.

Comunicação também foi questionada
As críticas durante o encontro não ficaram restritas à participação de Janja.
Dirigentes e coordenadores estaduais avaliaram que a campanha precisa falar mais sobre propostas para o futuro e depender menos da apresentação do legado dos governos anteriores de Lula.
Também houve questionamentos sobre a definição das agendas realizadas durante o primeiro turno.
Uma das avaliações apresentadas foi de que Lula deveria aumentar sua presença em regiões onde encontrou maior resistência eleitoral, incluindo áreas do Centro-Oeste e de Minas Gerais.
Edinho Silva também foi alvo de cobranças durante a reunião. Em determinado momento, o dirigente deixou o auditório e os participantes decidiram interromper as manifestações até que ele retornasse, argumentando que o coordenador precisava ouvir pessoalmente as críticas.

PT promete mudanças para o segundo turno
Após a reunião, Edinho afirmou que o encontro serviu para discutir a linha política que será adotada na etapa final da campanha.
A estratégia deverá explorar de maneira mais direta as diferenças entre as duas candidaturas à Presidência.
Com apenas Lula e Flávio Bolsonaro na disputa, dirigentes petistas avaliam que será possível concentrar a comunicação na comparação entre as propostas apresentadas pelos dois candidatos.
As mudanças discutidas incluem ajustes na comunicação, maior participação de aliados e uma reorganização das agendas de campanha.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, deixando pouco menos de três semanas para as duas campanhas colocarem as novas estratégias em prática.