A Organização dos Estados Americanos (OEA) fez uma avaliação positiva do sistema eleitoral brasileiro após acompanhar o primeiro turno das eleições de 2026. A missão internacional destacou o funcionamento das urnas eletrônicas e afirmou que o modelo utilizado no país é um “exemplo de excelência para o mundo”.
A avaliação faz parte do relatório preliminar da Missão de Observação Eleitoral da OEA. Neste ano, 91 observadores independentes foram enviados ao Brasil, o maior grupo já mobilizado pela organização para acompanhar uma eleição no país. A equipe esteve no Distrito Federal e em outros 20 estados.
Além das urnas, os observadores elogiaram a capacidade técnica, logística e organizacional demonstrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelos Tribunais Regionais Eleitorais durante o primeiro turno.
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OEA destaca sistema eletrônico brasileiro
A missão acompanhou diferentes etapas do processo eleitoral e teve acesso aos procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral.
Entre os pontos destacados estão os mecanismos de fiscalização das urnas, os testes realizados com participação de pesquisadores, acadêmicos e especialistas e a possibilidade de acompanhamento do sistema por diferentes entidades.
A OEA também mencionou o avanço da identificação biométrica. Segundo o relatório preliminar, o percentual de eleitores com biometria cadastrada chegou a 89%, após expansão desde as eleições municipais de 2024.
Outro aspecto citado foi a ampliação dos serviços digitais oferecidos pela Justiça Eleitoral por meio do Autoatendimento Eleitoral e do aplicativo e-Título.
A missão descreveu o primeiro turno como uma jornada cívica e pacífica e ressaltou a capacidade demonstrada pelas autoridades eleitorais na organização de uma eleição realizada em um país de dimensões continentais.
91 observadores acompanharam eleição
A OEA acompanha eleições brasileiras desde 2018. A missão de 2026, entretanto, é a maior já enviada pela organização ao Brasil.
Os 91 integrantes foram distribuídos pelo Distrito Federal e por outros 20 estados para acompanhar diferentes etapas da votação.
O trabalho é realizado de maneira independente e inclui observação de temas como tecnologia eleitoral, organização das eleições, financiamento político, participação de mulheres e grupos historicamente sub-representados, além do combate à desinformação.
A missão continuará acompanhando o processo eleitoral brasileiro durante o segundo turno.
Desinformação preocupa observadores
Apesar dos elogios à organização e ao sistema eletrônico, a OEA também registrou pontos de preocupação.
O relatório menciona um ambiente de forte polarização política, judicialização e confrontos entre atores envolvidos na disputa eleitoral.
A organização chamou atenção especialmente para a circulação de conteúdos destinados a colocar em dúvida a integridade do sistema eletrônico de votação.
Segundo a avaliação preliminar, foram identificadas narrativas de desinformação direcionadas a gerar desconfiança sobre o processo eleitoral.
O tema também é tratado como um dos principais desafios pelo TSE. A Justiça Eleitoral adotou medidas específicas para as eleições de 2026 relacionadas à inteligência artificial, conteúdos manipulados e divulgação de informações falsas sobre o processo de votação.
OEA aponta ausência de debate presidencial
Outro ponto registrado pela missão foi a ausência de um debate entre os candidatos à Presidência e à Vice-Presidência durante o primeiro turno.
A organização observou, em contrapartida, que foram realizados diversos debates entre candidatos aos governos estaduais.
O relatório também apontou a necessidade de critérios jurídicos mais uniformes sobre o uso, na propaganda eleitoral, de imagens reais ou produzidas por inteligência artificial envolvendo pessoas impedidas de participar da atividade política.
As observações devem servir de base para recomendações que serão apresentadas pela missão internacional após a conclusão de todo o processo eleitoral.
Urna eletrônica completa 30 anos
A avaliação ocorre no ano em que a urna eletrônica completa três décadas de utilização no Brasil. O equipamento começou a ser usado nas eleições municipais de 1996 e foi posteriormente expandido para todo o país.
Atualmente, as urnas funcionam sem conexão com a internet. Depois do encerramento da votação, cada equipamento imprime o Boletim de Urna, que apresenta os votos registrados naquela seção eleitoral.
Os dados utilizados na totalização são transmitidos por uma rede própria da Justiça Eleitoral e passam por mecanismos de autenticação antes de serem contabilizados.
Além da OEA, outras organizações internacionais acompanharam o primeiro turno das eleições brasileiras de 2026, entre elas a União Europeia, o Parlamento do Mercosul e entidades especializadas em administração e Justiça Eleitoral.
Próximos passos
A Missão de Observação Eleitoral da OEA permanecerá acompanhando as eleições brasileiras até a conclusão do segundo turno.
Depois do encerramento do processo, a organização deverá produzir um relatório final com uma avaliação mais ampla e recomendações destinadas ao aperfeiçoamento de futuras eleições.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro. Até lá, o sistema eleitoral brasileiro continuará submetido ao acompanhamento de observadores nacionais e internacionais.