Um casal foi preso em flagrante pela Polícia Civil após a morte do próprio filho, um recém-nascido de apenas 16 dias, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a investigação da 60ª DP (Campos Elíseos), exames periciais identificaram uma série de lesões no bebê, incluindo ruptura do fígado e ferimentos na cabeça e no rosto. Os pais foram autuados, em tese, por homicídio doloso qualificado.
O bebê morreu no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes. Inicialmente, o caso havia sido apresentado às autoridades como uma possível morte decorrente de sufocamento. A criança chegou com vida à unidade em estado gravíssimo, apresentando gasping, uma respiração anormal e agonizante, e foi encaminhada imediatamente para a emergência pediátrica.
Durante o atendimento, profissionais identificaram manchas arroxeadas nos dois lados do rosto, atingindo regiões próximas aos olhos, maçãs do rosto e queixo, além de uma tumoração na parte posterior da cabeça e uma lesão na clavícula esquerda. Apesar das tentativas de reanimação, a morte foi declarada às 21h06.
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Perícia apontou ruptura no fígado e lesões no cérebro
Com o avanço das diligências, laudos periciais complementares trouxeram novos elementos para a investigação. Segundo a Polícia Civil, os exames apontaram ruptura do fígado decorrente de uma ação contundente na região lombar e no glúteo da criança.
A perícia também identificou lesões na face que, de acordo com a investigação, seriam compatíveis com a ação de dedos. A suspeita dos investigadores é de que a boca do recém-nascido tenha sido pressionada violentamente para impedir que ele chorasse.
Outro resultado considerado relevante pelos investigadores envolve lesões encefálicas. Segundo a Polícia Civil, os achados são compatíveis com movimentos violentos de chacoalhamento, associados ao quadro conhecido como síndrome do bebê sacudido.
De acordo com a análise técnica citada pela polícia, o movimento brusco teria provocado um efeito semelhante ao de um chicote, fazendo com que o cérebro se movimentasse dentro do crânio e resultando nas lesões identificadas.
Pais haviam negado queda ou agressão
Antes da prisão, os pais haviam sido ouvidos e afirmaram que perceberam, por volta das 18h, que o filho apresentava um ruído respiratório anormal e dificuldade para respirar. Eles disseram que levaram imediatamente a criança para atendimento.
Na primeira versão apresentada às autoridades, ambos afirmaram desconhecer a origem da fratura e das demais lesões encontradas no recém-nascido. Também negaram que o bebê tivesse sofrido alguma queda ou agressão.
Os pais relataram ainda que a criança apresentava, desde o nascimento, uma alteração na região da cabeça. O bebê havia nascido na Maternidade de Santa Cruz da Serra.
Inicialmente, o caso foi registrado para apuração de possível crime de maus-tratos. A investigação, porém, avançou durante a madrugada após a atuação do Grupo de Investigação Criminal da 60ª DP.
Polícia diz ter encontrado contradições nos relatos
Segundo a Polícia Civil, os investigadores passaram a confrontar as versões apresentadas pelos pais e identificaram contradições nos relatos. A equipe também realizou diligências no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes e analisou a documentação médica e os resultados periciais.
A polícia afirma que o conjunto de elementos médicos, periciais e investigativos indica que o recém-nascido teria sido submetido a agressões violentas antes da morte.
Ainda conforme a investigação, os pais eram os responsáveis pela criança e mantinham contato direto com o bebê no período em que, segundo a análise policial, as lesões teriam sido produzidas.
Com os novos elementos, os dois foram presos em flagrante e autuados, em tese, por homicídio doloso qualificado. A responsabilização criminal definitiva dependerá do andamento da investigação e da análise do caso pela Justiça.
Investigação continua
A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para reconstruir a dinâmica da morte e esclarecer todas as circunstâncias envolvendo as lesões encontradas no recém-nascido.
Os laudos periciais, documentos médicos, depoimentos e demais elementos reunidos durante as diligências deverão subsidiar o inquérito. O caso é conduzido pela 60ª DP, em Campos Elíseos, Duque de Caxias.