A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (7) a segunda fase da Operação Off-Grade Coffee, que investiga uma organização criminosa suspeita de usar cargas de café destinadas à exportação para enviar cocaína ao exterior. A nova ofensiva ocorre em Manhuaçu, em Minas Gerais.
Policiais federais cumprem um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão no município mineiro. A ação conta com apoio do 11º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais.
A investigação começou após a apreensão de aproximadamente 1,2 tonelada de cocaína escondida em um contêiner carregado com sacas de café. A droga foi encontrada em junho de 2025 e a carga tinha a Alemanha como destino.
Receita encontra 366 kg de cocaína escondidos em carga de café no Porto de Santos
PF investiga uso de exportações de café para enviar cocaína
Segundo a Polícia Federal, as apurações apontam que o grupo investigado simulava operações comerciais legítimas de exportação de café para viabilizar o envio de drogas para outros países.
A estrutura investigada teria usado empresas de fachada, pessoas interpostas e movimentações financeiras para ocultar a origem dos recursos e permitir a inserção dos entorpecentes nas cargas destinadas ao exterior.
A primeira fase da Operação Off-Grade Coffee foi deflagrada em maio deste ano. Na ocasião, três mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão foram cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.
Investigação começou com 1,2 tonelada de cocaína
O ponto de partida da investigação foi a apreensão, em junho de 2025, de aproximadamente 1,2 tonelada de cocaína escondida em um contêiner carregado com sacas de café que tinha a Alemanha como destino.
A partir da apreensão, a PF passou a investigar a estrutura empresarial, financeira e logística que teria sido montada para possibilitar os embarques.
Na primeira fase, os investigadores apontaram que integrantes do grupo exerciam funções distintas dentro do esquema, desde a intermediação comercial e disponibilização de empresas até a movimentação financeira e a logística das cargas.
Empresas de fachada e movimentações financeiras estão na mira
De acordo com a investigação, empresas de fachada registradas em nome de terceiros eram utilizadas no esquema. A PF também identificou transações financeiras que teriam como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos.
A nova etapa da operação busca aprofundar essa linha de investigação e reunir mais elementos sobre a atuação dos suspeitos e a estrutura financeira que, segundo a PF, dava suporte às operações.
As autoridades também apuram a participação individual dos investigados e possíveis conexões com outras pessoas envolvidas na logística das exportações.
Investigados podem responder por diferentes crimes
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual apurada, por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, além de outros delitos eventualmente identificados durante as investigações.
As suspeitas ainda são objeto de investigação, e a responsabilidade criminal de cada envolvido dependerá das provas reunidas durante o inquérito e da análise da Justiça.
Cargas de café já foram usadas para esconder cocaína em outros casos
O uso de cargas de café para ocultar drogas também apareceu recentemente em outras apreensões, sem que haja informação pública indicando ligação entre esses episódios e a Operação Off-Grade Coffee.
Em 30 de setembro, a Receita Federal encontrou 366 quilos de cocaína distribuídos em 20 sacas dentro de quatro contêineres que transportavam aproximadamente 77 toneladas de café no Porto de Santos, no litoral paulista. A carga tinha Barcelona, na Espanha, como destino.
Na ocasião, a ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal para investigação. As autoridades passaram a apurar como a cocaína foi introduzida nos contêineres e quem participaria da tentativa de envio da droga para a Europa.
Próximos passos
Os materiais recolhidos durante as buscas em Manhuaçu deverão passar por análise. A investigação continuará para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear movimentações financeiras e esclarecer a participação de cada suspeito na estrutura investigada.
A nova fase também poderá fornecer elementos para esclarecer se o grupo manteve atividades após as medidas adotadas pela Justiça na primeira etapa da Operação Off-Grade Coffee.