A Prefeitura de São Paulo prevê R$ 20,6 bilhões em investimentos e inversões financeiras no orçamento de 2027, o maior valor já projetado para a capital paulista. A cifra consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) encaminhado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) à Câmara Municipal e representa cerca de 14% do orçamento total previsto para o próximo ano.
A proposta estima um orçamento de R$ 146,52 bilhões para 2027. O montante abrange o orçamento fiscal dos poderes Executivo e Legislativo, fundos, órgãos e entidades municipais, além do orçamento de investimentos das empresas controladas pelo município.
Segundo a Prefeitura, o volume destinado a investimentos representa um avanço em relação aos R$ 5 bilhões registrados em 2021. O valor também supera os R$ 18,9 bilhões que haviam sido projetados no PLOA de 2026.
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Saúde e educação ficam entre as maiores fatias
Saúde e educação aparecem entre as principais áreas contempladas pela proposta orçamentária. Para a saúde, a Prefeitura prevê R$ 27,76 bilhões em 2027, cerca de 10% acima dos R$ 25,42 bilhões considerados para 2026.
Na educação, a previsão chega a R$ 33,53 bilhões, alta de 9,73% em comparação aos R$ 30,55 bilhões indicados para 2026. Segundo a administração municipal, 69,8% dos recursos destinados à área devem vir do próprio município e 27,2% do Fundeb.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte também aparece com aumento expressivo. A previsão passa de aproximadamente R$ 11,18 bilhões no PLOA de 2026 para R$ 13,96 bilhões em 2027, crescimento de 24,93%.
A proposta mantém ainda políticas de mobilidade já adotadas pela Prefeitura, entre elas o Domingão Tarifa Zero, que garante gratuidade nos ônibus municipais durante os domingos.
Prefeitura prevê mais de R$ 8 bilhões em operações de crédito
Para sustentar o volume de investimentos, a Prefeitura prevê mais de R$ 8,04 bilhões em operações de crédito. Na prática, são recursos que o município pretende obter por meio de empréstimos e financiamentos destinados principalmente a projetos estruturantes.
Entre as operações previstas estão R$ 2,7 bilhões destinados a intervenções de mobilidade urbana, incluindo corredores, vias e ligações; R$ 2,5 bilhões para transporte público coletivo de passageiros e infraestrutura associada; R$ 250 milhões para projetos na área da saúde; e outros R$ 250 milhões para educação.
A administração municipal afirma que a estratégia busca ampliar a capacidade de execução de obras sem comprometer a manutenção dos serviços públicos.
“Saímos de R$ 5 bilhões em 2021 para R$ 20 bilhões em 2027. E isso sem aumentar nenhum imposto.”
A declaração foi feita por Ricardo Nunes ao apresentar os números da proposta. Segundo o prefeito, o aumento da atividade econômica e da arrecadação municipal ajudou a ampliar a capacidade de investimento da cidade.

Orçamento prevê R$ 6,34 bilhões para população idosa
Uma das novidades apresentadas para 2027 é o chamado Orçamento da Pessoa Idosa. A Prefeitura reservou R$ 6,34 bilhões para ações, serviços e políticas direcionadas à população com 60 anos ou mais.
A proposta também identifica R$ 33 bilhões no Orçamento Climático, R$ 23,7 bilhões no Orçamento da Primeira Infância e R$ 15,2 bilhões no Orçamento da Mulher. Esses valores correspondem a recortes temáticos das ações previstas no orçamento e não necessariamente a despesas adicionais independentes.
As 32 subprefeituras devem receber R$ 2,27 bilhões, crescimento de aproximadamente 6,6% sobre o valor previsto para 2026. Para assistência social e direitos da cidadania, a proposta reserva R$ 4,14 bilhões, dos quais mais de R$ 974 milhões são destinados ao atendimento da população em situação de rua.
Projeto ainda depende da Câmara
Os R$ 146,52 bilhões representam uma proposta orçamentária e ainda não constituem o orçamento definitivo de São Paulo para 2027. O texto precisa passar pela análise e votação dos vereadores na Câmara Municipal.
Durante a tramitação, os parlamentares podem apresentar emendas e promover alterações na distribuição dos recursos antes da aprovação.
Depois da votação pelo Legislativo, o texto segue para sanção do prefeito. Somente após a conclusão desse processo a Lei Orçamentária Anual estabelecerá oficialmente as receitas e despesas autorizadas para São Paulo em 2027.