Donald Trump ampliou a influência política dos Estados Unidos na América do Sul em meio a uma sequência de mudanças de governo na região. Presidentes de países como Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai, Bolívia, Chile e Peru mantêm diferentes graus de aproximação com o republicano, enquanto a Venezuela passou a estabelecer uma relação mais pragmática com Washington.
O Brasil pode se tornar uma peça importante nessa reorganização regional. Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantém proximidade política com Trump e já indicou que pretende aprofundar a cooperação com os Estados Unidos caso seja eleito.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A definição ocorrerá apenas em 25 de outubro, e uma eventual mudança na política externa brasileira dependerá do resultado das urnas e das decisões do próximo governo.
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Trump ganha aliados na América do Sul
A atual configuração política sul-americana é diferente daquela observada há poucos anos, quando governos de esquerda e centro-esquerda ocupavam grande parte das presidências da região.
Na Argentina, Javier Milei mantém uma das relações mais próximas com Trump. O argentino já participou de encontros com o republicano nos Estados Unidos e se tornou um dos principais aliados políticos de Washington na região.
Na Colômbia, Abelardo De la Espriella também se aproximou do presidente americano. Trump manifestou apoio público ao colombiano durante a eleição de 2026 e, depois do resultado, indicou interesse em ampliar a relação entre os dois governos.
No Equador, Daniel Noboa mantém uma aproximação mais pragmática, especialmente na área de segurança. O combate ao narcotráfico e ao crime organizado está entre os principais pontos de interesse comum entre Quito e Washington.
Chile, Bolívia, Paraguai e Peru também se aproximaram
José Antonio Kast, no Chile, também possui convergências políticas com Trump, principalmente em temas como imigração, segurança pública e críticas a setores da esquerda latino-americana.
Na Bolívia, Rodrigo Paz assumiu a Presidência em novembro de 2025 e restabeleceu uma relação mais próxima com Washington depois de um longo período de governos ligados à esquerda. Estados Unidos e Bolívia passaram a discutir cooperação em diferentes áreas.
O Paraguai, governado por Santiago Peña, mantém relações próximas com os Estados Unidos. Peña já participou de iniciativas promovidas por Trump e manifestou publicamente apoio a diferentes ações do governo americano.
No Peru, Keiko Fujimori também aprofundou a cooperação com Washington após assumir a Presidência. Segurança, investimentos e comércio estão entre as áreas de aproximação.
Venezuela vive situação diferente
O caso venezuelano tem características próprias. Sob o governo interino de Delcy Rodríguez, Caracas passou a fazer movimentos de aproximação com Washington, incluindo acordos relacionados ao petróleo e outros gestos diplomáticos.
Essa relação, porém, não representa necessariamente um alinhamento político semelhante ao observado em países como Argentina ou Paraguai. Trata-se de uma aproximação marcada pelas mudanças ocorridas na Venezuela e pelos interesses estratégicos dos dois governos.
Por isso, o número de presidentes considerados “alinhados” a Trump varia conforme o critério utilizado. Há governos com afinidade ideológica explícita, outros que mantêm uma relação essencialmente pragmática e o caso particular venezuelano.
Flávio já esteve com Trump na Casa Branca
A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Trump ganhou força durante 2026. Em maio, o brasileiro esteve na Casa Branca e afirmou ter pedido ao governo americano que organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, fossem classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
No mês seguinte, Trump publicou uma fotografia do encontro no Salão Oval e fez elogios ao então candidato brasileiro.
Flávio também afirmou durante a campanha que, se eleito, pretende inserir o Brasil no chamado Escudo das Américas, iniciativa lançada pelo governo Trump voltada à cooperação regional em áreas como segurança e combate ao crime organizado.
Trump, entretanto, adotou cautela durante a campanha brasileira e não anunciou formalmente apoio eleitoral a Flávio. Depois do primeiro turno, o presidente americano classificou o desempenho do candidato do PL como uma “grande vitória”, mas ressaltou que a disputa havia sido apertada.
Brasil pode alterar peso do novo eixo regional
Uma eventual vitória de Flávio teria peso significativo nessa configuração por causa da dimensão econômica, territorial e diplomática do Brasil.
O país é a maior economia da América Latina e tradicionalmente desempenha papel central em organismos e negociações regionais. Uma maior aproximação de Brasília com Washington poderia afetar debates sobre segurança, comércio, energia, minerais estratégicos e relações com potências como China e Rússia.
O cenário seria diferente caso Lula seja reeleito. O atual governo mantém diálogo com Washington — Brasil e Estados Unidos retomaram recentemente negociações comerciais de alto nível —, mas preserva uma política externa de maior autonomia e relações com diferentes polos internacionais.
A eleição brasileira, portanto, ocorre em um momento de transformação do equilíbrio político sul-americano. O resultado de 25 de outubro definirá não apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas também qual orientação o Brasil adotará diante dessa nova configuração regional.