Corinthians libera R$ 27 milhões com a Caixa e paga salários atrasados de jogadores e funcionários

Clube recebeu a primeira metade dos recursos nesta semana, mas ainda acumula pendências com direitos de imagem, férias e premiações.
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O Corinthians pagou nesta quinta-feira (8) os salários atrasados dos jogadores do elenco profissional masculino e dos funcionários do clube, após fechar um acordo com a Caixa Econômica Federal para liberar R$ 27 milhões que estavam retidos em uma conta vinculada ao financiamento da Neo Química Arena. O acerto foi assinado pelo presidente Osmar Stabile e representa um alívio imediato para o caixa corintiano. Do total negociado, R$ 13,5 milhões foram transferidos ao Corinthians na quarta-feira (7). A outra metade ainda será repassada pelo banco, em data não confirmada. Os salários referentes a setembro, que deveriam ter sido depositados até quarta-feira, foram regularizados na manhã de quinta, segundo informações do ge.
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Corinthians ainda deve direitos de imagem, férias e premiações

Apesar da regularização dos salários previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o Corinthians ainda possui outras pendências financeiras com os jogadores. Entre os compromissos em aberto estão dois meses de direitos de imagem, além de valores relacionados a férias e premiações. A diretoria ainda não divulgou um cronograma para quitar essas obrigações. A liberação dos recursos da Caixa permite ao clube enfrentar parte das dificuldades imediatas, mas não resolve o problema de endividamento que compromete o orçamento corintiano.

Como funciona o acordo de R$ 27 milhões com a Caixa?

O dinheiro liberado estava depositado em uma conta-reserva prevista no contrato de financiamento da Neo Química Arena. A quantia funcionava como uma garantia relacionada aos compromissos financeiros do Corinthians com a instituição bancária. Com a assinatura do acordo, o clube passou a ter acesso aos recursos que antes estavam bloqueados para essa finalidade. O entendimento também ocorre em meio às negociações para suspender temporariamente parcelas do financiamento do estádio. A diretoria recebeu sinalizações de que a Caixa poderá deixar de executar determinadas garantias enquanto as tratativas continuarem. A instituição financeira, procurada pelo ge, informou que não comenta operações bancárias específicas, em respeito às regras de sigilo bancário.

Dívida da Neo Química Arena chega a R$ 630 milhões

O acordo para liberar os R$ 27 milhões é apenas uma etapa de uma negociação mais ampla entre Corinthians e Caixa. O clube ainda possui uma dívida de aproximadamente R$ 630 milhões relacionada à construção da Neo Química Arena. Desde a inauguração do estádio, em 2014, o Corinthians já desembolsou cerca de R$ 600 milhões em pagamentos associados ao financiamento. Mesmo assim, o saldo permanece elevado devido às condições contratuais e aos encargos financeiros. O contrato renegociado durante a gestão de Duilio Monteiro Alves estabelece dezembro de 2041 como prazo final para quitar a dívida. O financiamento prevê juros de 2% ao ano, acrescidos da variação do CDI. O Corinthians começou a amortizar o saldo devedor em 2025, depois de ter concentrado os pagamentos anteriores principalmente nos juros.

Corinthians quer usar nome do estádio para quitar dívida

A principal proposta apresentada pelo clube envolve a negociação dos naming rights, expressão utilizada para definir os direitos comerciais sobre o nome de uma arena esportiva. Atualmente, o estádio leva o nome da Neo Química por meio de um contrato com a Hypera Pharma, firmado em 2020. A diretoria corintiana avalia que os direitos sobre o nome do estádio podem valer aproximadamente R$ 70 milhões por temporada, valor superior ao previsto no acordo atual, originalmente estabelecido em cerca de R$ 15 milhões anuais, com correção pela inflação. A proposta prevê que a Caixa passe a explorar comercialmente o nome da Arena por um período a ser definido. Em contrapartida, o valor atribuído ao contrato seria utilizado para viabilizar a quitação do financiamento. O projeto também considera outros ativos comerciais, como cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor, títulos de capitalização e a transferência de operações financeiras do clube para a Caixa. As negociações continuam, e ainda não existe confirmação de um acordo definitivo para encerrar a dívida do estádio.

Crise financeira pressiona o Corinthians

A dívida da Arena representa uma parcela importante do endividamento total do Corinthians, estimado em aproximadamente R$ 2,8 bilhões. O presidente Osmar Stabile considera a quitação do estádio uma das prioridades de sua administração, diante da necessidade de reduzir os compromissos financeiros e recuperar a capacidade de investimento do clube. Em setembro, o Corinthians deixou de desembolsar uma parcela trimestral de aproximadamente R$ 28 milhões do financiamento, enquanto negociava com a Caixa a suspensão temporária dos pagamentos. As duas primeiras parcelas de 2026, também próximas de R$ 28 milhões cada, haviam sido quitadas anteriormente. O desbloqueio dos recursos desta semana melhora a situação imediata do caixa, mas a recuperação financeira dependerá do tratamento das demais dívidas e da conclusão das negociações com o banco.

Corinthians enfrenta o Palmeiras em meio à crise

Enquanto busca reorganizar as finanças, o Corinthians também enfrenta dificuldades dentro de campo. O clube ocupa a 16ª posição do Campeonato Brasileiro, com 32 pontos, apenas um acima da zona de rebaixamento. Sem um novo treinador após a demissão de Fernando Diniz, o time tem compromisso marcado para domingo (11), às 17h30, contra o Palmeiras, no Nubank Parque, pela 30ª rodada da competição. Nos próximos dias, a diretoria deverá acompanhar o repasse dos R$ 13,5 milhões restantes e avançar nas conversas com a Caixa sobre a dívida da Arena, enquanto tenta regularizar os pagamentos ainda pendentes ao elenco.
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