A ex-secretária municipal de Saúde de Iranduba (AM), Luana Ferraz, que disputou uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas nas eleições de 2026 e acabou derrotada nas urnas, é alvo de uma investigação que apura a suposta utilização da máquina pública e de ações de promoção pessoal para impulsionar sua projeção política antes do período eleitoral. O caso é conduzido pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e tramita na Justiça Eleitoral do Amazonas.
A apuração teve origem em uma carta-denúncia encaminhada às autoridades eleitorais. O documento relatava possíveis irregularidades envolvendo a atuação da então secretária e foi acompanhado por vídeos, fotografias e publicações em redes sociais.
Após análise técnica, peritos da Procuradoria-Geral da República confirmaram a autenticidade do material e recomendaram sua preservação como elemento probatório.

Segundo o Ministério Público, o acervo reúne registros de viagens pelo interior do Amazonas, participação em eventos públicos, visitas a comunidades, encontros com moradores, discursos e aparições em inaugurações e ações governamentais.
Os investigadores sustentam que parte desse conteúdo extrapola a divulgação institucional e apresenta características compatíveis com uma estratégia de promoção política construída meses antes do início oficial da campanha eleitoral.
O relatório destaca ainda uma mudança no padrão de comunicação adotado pela investigada a partir de 2025. Conforme a análise, houve aumento expressivo das publicações, fortalecimento de uma identidade visual própria e associação recorrente da imagem de Luana Ferraz a obras, programas e entregas da administração municipal.
Para os investigadores, o conjunto de ações teria contribuído para ampliar sua visibilidade pública em diferentes regiões do Estado.

Entre os episódios citados estão eventos públicos nos quais a então secretária aparece em posição de destaque, homenagens promovidas em sua honra, discursos de autoridades locais com referências ao seu futuro político e conteúdos audiovisuais voltados à valorização de sua trajetória pessoal e administrativa.
O material também registra viagens a diversos municípios amazonenses e encontros com grupos de apoiadores, situações que passaram a integrar o conjunto de provas analisado pela Procuradoria Regional Eleitoral.
Em manifestação encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), o Ministério Público afirma que as evidências apontam para a existência de uma “ostensiva, capilarizada e robusta estrutura de pré-campanha” montada no período que antecedeu as eleições de 2026. A defesa da ex-secretária ainda terá oportunidade de contestar as acusações.